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Até que ponto a Roma épica que eliminou o Barça simboliza um novo futebol italiano?



A atordoante, justa e mítica vitória da Roma sobre o Barcelona na Champions League merece ser lembrada para todo o sempre por quem ama este esporte.

O contraste entre os clubes era absoluto. O Barcelona aspirava a tríplice coroa na temporada. É o líder da La Liga e está na final da Copa do Rei. Tinha a melhor defesa da competição. Contava com um ser extraterrestre, Lionel Messi, e um orçamento  de € 648 milhões, o terceiro maior da Europa. A Roma é o quarto colocado da Série A a 21 pontos da líder Juventus e tem um orçamento de € 171 milhões, apenas o 24º do continente e quatro vezes inferior ao do gigante espanhol que conseguiu derrotar ontem.

Mas o futebol é surpreendente e traiçoeiro, especialmente nas competições em formato de Copa onde uma jornada infeliz como a do Barça ontem ou perfeita como foi a da Roma são capazes de produzir um resultado tão categórico quanto irreversível.

De qualquer forma é preciso decifrar com critério e equilíbrio o que aconteceu nesta terça-feira no estádio Olímpico.

Claro, o triunfo da equipe da capital italiana empolgou não apenas os seus torcedores, mas quase todos os amantes do futebol do país, ainda amargurados e humilhados pela exclusão da próxima Copa do Mundo. E com razão.

No entanto, não é sensato entender a épica classificação da Roma sobre um dos favoritos ao título europeu como algo mais representativo de qualquer recuperação do futebol italiano, entendido como a atual geração dos jogadores elegíveis para integrar a seleção italiana.

Primeiro, por que a atuação da equipe de Eusebio Di Francesco – mentor e arquiteto principal da obra prima de ontem – não tem nada a ver com o futebol praticado pela média dos clubes da Série A, excluindo claro a Juve e o Napoli do início da temporada. A Roma pressionou o campo inteiro do primeiro ao último minuto, jamais deixou de dominar a partida, buscando o resultado de maneira obstinada, mas organizada. Mesmo com Messi do outro lado, e com um meio campo formado por 3 volantes, a equipe italiana foi agressiva, ambiciosa e determinada a buscar o resultado. Dzeko foi herói e protagonista.

Por outro lado, vale observar também a composição da equipe na jornada de ontem. Di Francesco escalou 13 jogadores. Eram 3 italianos, 2 brasileiros, 1 grego, 1 argentino, 1 sérvio, 1 holandês, 1 belga., 1 bósnio, 1 tcheco e 1 turco. A presença relativa de jogadores selecionáveis é pequena demais para inspirar uma conclusão mais animadora tendo em vista um novo ciclo que poderia estar sendo inaugurado no futebol italiano.

A mentalidade do técnico Di Francesco, sim, merece e deve ser saudada como algo promissor na maneira de um time jogar o calcio.

A vitória de ontem resgatou uma história linda da Roma de Liedholm, Falcão, Cerezzo, Bruno Conti, Ancelotti, Capello, Aldair, Cafu, Giannini, Voeller, Batistuta e do mítico Francesco Totti. Mas precisa ser vista no contexto exato em que ela foi construída.

A Roma fez bem a um povo que ama o futebol. Temos que estar felizes por isto.

 



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Autor

Luiz Augusto Veloso

É jornalista com vasta experiência na cobertura de eventos como Copas do Mundo, Olimpíadas, Champions League e Copa Libertadores. Foi diretor de redação do Jornal dos Sports de 1986 a 1999 e já atuou como consultor de clubes, órgãos de direção e entidades privadas na área esportiva. Foi consultor especial da federação holandesa para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil e também atuou como comentarista dos canais Esporte Interativo.

planetafut@gmail.com

@gaveloso