Blatter, desgastado mas favorito, disputa com príncipe jordaniano apoiado pela oposição



Apesar de todos os cinematográficos acontecimentos ocorridos nos últimos dias envolvendo membros do colégio eleitoral da FIFA e da ameaça de boicote da UEFA, afinal, teremos nesta sexta feira em Zurique, como último item da pauta do 69º Congresso da entidade, a eleição de quem presidirá a FIFA pelos próximos quatro anos. No evento também será apresentado o Relatório Financeiro anual da entidade, através do qual, Blatter tentará mostrar uma face saudável e poderosa de seu mandato.

O pleito não contará com a presença do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, que deixou Zurique ontem, sem explicar publicamente os motivos de sua decisão. O presidente da Federação Cearense, Mauro Carmélio, que exercerá o direito de voto da CBF na eleição da Fifa, nesta sexta-feira, revelou ao repórter Igo Siqueira do LANCE! o motivo dado por Marco Polo Del Nero para abandonar Zurique e voar de volta ao Brasil: “esse caso do Marin pegou todos de surpresa e ele preferiu comandar do Brasil os problemas que surgiram”.

Carmélio está em Zurique acompanhado do presidente da Federação Goiana, André Pitta.

O presidente Blatter na abertura do Congresso (foto - site oficial da FIFA)

O presidente Blatter na abertura do Congresso (foto – site oficial da FIFA)

O príncipe jordaniano Ali bin al-Hussein, de 39 anos, chega ao final da campanha como o único candidato em oposição ao presidente Joseph Blatter, de 79 anos, no poder há 17 anos, disposto a chegar a 21 caso seja escolhido para seu quinto mandato consecutivo. Os dois outros candidatos que lançaram seus nomes oficialmente ao pleito – o presidente da federação holandesa Michael van Praag e o ex-jogador português Luís Figo – desistiram nos últimos dias para apoiar o príncipe Ali.

Blatter chega como favoritíssimo ao pleito apesar de todas denúncias de corrupção que tem permeado sua gestão. Mas ainda que obtenha a vitória no pleito de hoje ele precisará conviver com a existência de uma nova liderança no cenário político representada pelo príncipe Ali. A vitória situacionista deverá ser garantida pelo voto maciço dos delegados da África (54), Ásia (46), Oceania (11), América do Sul (10) e Caribe (35).

Joseph Blatter está na presidência da FIFA há 17 anos (foto - site oficial da FIFA)

Joseph Blatter está na presidência da FIFA há 17 anos (foto – site oficial da FIFA)

O candidato único oposicionista tem como principal mentor e cabo eleitoral o presidente da UEFA Michel Platini, que deve garantir a ele, pelo menos, 45 dos 53 votos dos delegados europeus. Com certeza, a França, a Espanha e a Rússia votarão em Blatter. Entre os representantes dos outros continentes, alguns dissidentes surgiram nos últimos dias em apoio ao príncipe jordaniano. Nova Zelândia, Estados Unidos e Canadá estão entre eles.

QUEM É O PRÍNCIPE ALI bin al-HUSSEIN

O príncipe Ali é o mais jovem membro do Comitê Executivo da FIFA, para o qual foi eleito no congresso da entidade em junho de 2011 e do Comitê Executivo da Confederação Asiática de Futebol (AFC). Ele é filho do rei Hussein e da rainha Alia da Jordânia e desenvolveu seus estudos na Inglaterra e nos Estados Unidos.

O príncipe Ali é casado com a princesa Rym Ali, com que tem uma filha de 10 anos, a princesa Jalila, e um filho de 8 anos, o príncipe Abdulla.

O príncipe Ali é o candidato único de oposição (foto - site oficial do príncipe)

O príncipe Ali, membro do CE da FIFA,  é o candidato único de oposição (foto – site oficial do príncipe)

Em 1999, aos 24 anos, o príncipe Ali foi eleito presidente da Federação Jordaniana de Futebol. Além de ter investido fortemente nas seleções de base de seu país, seu mandato se caracterizou pelo fortalecimento do futebol feminino, fato raro num país asiático. Desde 2000 ele é presidente da Federação de Futebol do Oeste da Ásia. Em 2012, ele lançou o Projeto de Desenvolvimento do Futebol na Ásia “com o objetivo de desenvolver o esporte naquele continente com foco nos jovens, no fortalecimento do futebol feminino e na divulgação de conceitos como a responsabilidade social e ética no esporte”.

Na FIFA, o príncipe Ali exerce o cargo presidente do Comitê de Responsabilidade Social e Fair Play. Na AFC ele é o vice-presidente do Comitê de Desenvolvimento.

A candidatura do príncipe jordaniano foi estimulada desde o início pelo presidente da UEFA Michel Platini. Pode -se dizer que ele foi sempre o candidato do coração do dirigente francês apesar do surgimento de outros dois pretendentes europeus: o holandês Michael Van Praag e do português Luís Figo.

Michel Platini foi o principal articulador da candidatura única da oposição (foto - site oficial da UEFA)

Michel Platini foi o principal articulador da candidatura única da oposição (foto – site oficial da UEFA)

Platini cumpriu a função de costurar os movimentos dos três candidatos de modo a ser possível – como acabou sendo – uma unificação de todos em torno de uma candidatura oposicionista única.

Na hipótese improvável de sair vitorioso do pleito desta sexta-feira o príncipe Ali se transformaria no presidente mais jovem na história da FIFA, no primeiro asiático e no segundo não europeu a exercer a presidência do esporte mais importante do mundo, curiosamente numa articulação política apoiada maciçamente pelos dirigentes europeus.

Ao lançar oficialmente sua candidatura, em janeiro, o príncipe Ali declarou que “estou me lançando à presidência da FIFA  por que eu acredito que é hora de mudar o foco das controvérsias administrativas de volta para o esporte. Não foi uma decisão fácil. É o resultado de uma cuidadosa reflexão e muitas discussões com respeitáveis amigos da FIFA nos últimos meses. A mensagem que tenho ouvido sempre é de que é hora de mudar. O esporte mais importante do mundo merece um organismo de nível internacional que o governe – uma Federação Internacional que seja uma entidade eficiente e um modelo de ética, transparência e boa governança”.

O discurso do príncipe revelou uma sensibilidade aguçada ao se referir a aspectos dos últimos anos de gestão do presidente Blatter  que viriam a ser revelados mais recentemente e que ampliou o círculo de forças, interesses e personalidades do mundo do futebol que entendem ter chegado a hora de mudar a maneira com que a FIFA vem sendo administrada.

Se este novo cenário será capaz de produzir uma surpresa com a vitória da oposição só saberemos ao longo desta sexta-feira em Zurique.

 

Atualizado às 9:09 de 29/05/2015



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