Arsène Wenger e seus incríveis 20 anos como técnico do Arsenal



Atualizado às 07:01 h de 23/09/2016

Foi no dia 22 de setembro de 2006 que Arsène Wenger assumiu o cargo de técnico do Arsenal FC. São 20 anos ou duas décadas de trabalho contínuo. Não dá para vir com aquele discurso fácil e auto-depreciativo tão típico da mídia brasileira de que este fato seria impensável no Brasil.

Ser técnico por exatos 20 anos num clube de futebol de primeira divisão em qualquer lugar do mundo é um feito absolutamente incontrastável. Pep Guardiola cumpriu seu contrato de 3 anos com o Bayern de Munique e preferiu trabalhar para o Manchester City. Nos dias de hoje, um técnico que cumpre seu contrato na íntegra é algo, de fato, extraordinário, quase excêntrico. Arsène Wenger vai além e completa 2 décadas como técnico do 7º clube de futebol mais rico do planeta, com faturamento atual de € 435.5 milhões.

Wenger no Emirates Stadium ( arsenal.com)

Wenger no Emirates Stadium ( arsenal.com)

Wenger, que chegou ao clube através do diretor David Dean, foi um desbravador no até então altamente fechado futebol inglês. Ao assumir o cargo, o holandês Ruud Gullit, no Chelsea, era o único não britânico na função em toda a Premier League. No início daquela temporada os técnicos dos clubes participantes da Premier League eram: Brian Little (Aston Villa), Ray Harford (Blackburn Rovers), Ruud Gullit (Chelsea), Ron Atkinson (Coventry City), Jim Smith (Derby County), Joe Royle (Everton), George Graham (Leeds United), Martin O’Neill (Leicester) Roy Evans (Liverpool), Alex Ferguson (Manchester United), Bryan Robson (Middlesbrough), Kevin Keegan (Newcastle), Frank Clark (Nottingham Forest), David Pleat (Sheffield Wednesday), Graeme Souness (Southampton), Peter Reid (Sunderland), Gerry Francis (Tottenham), Harry Redknapp (West Ham) e Joe Kinnear (Wimbledon).

Hoje, o português José Mourinho está no Manchester United, o espanhol Pep Guardiola no Manchester City, o italiano Antonio Conti no Chelsea, o argentino Mauricio Pochettino no Tottenham, o alemão Jürgen Klopp no Liverpool, o italiano Claudio Ranieri no Leicester, o holandês Ronald Koeman no Everton, o espanhol Aitor Karanka no Middlesbrough, o italiano Walter Mazzarri no Watford, o croata Slaven Bilic no West Ham, o francês Claude Puel no Southampton e o italiano Francesco Guidolin no Swansea. O outrora britanicamente hermético mercado de técnicos da Premier League está aberto aos grandes nomes independente de onde venham.

Mourinho e Guardiola em Manchester juntos (foto - OLI SCARFF/AFP/Lancepress!)

Mourinho e Guardiola em Manchester juntos (foto – OLI SCARFF/AFP/Lancepress!)

Afinal, o que explica a espantosa longevidade de Arsène Wenger num cargo tão caracteristicamente instável no mundo do futebol? Neste período, Wenger conquistou 3 títulos da Premier League, 6 da FA Cup e 6 da Supercopa da Inglaterra, organizou equipes memoráveis como a que ficou conhecida como “The Invincibles” (Os Invencíveis), modificou hábitos alimentares dos jogadores, cuidou da qualidade dos gramados de treinos e jogos, entendeu a importância da evoluir do tradicional e icônico estádio de Highbury para o moderno e mais amplo Emirates Stadium, introduziu novidades revolucionárias nas dinâmicas de treinamentos e na maneira de jogar de um futebol que se caracterizava pelo esquematismo e isolacionismo do que se fazia no resto do continente. Em poucas palavras: há um Arsenal e um futebol inglês antes de Arsène Wenger e outros depois de sua chegada.thierry-henry

Na verdade esta impressionante estabilidade de Arsène Wenger se deve a um aspecto tão simples quanto fundamental: com ele, o Arsenal não foi tantas vezes campeão quanto o Manchester United de Sir Alex Ferguson, mas chegou sempre em posições dignas para um dos maiores clubes do país. Neste 20 anos, jamais o clube deixou de estar entre os 4 primeiros colocados da Premier League: 3 vezes campeão, 6 vezes vice-campeão, 5 vezes 3º colocado e 6 vezes 4º colocado.

Nestas duas décadas, Wenger foi responsável pela contratação de alguns dos jogadores que mais ajudaram a construir a imagem de excelência que a Premier League desfruta hoje junto aos amantes do futebol do mundo inteiro: Ian Wright, Thierry Henry, Sol Campbell, Freddie Ljungberg, Patrick Vieira, Emmanuel Petit, Marc Overmars, Dennis Bergkamp, Robin Van Persie, Robert Pirés, Cesc Fábregas, Mesut Özil e Alexis Sánchez.

O contrato de Wenger com o Arsenal se encerra ao final da atual temporada. Mesmo que ainda desfrute do total suporte do acionista majoritário do clube, o americano Stan Kroenke, muitos acreditam que o francês poderá se decidir por um novo desafio em sua carreira.

Saindo agora ou permanecendo Wenger já tem seu lugar na história do futebol inglês definitivamente consagrado por 2 motivos: pelas inúmeras mudanças na direção de um futebol plástico, técnico e ofensivo e pela harmonia que manteve com a direção do clube em todo este período na condução de uma gestão moderna e racional.

Como destaca a jornalista Amy Lawrence do diário londrino “The Guardian” Wenger é um caso único e irrepetível por um dado singelo: a média de permanência de um técnico à frente de um clube de futebol profissional na Inglaterra é de apenas 13 meses. O francês de Estrasburgo e que está a um mês de completar 67 anos dirige o Arsenal FC há 240 meses.

 

 

 



MaisRecentes

Apesar da campanha decepcionante, Milan não deverá contratar na janela de inverno.



Continue Lendo

Bilionário israelense adquire 15% do Atlético de Madrid



Continue Lendo

Federação americana pensa num torneio com os excluídos da Copa da Rússia



Continue Lendo