As frustrantes estreias de Alemanha e Brasil



Atualizado às 12:02 de 18/06/2018

 

A coisa mais fácil no futebol é analisar uma partida a partir do resultado. Basta ajustar as observações de modo a explicar aquilo que nem sempre correspondeu ao que transcorreu durante o jogo.

Alemanha e Brasil estrearam na Copa da Rússia com resultados que não esperavam. Os atuais campeões do mundo foram derrotados pelo México por 2 a 1. A seleção brasileira não passou de um empate por 1 a 1 com a Suíça. As duas partidas, entretanto, tiveram enredos bastante distintos.

A Alemanha até poderia ter empatado. Teve volume de jogo – 60% de posse de bola – e oportunidades reais de gol capazes de levá-la a igualar o marcador. Como o México venceu e também criou outras oportunidades de gol é fácil concluir que a vitória poderia ser mais larga. Pronto. Está feita a análise a partir do resultado. É verdade que a seleção mexicana produziu situações de gol que poderiam ter sido concretizadas. Foram 12. Mas, e a Alemanha? Também ameaçou o gol adversário em número expressivo com 25 tiros. O empate não teria sido injusto. A vitória alemã, sim.

Philippe Coutinho marcou seu primeiro gol em Copas do Mundo (foto – Joe Klamar/AFP)

Já na partida do Brasil, o balanço foi muito mais desequilibrado. Em termos de posse de bola, a supremacia brasileira, com 52%, não foi acentuada quanto a alemã. Mas a produtividade ofensiva brasileira foi muito superior à da Suíça. O Brasil desferiu 18 arremates ao gol, contra apenas 6 da equipe suíça. O gol brasileiro esteve muito menos em risco do que o alemão na tarde de ontem.

O empate brasileiro expôs algumas questões pontuais que o técnico Tite deve enfrentar, mas isto não quer dizer que o plano tático geral que ele concebeu para este Mundial precise ser revisto. O Brasil enfrentou uma boa seleção europeia, que esteve longe de apenas se defender na partida, mas que se mostrou incapaz de ameaçar o gol brasileiro seriamente. O gol suíço resultou de uma desatenção fatal da defesa brasileira com o único adversário presente na área aliada combinada com uma falta indiscutível em Miranda. Sem esta soma de fatores o atacante suíço não teria conseguido cabecear a bola.

Do ponto de vista individual não foi uma tarde exuberante para os jogadores brasileiros. Ninguém foi brilhante o tempo todo. Philippe Coutinho luziu absoluto no primeiro tempo com uma participação intensa, inteligente e profícua. Ninguém encontrou seu espaço e cumpriu seu papel como ele. Não apenas pelo gol, mas pelo papel que cumpriu tanto na fase defensiva quanto na fase de transição do meio campo a partir da retomada da bola pela equipe brasileira. Na contrapartida Marcelo acabou se destacando negativamente comparado com o futebol que tem condições de produzir, enquanto a defesa coletivamente errou no lance do gol de Zuber.

Papel da Arbitragem

O fato é que as duas decisões cruciais da arbitragem na estreia – houve também o lance em Gabriel Jesus na grande área suíça – foram desfavoráveis à seleção brasileira. Tivesse o time de Tite aproveitado uma das 4 chances verdadeiras construídas no final e vencido o jogo e o assunto viral das redes sociais, hoje, não seria a cor do cabelo de Neymar, mas, sim, a escandalosa passividade do inexpressivo árbitro mexicano diante das 10 faltas sofrida pelo atacante brasileiro. Nenhum outro jogador sofreu tantas faltas num único jogo desde a Copa de 98.

A Copa do Mundo organizada pela FIFA não se ganha apenas no campo. Talvez a conta gerada pelo ininteligível voto brasileiro na candidatura do Marrocos na escolha da sede da Copa de 2026 já tenha começado a ser cobrada.

 

 



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