Candidato asiático sonha com dirigente da Premier League e Ferguson na FIFA



O Sheik Salman bin Ebrahin al-Khalifa do Bahrein, um dos mais fortes dos 5 candidatos para presidente da FIFA na eleição do próximo dia 26 de fevereiro, afirmou, em entrevista ao canal de TV inglesa Sky Sports, que gostaria de contar com Richard Scudamore – CEO da Premier League – e Sir Alex Ferguson em cargos importantes da entidade. Ele se revelou torcedor do Manchester United há mais de 30 anos e torce para que o país da Premier League hospede uma Copa do Mundo no futuro próximo.

O dirigente conta com o apoio declarado da maioria das 46 entidades asiáticas e vasta adesão também das africanas.

A entrevista revela um dirigente conciliador com a história recente da FIFA mas preocupado em se exibir sensível às mudanças inevitáveis no padrão de gestão a que a entidade deve se submeter. Ele não descarta uma aliança com Gianni Infantino, o candidato apoiado pela UEFA.

Sheik Salman preside a Federação Asiática de Futebol (the-afc.com)

Sheik Salman preside a Federação Asiática de Futebol (the-afc.com)

Sheik Salman elogia a maneira como a Premier League e a Bundesliga são administradas: “Temos visto o sucesso da Premier League e da Bundesliga. A receita da liga inglesa é maior do que a da FIFA! Eu gosto da maneira como ela está estruturada. As pessoas lá estão fazendo um esplêndido trabalho, e isto é o que eu quero trazer para a FIFA”.

Segundo ele, Richardo Scudamore é um amigo: “eu confio nele. Ele está fazendo um grande trabalho e nós temos que escolher pessoas que estejam prontas para assumir responsabilidade. Eu não quero especular sobre nomes, inclusive por que é uma decisão do próprio Comitê Executivo. Precisamos consultar outros dirigentes da FIFA. Se Richard topar, será uma honra para nós, mas há outras pessoas também preparadas. Mas, com certeza, ele será sempre meu conselheiro”.

Sheik Salman não esconde que pretende contar com a colaboração dos europeus, admitindo inclusive uma aliança com o candidato da UEFA, Gianni Infantino: “minhas relações com a Europa são próximas. Se eles querem sentar para encontrarmos uma solução por que não o faria? Não podemos dizer não para nada. Eu vou apoiar o que for bom para a entidade. Eu tenho trabalhado com Gianni Infantino nos últimos anos. Até agora não temos um acordo mas vamos ver o que acontece nos próximos dias”.

Scudmore dirige a Premier League desde junho de 2014 (foto - premierleague.com)

Scudmore dirige a Premier League desde junho de 2014 (foto – premierleague.com)

 

Sir Alex Ferguson também terá um papel numa eventual gestão presidida pelo Sheik Salman: “Sir Alex tem dado imensa contribuição na UEFA. Personalidades como ele, que tem contribuído tanto para o esporte, tem que estar sempre por perto. Quero ter seus conselhos. Teremos uma política de portas abertas. Tanto Richard quanto Sir Alex tem experiência e conhecimento. São personalidades. Todos respeitam o que dizem”.

É visível a preocupação do candidato asiático em valorizar a importância da Inglaterra no futuro do futebol internacional, provavelmente por identificar o desgaste irrecuperável da imagem da última gestão da FIFA junto aos torcedores, dirigentes e jornalistas daquele país: “a Inglaterra está sempre no meu coração por várias razões. Eu companho de perto a Premier League desde que me apaixonei pelo futebol. Temos que reconquistar a confiança (da FIFA) junto ao país. A Inglaterra faz parte da história deste esporte e tem enorme contribuição no seu desenvolvimento”.

 Sir Alex Ferguson, campeoníssimo da Premier League ( foto - site oficial do MUFC)

Sir Alex Ferguson, campeoníssimo da Premier League ( foto – site oficial do MUFC)

O Sheik Salman pretende aprofundar seu compromisso com o futebol inglês: “quando você me pergunta sobre a possibilidade da Inglaterra sediar uma Copa do Mundo, evidentemente, a resposta é essencialmente positiva. Está tudo pronto: estádios, estrutura, organização. Está lá a principal liga do mundo. Mas a decisão será do Congresso da entidade e não apenas do Comitê Executivo. Chegou a hora de reconquistar a confiança mútua. Se eu puder cumprir um papel positivo nesta direção, eu o farei. Eu desejo que a Inglaterra tenha esta chance”.

Quanto às críticas contundentes oriundas de entidades internacionais de defesa dos direitos humanos dirigidas à realidade política e social em seu país e sua participação em ações violentas contra oposicionistas, o Sheik Salman argumentou que “são alegações com motivação política e que não tem nada a ver com o futebol. Não há qualquer evidência que sustente estas acusações. Há quem me use como alvo, infelizmente, por uma causa. Penso que devemos manter o futebol como ele é. Se há visões políticas críticas ao governo do Bahrein há duas diferentes entidades que podem tratar delas. Eu fui eleito em 2013 e 2015 e minha reputação é testada. Sempre que há uma eleição esta história ressurge, mas logo depois desaparece como aconteceu no passado”.

Gianni Infantino é o candidato da UEFA para a FIFA (foto- UEFA.com)

Gianni Infantino é o candidato da UEFA para a FIFA (foto- UEFA.com)

Sobre as denúncias da prisão e tortura de jogadores de futebol em seu país o Sheik Salman afirma que “eu nego com a autoridade de minha vinculação com o futebol. Eu não estou garantindo 100%, mas 1 milhão por cento. Jamais tomei qualquer decisão com relação a um jogador de futebol ou atleta de qualquer outro esporte. As pessoas divagam mas nunca levam em conta a lei esportiva no Bahrein. Há um artigo que estabelece claramente que ninguém deve ter envolvimento em questões políticas ou religiosas quando envolvidas com o esporte. São regras muito claras que seguimos”.

Os outros candidatos à presidência da FIFA na eleição do dia 26 de fevereiro foram confirmados oficialmente nesta quarta-feira, pelo secretário-geral interino da entidade, Markus Kattner: o príncipe Ali Bin Hussein Ai, da Jordândia; o francês Jerome Champagne; o suíço-italiano Gianni Infantino; e Tokyo Sexwale, da África do Sul.

 



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