Brasil tem resultado importante contra a Argentina numa noite trágica para a humanidade.



O empate de 1 a 1 do Brasil com a Argentina, na noite desta sexta-feira, em Buenos Aires, foi um bom resultado numa noite triste para o esporte, para Paris, para a França, para a democracia e para a humanidade. Torcedores que acompanhavam o amistoso entre França e Alemanha ao redor do Stade de France estão entre as mais de 120 vítimas fatais de abomináveis ataques terroristas que assolaram a capital francesa, uma das cidades mais importantes da civilização ocidental, a apenas 8 meses do país sediar a Eurocopa 2016.

 

Paris atentado

 

Era uma partida cruel para o técnico Dunga. Qualquer resultado, num dos confrontos mais equilibrados do futebol internacional, dava margem de ação ampla para seus críticos mais raivosos. A Argentina não contou com o melhor jogador de futebol da atualidade, Lionel Messi, nem com outros jogadores importantes como Agüero, Zabaletta, Tevez e Pastore. Dunga fez uma aposta arriscada deixando Douglas Costa no banco, optando por Lucas Lima no meio e Ricardo Oliveira no ataque. E deve tirado novas lições tendo em vista a montagem de uma equipe mais definitiva, além de ter poder curtir a sensação de se manter invicto contra a Argentina como técnico da seleção principal.

Em síntese, a Seleção Brasileira esteve vulnerável no primeiro tempo, mas reagiu na segunda etapa de tal modo que até poderia ter vencido a partida. Os problemas brasileiros combinaram atuações individuais insatisfatórias, uma estratégia inicial de Dunga que se mostrou inadequada e um desentrosamento evidente entre as suas várias linhas, notadamente até o gol argentino. Os argentinos lamentam o péssimo resultado, alegando que criaram mais chances de gol.

Dunga deixou Douglas Costa para o segundo tempo (foto - André Mourão)

Dunga deixou Douglas Costa para o segundo tempo (foto – André Mourão)

O time argentino pressionou desde o início da partida – em que Neymar foi figura discreta, salvo no gol brasileiro – mas não conseguiu criar muitas chances. O gol só nasceu aos 31 minutos, de uma jogada em alta velocidade com um lançamento vertical preciso de Di Maria – que atuou com a camisa 10 de Messi – para Higuaín que se infiltrou pelo lado esquerdo da defesa brasileira, num espaço entre David Luiz e Filipe Luiz. O zagueiro brasileiro não acertou o tempo exato da cobertura e permitiu o cruzamento de Higuaín para a conclusão de Lavezzi quase dentro da pequena área do goleiro Alisson.

A reação brasileira nasceu tímida ainda no primeiro tempo. Na volta do intervalo, inferiorizada no placar, a equipe de Dunga tomou a iniciativa, pressionou o time adversário e passou a ocupar o entorno da grande área argentina. Aos 11 minutos, Dunga mexeu no tabuleiro do jogo e substituiu Ricardo Oliveira por Douglas Costa. O efeito foi imediato. O time brasileiro ganhou movimentação e criatividade.

Aos 13  minutos, finalmente, Neymar brilhou, fazendo uma inversão perfeita de bola da meia esquerda para o lado direito do ataque brasileiro. Dani Alves recebeu a bola no bico da grande área e imediatamente a cruzou para a cabeçada de Douglas Costa no travessão. No rebote, Lucas Lima aproveitou e empatou a partida.

Lucas Lima marcou em jogada que começou com Neymar ( foto - André Mourão MoWA Press)

Lucas Lima marcou em jogada que começou com Neymar ( foto – André Mourão MoWA Press)

O jogo seguiu equilibrado até o fim. Ambos os times poderiam ter alterado o marcador. William e Lucas Lima passaram a atuar com mais desenvoltura. Neymar se mostrou mais participativo sem, no entanto, jamais reproduzir suas atuações mais recentes do Barcelona. Douglas Costa provou que tem direito a lugar certo no time brasileiro. Alisson não comprometeu e deve ter dado um passo na direção da titularidade do gol brasileiro.

O lado esquerdo da defesa merece a reflexão do técnico Dunga. A Argentina foi sempre perigosa ao explorar o espaço entre David Luiz e Filipe Luiz. Tata Martino deve concordar com José Mourinho que não admira David Luiz como defensor.

O dado melancólico da performance brasileira foi a expulsão inadmissível para um jogador com a experiência de David Luiz. O lance nasceu de um erro na condução da bola do zagueiro brasileiro que, em seguida, entrou grosseiramente numa dividida com o volante Biglia, apenas 1 minuto após ter levado um cartão amarelo e acabou expulso pelo árbitro.

O resultado coloca o Brasil na 4ª colocação das eliminatórias, a 5 pontos do surpreendente líder Equador e a 2 do Uruguai, terceiro colocado. Já a Argentina segue sem vencer na 9ª posição, com meros 2 pontos conquistados em 9 disputados.

A Seleção Brasileira jogará na próxima terça-feira em Salvador contra o Peru (7º colocado). A Argentina vai à Barranquilha enfrentar a Colômbia (6ª colocada).

 

 

 

 

 

 

 

 



  • Jorge Guerreiro

    Terror em Paris e horror na Argentina. Seleção da CBF escapa de vexame, empata com Argentina desfalcada e avalia como bom resultado.

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