Clubes holandeses assustados com riscos da utilização de gramados artificiais no futebol



Cerca de 30 clubes de futebol amador na Holanda decidiram paralisar suas atividades até que o Instituto Nacional de Saúde e Meio Ambiente – RIVM – emita um parecer solicitado pelo Governo diante da denúncia divulgada pelo programa da TV holandesa “Zembla” segundo a qual o uso de grãos de borracha na composição do gramado artificial usado em campos de futebol pode causar danos à saúde dos atletas. O assunto também mereceu ampla reportagem no diário espanhol “El País”.

A utilização de gramados artificiais para partidas oficiais das competições da UEFA está autorizado desde a temporada 2005/06.

Enquanto o resultado do estudo não é divulgado o RIVM está orientando as crianças para que não manuseiem ou brinquem com esta “areia” presente nos pisos sintéticos e para que “tomem banho e vistam roupa limpa após os jogos”.grama-artificial

A própria KNVB – Real Federação Holandesa de Futebol – compreendeu a gravidade da denúncia e “entendeu” a decisão dos clubes. Segundo a entidade, há mais de 2 mil campos de grama artificial no país.  Segundo declarou à rádio NOS o assessor de imprensa da entidade, Chris van Nijanatten, “nós entendemos que há uma inquietação e que os pais estejam com medo de deixar seus filhos brincar neste tipo piso”.

O fato é que para reproduzir a sensação da grama natural, a grama sintética, na maioria dos casos dos gramados holandeses, é combinada com grãos de borracha reciclada, obtida a partir de pneus reprocessados, compostos de substâncias que cientistas temem que favoreçam o surgimento do câncer.

Os pneus normalmente são confeccionados com borracha natural e sintética e submetidos a um processo químico combinado com enxofre para ter vida útil mais longa. Óxido de zinco, antioxidantes e hidrocarbonetos aromáticos também fazem parte da composição. Dados apresentados durante o programa da TV indicam que 90% dos gramados artificiais espalhados pelo país tem estes itens em sua composição.

A denúncia surpreendeu os cientistas do RIVM já que os estudos que realizaram em 2006 indicaram que a salubridade dos hidrocarbonetos aromáticos presentes nos grãos era satisfatória. O novo estudo se concentrará nos efeitos que estes produtos podem provocar no contato com os jogadores.aanleg1

A cautela dos clubes holandeses até que novas conclusões a este respeito sejam divulgadas se concentra nas crianças e nos goleiros que mais intensamente entram em contato com o gramado artificial, ficando portanto mais expostos à ingestão ou inalação destes grãos, ainda que por acidente. Já há um exemplo na Holanda de um clube que optou substituir o uso de grãos de borracha por grãos de cortiça.

O caso fez com que o consultor de patrimônio da KNVB, Patrick Balemans, usasse o site oficial da entidade para transmitir várias mensagens visando esclarecer o assunto e provar a seriedade com que a questão é encarada. Segundo ele, a KNVB segue rigorosamente as normas legais, respeita e segue a perícia do RIVM. Tudo segue a informação factual e o aconselhamento do RIVM.

A KNVB é responsável pelo regulamento com normas que garantam a segurança de um campo para a prática do futebol, portanto, envolvendo os aspectos de saúde e ambiente também. Neste ponto é que entra a padronização do tipo de grão de borracha que pode ser utilizado.

Apesar de tolerar a atitude dos clubes que decidiram suspender as atividades até que uma posição mais conclusiva do RIVM seja anunciada, a KNVB defende que as competições não sejam interrompidas e cobra urgência do governo na apresentação dos resultados deste novo estudo.

Este tema deve ser acompanhado com atenção pela CBF e pelos clubes brasileiros a partir da implantação da grama artificial no gramado da Arena da Baixada, estádio do Atlético Paranaense, e em milhares de campos de pelada espalhados pelo Brasil.

O gramado artificial da Arena da Baixada (foto - Maurício Mano - site oficial do CAP)

O gramado artificial da Arena da Baixada (foto – Maurício Mano – site oficial do CAP)

 

Segundo matéria publicada no site oficial do Atlético Paranaense “o sistema implantado na Arena é constituído essencialmente por fibras orgânicas vegetais (coco) e se trata do material que mais se assemelha a gramados naturais. A grama integralmente sintética instalada é produzida a partir de três matérias primas básicas: fios de polietileno, tela de polipropileno (ambos produzidos em Dubai) e látex líquido (produzido na Bélgica)”.

Ainda segundo o site oficial, “a confecção do gramado foi submetida um processo de ‘Tufting”. Neste, os fios encontram uma tela de ancoragem, devidamente aplicados em quantidades, pesos e dimensões específicas para cada modalidade esportiva e, posteriormente, o látex é aplicado para dar maior ancoragem, resistência e estabilidade à grama sintética”.

O Atlético Paranaense admite que optou por esta tecnologia por ela contar com um sistema híbrido de enchimento, propiciando maior similaridade com os gramados naturais. O clube paranaense define a tecnologia empregada na produção do material utilizado como “Geração 4” de grama artificial, respeitando todas as regulações estabelecidas pela FIFA.

O novo gramado implantado na Arena é semelhante aos dos Centros de Treinamentos da Juventus de Turim e do Chievo Verona e do Estádio do Novara, na Itália.

 

 



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