Chile está na final e a um passo do título inédito da Copa América



A classificação do Chile para a final da Copa América 2015 comprovou definitivamente o quanto mudou o nível de competitividade no futebol do continente. A magra vitória chilena por 2 a 1 sobre o Peru no “Clássico do Pacífico” mais importante deste século foi justa, apesar de sofrida, mas exibiu aspectos de ambas as equipes que ficaram cada vez mais latentes ao longo da competição.

O grande protagonista da noite foi o atacante chileno Eduardo Vargas – novo artilheiro do torneio – com seus dois gols decisivos que conduziram de novo sua seleção a uma final de Copa América depois de 28 anos. A seleção chilena foi vice campeã em 1987 na Copa América em que humilhou o Brasil de Ricardo Rocha, Júlio Cesar, Raí, Romário e Careca com uma goleada de 4 a 0 ainda na primeira fase da competição.

Vargas, e não Sánchez, é o artilheiro da Copa com 4 gols (foto - Vera Lispergueria - Agenciauno)

Eduardo Vargas, e não o badalado Alexis Sánchez, é o artilheiro da Copa com 4 gols (foto – Vera Lispergueria – Agenciauno)

O Chile, desde a estreia, tem atuado como autêntico “dono do pedaço”, tentando impor seu jogo de conquista do meio campo e se valendo da energia positiva gerada pela sua entusiasmada torcida. O técnico Jorge Sampaoli repetiu basicamente o mesmo elenco e o mesmo sistema de jogo da Copa do Mundo no Brasil, com um nível de coordenação ainda mais elevado, com o acréscimo de um Valdívia em melhor forma e mais participativo na organização da equipe. O time ganhou mais criatividade e diversificou seu repertório de ações ofensivas. No entanto, o sistema defensivo evoluiu pouco e permanece comprometendo o equilíbrio do conjunto. Todos os times, menos o boliviano, conseguiram ameaçar o arqueiro Claudio Bravo.

Ontem, contra o Peru, em vantagem numérica desde os 20 minutos do PT com a expulsão do zagueiro peruano Zambrano, o Chile poderia ter sofrido até mais do que um gol. A vitória nos 90 minutos esteve ameaçada até o apito final do árbitro, que aliás, se mostrou discreta, mas eficazmente, caseiro.

A equipe peruana, liderada por Paolo Guerreiro e Farfán, provou que organização  – quando combinada com vontade e alguma técnica – costuma produzir desempenhos heroicos. A intensidade e a obstinação do jogo peruano por pouco não levaram a partida para a disputa por penalidades. A manchete desta terça-feira do diário peruano “La Republica” resume o desfecho da partida sob a ótica de quem se orgulha de sua seleção: “Chile não foi melhor que o Peru com 10 homens, mas conseguiu a vaga na final”.

Paolo Guerrero e seus companheiros lutaram 90 min. (foto - AFP)

Paolo Guerrero e seus companheiros ameaçaram o time chileno até o último minuto. (foto – AFP)

Como equipe anfitriã que nunca conquistou a Copa América a contaminação de seu elenco pela euforia alucinada de sua torcida pode ser um fator de risco com vistas à final do próximo sábado. Ontem, ao regressar à concentração no CT Juan Pinto Durán depois da vitória sobre o Peru,  a delegação chilena foi recebida por torcedores em êxtase. Os jogadores e o próprio treinador Jorge Sampaoli decidiram se juntar a eles e estender a comemoração pela classificação à final.

A euforia chilena é compreensível, mas perigosa (foto - AFP

A euforia chilena com a classificação para a final é compreensível, mas perigosa (foto – AFP

Evidentemente todo o Chile estará na torcida pela classificação improvável do inesperado semifinalista Paraguai sobre a favoritíssima ao título Argentina de Lionel Messi na semifinal que será disputada na noite de hoje em Concepción.

Mesmo não jogando em casa, toda a responsabilidade pela classificação recai sobre a equipe de Gerardo Martino. Não apenas pela expectativa de todo um país por um título que não conquista há 23 anos, mas também por contar com a presença do melhor jogador de futebol do planeta em seu plantel.



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