Brasil foi soberano por 70 minutos contra a Venezuela. E venceu, sem Neymar



A Seleção Brasileira deu início a sua fase sem Neymar vencendo, com méritos, a Venezuela por 2 a 1, se classificando em primeiro lugar do Grupo C da Copa América para enfrentar, no próximo sábado, o invicto Paraguai.

Como escreveu o insuspeito diário espanhol Marca “o time de Dunga foi muito superior à seleção vinho tinto com 45 minutos de alto nível. Há vida sem Neymar”.

De fato, o primeiro tempo da equipe brasileira foi impecável, jogando de maneira organizada e com o espírito de quem estava com o orgulho ferido, chegando a ter 70% de posse de bola.

Robinho voltou em alto nível à Seleção (foto - Cleber Mendes - Lance!Press)

Robinho voltou em alto nível à Seleção e foi decisivo na vitória brasileira  (foto – Cleber Mendes – Lance!Press)

Os gols brasileiros nasceram de situações totalmente diferentes: o primeiro, aos 8 minutos do PT, de Thiago Silva de um escanteio cobrado por Robinho; o segundo, aos 6 minutos do ST, brotou de uma brilhante assistência de William em jogada lateral em alta velocidade concluída com precisão e categoria por Firmino.

Foram 70 minutos de absoluto domínio brasileiro imposto, sobretudo, pelos desempenhos sóbrios e infalíveis de Miranda e T. Silva e pelo controle integral das ações no meio campo. Fernandinho, Elias, William, P. Coutinho, Robinho e Firmino realizaram um jogo de intenso revezamento, apesar de jamais terem atuado juntos numa partida. Era um time compacto, consistente, solidário e que, ao contrário de outros jogos recentes, não dependeu tanto dos contra ataques para chegar ao gol adversário.

Este quadro começou a se alterar pouco depois dos 21 minutos do ST , quando David Luiz entrou no lugar de Firmino e Tardelli no de P. Coutinho e se agravou com a substituição, aos 30 minutos do ST, de Robinho por Marquinhos.

Dunga mexeu demais no posicionamento e na vocação originais dos jogadores. David Luiz e Marquinhos foram improvisados de volante e lateral direito quando Casemiro e Fabinho estavam à disposição e mereciam ser encarados como as primeiras escolhas alternativas para estas funções.

Dani Alves jogou com a intensidade de sempre (foto - Cleber Mendes- Lance!Press)

Dani Alves jogou com a intensidade de sempre contra a Venezuela (foto – Cleber Mendes- Lance!Press)

A ideia de transformar Dani Alves num meia pela direita fazia sentido, mas implicou numa mexida adicional, dispensável àquela altura, numa estrutura que funcionara magnificamente até então.

O jogo ficou mais equilibrado, pois a Venezuela se aproveitou do realinhamento tático brasileiro e elevou o volume de jogo ofensivo. O gol de Miku, aos 38 minutos do ST, incendiou o time adversário. A classificação brasileira jamais esteve ameaçada, mas a vitória correu um certo risco nos últimos minutos da partida.

A Seleção Brasileira – definitivamente sem Neymar na Copa América – provou que pode ir longe na competição. Ela evidentemente jogará de maneira diferente sem o craque extraordinário do Barcelona, como demonstrou ontem, mas continua com condições de conquistar o título.

P. Coutinho tem tudo para crescer na Seleção (foto - Cleber Mendes - Lance!Press)

P. Coutinho tem tudo para crescer na Seleção (foto – Cleber Mendes – Lance!Press)

Chega a ser cômico o malabarismo retórico dos que veneram T. Silva no PSG, P. Coutinho no Liverpool e William no Chelsea e que, ao mesmo tempo, reafirmam a fragilidade técnica do time brasileiro. A Seleção Brasileira é a única entre as favoritas nesta Copa América que vive um momento de profunda reconstrução. Argentina, Chile, Colômbia e Uruguai jogam praticamente com os mesmos jogadores e sistemas táticos empregados na última Copa do Mundo.

Dunga foi extremamente lúcido ao planejar o time brasileiro para a partida contra a Venezuela. Foi coerente na escalação inicial e provou saber explorar as características do elenco que tem à disposição para montar uma equipe competitiva. Se o Brasil mantiver o nível de seu jogo naquele que apresentou nos primeiros 70 minutos de ontem, e não improvisar demais nas mudanças, irá longe na Copa América.



  • Que vitória sensacional !? O futebol coletivo ditou uma estratégia maravilhosa nos tempos atuais para a nossa Seleção! Dunga está se revelando como um dos melhores “professores” do futebol brasileiro dos tempos atuais….quem diria?

  • Renê Simões, no meu Botafogo, está buscando alcançar a meta de 1.000 passes em 90 minutos para efetividade do “futebol coletivo”.. Aliás, representa um santo remédio para o combate da insônia que estou a braços dia a dia !

  • Charles

    Fora Neymar da seleção.
    Téncnicos nao conseguem dar padrão de jogo, par aaque neimar brilhe sozinho.

    Já se foram Mano, Felipão e agora tava indo Dunga de novo!

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