Arjen Robben: o craque obstinado dá adeus à camisa laranja



Atualizado às 18:01 de 11/10/2017

 

Arjen Robben anunciou que não jogará mais pela seleção holandesa. Por 18 anos ele vestiu a famosa camisa laranja desde quando estreou em 1999 pela seleção sub-15, quando ele ainda pertencia ao Groningen (1996-2002). Desde então ele jogou também no PSV (2002-2004), no Chelsea (2004-2007) e no Real Madrid (2007-2009). Ele está desde 2009 no Bayern de Munique e tem contrato até junho de 2018.

O craque holandês atuou 96 vezes e marcou 37 gols pela seleção principal holandesa. Estes números poderiam ter sido ainda mais expressivos se ele não tivesse sofrido tanto com contusões. Mesmo assim ele está entre os 10 jogadores que mais vezes jogou pela seleção de seu pais.

Robben nasceu em 23/01/1984 (foto - Facebook)

Robben nasceu em 23/01/1984 (foto – Facebook)

Robben é um profissional admirável, exemplar. Conheci poucos atletas no futebol como ele. Trabalhador, segue a rotina de treinamentos com disciplina férrea, e não se contenta com os períodos normais de trabalho com os demais companheiros de clube ou seleção. Talvez por isto tenha se entendido tão bem com quem Pep Guardiola as 3 temporadas em que conviveram no Bayern de Munique como ele próprio admitiu em entrevista ao diário inglês The Guardian:

– Você pode discutir qualquer coisa com Pep. Às 3 da manhã ele está feliz em conversar com você.

Ainda agora o Bayern de Munique enviou o fisioterapeuta italiano Gianni Bianchi para trabalhar com ele nos períodos em que esteve servindo à seleção nas eliminatórias para as partidas contra a França, Bulgária, Bielorússia e Suécia. Bianchi trabalhou articuladamente com os profissionais holandeses sob o comando do Dr Edwin Goedhart.

A iniciativa conjunta do Bayern e da KNVB visou evitar o conflito ocorrido quando Robben voltou contundido após a Copa do Mundo da África do Sul. O clube alemão acionou a federação holandesa na FIFA e recebeu uma compensação financeira pelo prejuízo provocado pelo tempo em que Robben esteve em recuperação.

Robben com Luka e

Robben, sempre com Linn, Luka e Kai

Testemunho 

Como consultor da KNVB (Real Federação Holandesa de Futebol) acompanhei por 8 meses a preparação da equipe para a Copa do Mundo de 2014 e, em seguida, fui membro da delegação holandesa nos 36 dias em que ela esteve no Brasil na competição. Testemunhei a obstinação com que Robben encarou a competição. Ele quis vencê-la e quase conseguiu.

Robben trabalhava o dia inteiro. Além da rotina dos treinos organizados pela comissão técnica dirigida pelo técnico Louis Van Gaal, Robben intercalava atividades de musculação, alongamento, massagem e bicicleta ergométrica. Todos os dias. E ele aproveitou toda esta intensa atividade para exercer o papel de vice-capitão da equipe para o qual fora indicado por Van Gaal. Coube a ele conversar com os jogadores mais jovens do elenco, encorajando-os a acreditar no potencial de cada um e da própria equipe.

Nos momentos de folga era impressionante a alegria com que ele recebia no hotel Caesar Park em Ipanema sua esposa Bernadien (por quem se apaixonou desde os tempos de escola) e os filhos Luka, Kai e Lynn. Também nos estádios após as partidas Robben fazia questão de encontrá-los mesmo que por apenas poucos minutos. E continua sendo assim em Munique a cada partida na Allianz Arena.

Robben nas competições oficiais da FIFA

Robben jogou as Copas de 2006 (Alemanha), 2010 (África do Sul) e 2014 (Brasil). Foram 15 partidas com 11 vitórias, 2 empates e 2 derrotas nas quais que ele assinalou 6 gols. De todas elas, parece não haver dúvida de que sua mais extraordinária atuação ocorreu contra a Espanha, na Fonte Nova, na estreia na Copa do Mundo no Brasil. Quis o destino que ele assinalasse 2 gols em Iker Casillas que 4 anos antes evitou um gol seu na prorrogação da final que teria dado o título à Holanda.

Além disto Robben disputou 26 jogos de eliminatórias com 23 vitórias, 1 empate e 2 derrotas. Ele também esteve presente no Mundial Sub 20, em 2001 na Argentina, atuando em 3 partidas: 1 vitória, 1 empate e 1 derrota.

Bianchi é o "anjo da guarda" de Robben

Bianchi é o “anjo da guarda” de Robben no Bayern

O melhor da Copa de 2014

Para mim, Arjen Robben foi o melhor jogador da Copa do Mundo no Brasil, mas ele oficialmente recebeu apenas a Bola de Bronze da FIFA. Não sairá jamais da minha memória a jogada nos últimos minutos de bola rodando da semifinal contra a Argentina na Arena Corinthians em que Robben foi desarmado legalmente pelo impressionante Javier Mascherano quase na pequena área no exato momento em que estava pronto para marcar o gol que levaria sua seleção para a final no Maracanã. Restou vencer o Brasil por 3 a 0 em Brasília para encerrar honrosamente com a terceira colocação da segunda Copa consecutiva que a seleção holandesa teve chances reais de conquistar.

Robben desejava demais participar do Mundial da Rússia no que vem. A decisão de não jogar mais pela seleção deve ter sido dramática para um ser tão competitivo e apaixonado pela sua profissão e pela bola.

Perde a seleção holandesa, que partirá para sua reconstrução sem seu principal astro. Perdemos os admiradores de um craque tão fenomenal.

 



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