Bombas croatas na EURO tinham motivação política



Atualizado às 03:28 de 19/06/2016

 

As bombas e morteiros croatas disparados na direção do gramado do estádio Geoffroy Guichard, em Saint-Étienne, durante a partida entre Croácia e República Tcheca, tinham motivação política. É esta a explicação do jornalista Aleksandar Holida, em artigo publicado, neste sábado, pelo site noticioso croata Telegram.

Segundo o jornalista os alvos políticos do lamentável episódio são os dirigentes da Federação Croata de Futebol, notadamente o vice-presidente Zdravko Mamic,  que para muita gente adota práticas corruptas na gestão da entidade e do Dínamo de Zagreb, de onde foi afastado recentemente por decisão judicial, e o diretor executivo da da Federação, Damir Vrbanovic. Ambos estavam na área VIP do estádio durante a partida.

As bombas foram lançadas para provocar a punição da Croácia (foto - PHILIPPE DESMAZES/AFP)

As bombas foram lançadas para provocar a punição da Croácia (foto – PHILIPPE DESMAZES/AFP)

A intenção do lançamento dos petardos pelos hooligangs croatas era exatamente a de provocar a punição da própria seleção croata por parte da UEFA. O ódio destes “torcedores” em relação aos dirigentes é tamanho que eles fecham os olhos para as consequências da violência que utilizam para os demais torcedores, jogadores e profissionais da seleção.

Segundo Holida, ao contrário, esta parte dos hooligangs pretende exatamente sabotar a própria seleção para que os insucessos esportivos provoquem as mudanças desejadas no comando da federação croata. Não por acaso, logo depois das bombas lançadas, os torcedores que discordam destas atitudes e torcem pelo sucesso esportivo da seleção entraram em confronto com os sabotadores.

Poucos duvidam que as mesmas pessoas estavam por trás da pintura de uma suástica no gramado do Estádio Polijud, em junho de 2015, quando Croácia e Itália jogaram pelas eliminatórias desta Euro 2016 com portões fechados exatamente como punição ao mau comportamento da torcida croata num evento anterior.

Na verdade atos deste tipo por parte da torcida croata já eram esperados há muito tempo pela imprensa local. Os próprios dirigentes croatas admitiram neste sábado que informaram a UEFA de que hooligangs croatas pretendiam agir no interior do estádio em Saint-Étienne e até que pretendiam paralisar a partida por volta dos 40 minutos do segundo tempo. Novos atos sabotadores e de violência estão sendo esperados para a partida contra a Espanha na próxima terça-feira em Bordeaux.

Em entrevista ao site Telegram o ministro do interior da Croácia, Vlaho Orepic, revelou que informou aos responsáveis pela segurança da EURO os nomes de 35 torcedores perigosos que não deveriam ter acesso aos estádios: 5 pessoas de Vukovar, 5 de Istria, 5 de Zagreb, 13 de Split e 3 de Osijek. Segundo Orepic, o governo agirá quando eles retornarem ao país. O primeiro ministro croata já convocou uma reunião ministerial para a segunda-feira onde deverão ser tomadas novas providências para enfrentar o problema.

Ivan Perisic: "talvez seja melhor não jogarmos" (foto - Philippe Desmazes / AFP)

Ivan Perisic: “talvez seja melhor não jogarmos mais” (foto – Philippe Desmazes / AFP)

Para Holida a questão posta há muito tempo não é se um dia a Croácia acabará sendo punida, mas quando esta punição acontecerá. Por isto o jornalista entende que o futebol croata deve se reconstruir, que viva uma catarse e que os torcedores e atletas reconquistem o futebol de volta. Segundo ele, a seleção de futebol é um dos poucos símbolos legítimos de unidade nacional de seu país.

A UEFA, portanto, não se encontra numa situação confortável para decidir na próxima segunda-feira na reunião da Comissão de Ética e Disciplina sobre os acontecimentos de Saint-Étienne pois, dependendo do tipo de punição que adotar contra a seleção croata, ela poderá fazer exatamente o jogo proposto pelos hooligangs daquele país e premiar a verdadeira sabotagem que realizaram. O problema é que além dos sinalizadores os torcedores croatas entoaram gritos e músicas racistas e exibiram bandeiras e faixas com símbolos e dizeres nazistas durante todo o tempo em que estiveram no estádio. Portanto, dificilmente a seleção croata escapará de uma punição mais grave do que as aplicadas sobre as seleções russa e a inglesa.

A UEFA admite que levará em conta o relatório produzido pelos observadores da FARE – Football Against Racism (Futebol Contra o Racismo), um movimento fundado em 1999 que é apoiado pela própria UEFA, pela FIFA e pela União Europeia.

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O desabafo resignado de Ivan Perisic, autor do primeiro gol contra a República Tcheca, resumiu o estado de espírito dos jogadores croatas diante da atitude dos hoolingangs de seu país: “talvez seja melhor que nós não joguemos mais. Pode ser que seja melhor se coisas deste tipo forem acontecer toda vez que nós jogarmos”.



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