Carlinhos: um mestre com a bola e na montagem de times campeões



O Clube de Regatas do Flamengo e o futebol estão de luto. Nosso eterno “Violino”, o único técnico duas vezes campeão Brasileiro pelo Flamengo, faleceu. A Nação está triste e as manifestações nas redes sociais atestam a incrível empatia de Carlinhos com a torcida rubro-negra.

Carlinhos era simples, tímido, avesso à exposição pública, introspectivo, mas tinha uma personalidade extraordinariamente cativante. Seu sucesso como treinador não se deveu apenas ao fato de ter sido um poeta da bola, um meio campista de alta técnica, da mesma refinada linhagem de Zito, Edson Cegonha, Clodoaldo e Dudu.

Infelizmente, não tive a chance de vê-lo atuar ao lado de Gerson, Joel e Dida com a camisa rubro-negra. Mas estava entre as 13 733 pessoas presentes no Maracanã na memorável noite de 16 de junho de 1970, no amistoso em que o Flamengo venceu uma Seleção Carioca por 1 a 0 com um gol assinalado por Adãozinho, quando ele vestiu o Manto Sagrado número “5” pela última vez e entregou suas chuteiras para um menino franzino chamado Zico. Como esquecer um momento tão sublime da história das gerações de craques do meu Flamengo?

Carlinhos e Zico

Carlinhos agregou à  sua experiência de ex-jogador o conhecimento científico ao se formar em Educação Física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro na mesma turma que seu fraterno amigo, compadre e companheiro de meio campo do Flamengo, campeão de 1965, Nelsinho.

Sua trajetória como técnico foi a ideal. Ele deu início à sua carreira dirigindo as equipes de base do Flamengo. Foi ali que amadureceu seus conceitos, desenvolveu sua peculiar forma de liderar e aprofundou seu conhecimento, além de sua sensibilidade sobre o tipo de futebol que conduziria o Flamengo ao sucesso.

Carlinhos foi um Mestre dentro e fora do campo. Especialmente na arte de organizar times que alcançaram a mistura mágica tão ambicionada neste esporte: jogar um futebol bonito e conquistar títulos. Ele não era apenas intuitivo como muitos imaginam. E, isto, de certa forma, o incomodava, dada a sofisticação tática das equipes que conseguiu montar ao longo da vida.

Carlinhos "Violino", um poeta da bola (foto - site oficial do CRF)

Carlinhos “Violino”, um poeta da bola (foto – site oficial do CRF)

Foi assim na conquista do tetra campeonato Brasileiro em 1987 quando superou, dentre outros, o favorito Atlético Mineiro do mestre Telê Santana, combinando juventude, experiência e talento numa verdadeira Seleção: Zé Carlos, Jorginho, Leandro, Edinho e Leonardo; Ailton, Andrade, Zico e Zinho; Renato e Bebeto.

Cinco anos depois, em 1992, voltou a dar aula sobre como organizar uma equipe vencedora com o penta campeão Brasileiro: Gilmar, Charles, Júnior Baiano, Wilson Gottardo e Piá; Uidemar, Fabinho, Júnior, Nélio (Paulo Nunes) e Júlio Cesar Imperador; Gaúcho.

Como jogador profissional ele conquistou quatro títulos: o Torneio Início do Campeonato Carioca em 1959, o Torneio Rio-São Paulo em 1961, o único do Clube, e os Campeonatos Cariocas de 1963 e 1965.

Carlinhos ainda conquistou, como técnico, duas vezes a Taça Guanabara (1988 e 1999), 3 vezes o Campeonato Estadual (1991, 1999 e 2000) e 1 vez a Copa Mercosul (1999).

Carlinhos viveu o Flamengo e a Gávea como poucos. Muito mais até do que muitos sócios/dirigentes, que só frequentam o clube quando exercem alguma função.

O Flamengo perdeu um de seus mais brilhantes e vitoriosos profissionais de futebol. Foram 517 partidas como jogador e outras 313 como técnico. Um verdadeiro cidadão rubro-negro!

Júnior no dia da inauguração da Praça Carlinhos em 2011 (foto- site oficial do CRF)

Júnior no dia da inauguração da Praça Carlinhos em 2011 (foto- site oficial do CRF)

Carlinhos foi homenageado durante a Copa do Mundo de 2014 pela Real Federação Holandesa de Futebol, que teve o estádio da Gávea como centro de treinamento. A entidade fez questão de divulgar em todos os seus comunicados, inclusive em seu site oficial, que o centro de imprensa se localizava em frente à “Carlinhos Square” – Praça Carlinhos – onde sua estátua está instalada desde 2011.

As incontáveis noites que passamos juntos, com Tio Zé, Seu Neném, Brasil, Vinícius França, Isaías, Furti e meu capitão, técnico e maestro Léo Júnior no La Mamma só aprofundaram a admiração e a amizade pelo ser humano Carlinhos.

Estou consternado pois perdi um ídolo, um mestre e um querido amigo!

Muito obrigado, Luiz Carlos Nunes da Silva!

Atualizado às 07:06h no dia 23/06/2015, em especial as informações do jogo de despedida de Carlinhos no Maracanã.



  • Jalcyr Henrique

    Carlinhos (Violino), mostrou que poderia ser cabeça de área ou volante sem dar pontapé, desarmar sem precisar fazer falta, torcer pelo FLAMENGO por ter jogadores de seu caráter e qualidade técnica. Isso sim é FLAMENGO. Obrigado CARLINHOS.

  • moises bispo dos santos

    Carlinhos foi um volante moderno que chamava a bola de Vossa Excelência. Não dava de bico, deslizava com elegância e fineza pelo meio de campo. Sua visão dentro das quatro linhas era algo surreal. Tocava de primeira com maestria, desarmava com gentileza, dominava a bola com tanta calma que irritava os adversários. Carlinhos espelhou Pintinho, Falcão, Cerezo

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