As Ligas Europeias criticam duramente a FIFA por tentar criar novas competições



Atualizado às 14:48h de 03/05/2018

 

O comitê de diretores das ligas nacionais dos países europeus decidiram criticar os planos do presidente da FIFA Gianni Infantino de criar novas competições tais como uma renovada Copa do Mundo de Clubes da FIFA (com 24 participantes, sendo 12 europeus) e uma nova Liga das Nações da FIFA, projetadas para gerar algo como US$ 25 bilhões. A posição foi discutida no conselho das Ligas Europeias¹, a ex-EPFL (Ligas Europeias de Futebol Profissional), realizado nesta quinta-feira na cidade de São Petersburgo na Rússia.

Segundo o sueco Lars-Christer Olsson, presidente das Ligas Europeias, “este processo de tomada de decisão faz-me pensar que ele voltou a se comportar como a “velha FIFA”, com um tipo de gestão que imaginávamos ter deixado para trás”.

Para Olsson “houve uma clara falta de consulta e transparência, mas também uma manipulação intencional da estrutura decisória da FIFA na apresentação dessas propostas. Apresentar um plano de longo prazo de 12 anos com muitas incertezas e falta de informação parece-me uma situação particularmente complexa para se lidar “.

O fato é que as diversas ligas europeias não se sente prontas para fazer mudanças e admitir concessões em relação ao calendário de suas competições nacionais, que já está muito saturado. Além disso, as ligas estão preocupadas com a distribuição potencial de recursos financeiros adicionais para um pequeno grupo de grandes clubes que poderiam aprofundar ainda mais o fosso financeiro e desportivo entre os clubes na Europa e destruir o equilíbrio competitivo nas competições domésticas.

A nota prossegue e anuncia que diante da situação “as Ligas Europeias decidiram convidar todos os setores do futebol europeu, em particular a UEFA, a ECA (Associação Europeia de Clubes) e a FIFPro (Federação Internacional de Jogadores de Futebol Profissional), para unir forças e tomar uma posição firme na próxima reunião do Conselho Estratégico de Futebol Profissional da UEFA², em 16 de maio, para se opor firmemente e, em conjunto, para se contrapor a esta iniciativa unilateral da FIFA e ao processo de tomada de decisão em si, no qual faltam transparência e consulta adequada com as partes envolvidas”.

A controvérsia entre os representantes do futebol europeu e os dirigentes da FIFA deve surpreender muita gente que idealiza o futebol europeu e o imagina como o eldorado do futebol internacional. Na verdade a profissionalização, a globalização, o aprofundamento do caráter empresarial do futebol e a compatibilização cada vez mais delicada entre os interesses dos clubes de futebol em contraposição com os das seleções nacionais são elementos novos que sacodem o velho status quo em que o poder da FIFA se assenta desde que ela foi criada.

 

 

¹ As Ligas Europeias – a Associação das Ligas Europeias de Futebol Profissional – é a voz das Ligas de Futebol Profissional em toda a Europa em todos os assuntos de interesse comum. As ligas europeias representam a grande maioria dos empregadores do futebol de clubes no diálogo social europeu para o sector do futebol profissional.

A European Leagues, que é uma associação de direito suíço fundada em 2005 e sediada em Nyon, na Suíça, tem suas origens na fundação, em 1997, da EUPPFL (Associação das Ligas Profissionais Premier de Futebol da União Européia).

Originalmente fundada por 14 membros: Áustria, Bélgica, Dinamarca, Inglaterra, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Itália, Holanda, Portugal, Escócia, Espanha e Suécia. As ligas europeias contam agora com 32 ligas de futebol profissional e associações de clubes de 25 países, representando mais de 900 clubes de toda a Europa.

 

²O Conselho Estratégico do Futebol Profissional (PFSC) reúne os principais intervenientes no futebol europeu, ou seja, a UEFA, clubes, ligas profissionais e jogadores, para trabalharem em conjunto para encontrar soluções comuns para as principais questões que afetam o futebol. O diálogo no PFSC é regido pelos princípios da democracia e da confiança mútua. As discussões são conduzidas com a garantia de total transparência em relação às federações membros da UEFA.



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