Candidatura de Platini já é questionada dentro da UEFA



O desgaste de Michel Platini, suspenso por 90 dias pelo Comitê de Ética da FIFA, começa a comprometer sua base de apoio tendo em vista a candidatura para a eleição presidencial da FIFA marcada para 26 de fevereiro do ano que vem. O fato de que não há nenhum contrato assinado entre Platini e a FIFA relativo ao pagamento, em 2011, de 2 milhões de francos suíços  que levou à sua punição deverá ser motivo de reflexão por parte dos dirigentes da 54 federações vinculadas à UEFA no encontro da próxima quinta-feira em Nyon, na Suíça. A manutenção da candidatura de Platini certamente passará a ser questionada.

Michel Platini já é questionado na UEFA . (foto - Lance!Net)

Michel Platini já é questionado na UEFA . (foto – Lance!Net)

Ainda que Blatter e Platini insistam na versão de que havia um acordo verbal a cerca da prestação de serviço que teria sido realizada por Platini entre 1998 e 2002, a legislação suíça estabelece que a reclamação de uma dívida só tem validade no prazo de cinco anos a partir de quando foi contraída. Por isto a ação movida contra os dois classifica o pagamento, em 2011, como “desleal”.

Ao mesmo tempo, tudo indica que a reunião extraordinária do Comitê Executivo da FIFA marcada para o dia 20 de outubro discutirá a ideia de adiamento da eleição para presidente prevista para 26 de fevereiro de 2016 e a escolha de um candidato alternativo da entidade para o pleito em função dos problemas surgidos nos últimos dias e que colocam em questão a elegibilidade de Platini.

Dois importantes dirigentes europeus já se manifestaram criticamente em relação a Platini. O dinamarquês membro do Comitê Executivo da UEFA, Allan Hensen, declarou ao jornal Ekstra Bladet que “nós não podemos seguir apoiando Platini se não há um contrato por escrito que justifique o pagamento. Eu fiquei profundamente decepcionado quando esta história do pagamento surgiu. Muitas questões foram levantadas e ainda não foram efetivamente esclarecidas. Eu espero que isto aconteça na quinta-feira. Este pagamento requer a existência de um contrato e deve fazer parte da contabilidade da FIFA”.

Hansen é membro do CE da UEFA desde 2009 (foto: UEFA.com)

Hansen é membro do CE da UEFA desde 2009 (foto: UEFA.com)

O sueco ex-presidente da UEFA, de 1990 a 2007, Lennart Johansson, 85 anos, por sua vez, garantiu ao site Inside World Football que a FIFA não foi avisada no momento correto da existência deste pagamento: “eu era membro do Comitê Executivo naquele momento e Blatter deveria ter nos informado, mas não o fez. Eu nunca ouvi falar deste pagamento. Afinal, é um valor considerável, não é uma quantia desprezível. Só pela mídia é que eu ouvi falar de que Platini alega ter um contrato com a FIFA”.

Johansson, mesmo depois de substituído por Platini na presidência da UEFA, continuou frequentando as reuniões da entidade na condição de presidente honorário: “este pagamento deveria ter sido informado à UEFA. Platini jamais ser referiu a ele no Comitê Executivo. Eu teria feito isto. Eu, se fosse ele, teria dito ao Comitê: eu tenho um contrato com Blatter o qual pode ser criticado por vocês, mas é a verdade, eu recebi este dinheiro e vocês devem estar informados disto.”

Johansson cobra esclarecimento de Blatter (foto: FIFA.com)

Johansson cobra esclarecimento de Blatter (foto: FIFA.com)

Logo em seguida ao pagamento realizado em 2011, Platini decidiu não concorrer à presidência da FIFA e acabou votando na reeleição de Blatter.

O presidente da FA inglesa, Greg Dyke, mudou seus planos e decidiu não comparecer à reunião de quinta-feira em Nyon. A entidade será representada pelo diretor David Gill que é membro dos Comitês Executivos da UEFA e da FIFA. Os dirigentes ingleses estão profundamente contrariados já que haviam sido informados pela UEFA da existência de um contrato entre Platini e a FIFA. A FA está entre as entidades filiadas à UEFA que deverão retirar o apoio da candidatura de Platini à presidência da FIFA.

Os dirigentes europeus têm pressa em decidir sobre a manutenção da data da eleição para 26 de fevereiro já que os candidatos precisam ser oficializados até 26 de outubro próximo. É cada vez mais forte a tese de que Platini vem perdendo consistência política e que um nome alternativo precisa ser buscado urgentemente.

Neste cenário, os nomes do príncipe jordaniano Ali bin al-Hussein e de Zico podem ser a alternativa e ganhar possibilidades inimagináveis meses atrás.

As chances de surgimento de um candidato de fora do mundo do futebol, como sugerido pelo presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach, “com alto grau de credibilidade externa e que tenha condições de promover as reformas que resgatem estabilidade e sustentabilidade”, são mínimas. As regras eleitorais atuais da FIFA estabelecem que “todos os candidatos precisam ter exercido funções ativas no futebol em dois dos últimos cinco anos anteriores aos da candidatura”. Esta regra só poderia ser alterada num congresso da entidade, o que é inviável com o calendário eleitoral em curso.

 

Atualizado às 12:29h de 14/10/2015

 

 



  • Paulo

    Esse Platini tem todos os pré-requisitos para ser o capo da Fifa, pois até já foi suspenso por corrupção. Agora é só correr para o abraço. Esses europeus se julgam acima de qualquer outro cidadão mas são tão corruptos e semvergonhas quanto qualquer outro.

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