A saída de Wenger do Arsenal indica o fim de uma época no futebol



Atualizado às 14:38h de 20/04/2018

 

Mais um capítulo particular e inconfundível da história do futebol teve seu desfecho decretado nesta sexta-feira a partir do anúncio do próprio técnico Arsène Wenger de que deixará o comando do futebol do Arsenal Fc ao final da atual temporada.

A decisão do francês parece se antecipar a uma provável demissão que vinha sendo amadurecida pelo alto comando do clube, incluindo seu principal acionista e velho aliado de Wenger, o bilionário americano Stan Kroenke. Algumas medidas recentes do CEO Ivan Gazidis sugeriam a perda de poder de Wenger. As contratações do espanhol Raul Sanllehi como responsável pelas concretização das negociações de jogadores e do alemão Sven Mislintat para comandar a equipe de observadores sinalizavam claramente como uma interferência inédita na gestão do futebol do clube.

Wenger ter comandado por quase 22 anos uma das grandes equipes da Premier League é um feito absolutamente incontrastável, desde que Sir Alex Ferguson se aposentou no Manchester United em 2013. Pep Guardiola cumpriu seu contrato de 3 anos com o Bayern de Munique e preferiu trabalhar para o Manchester City. Nos dias de hoje, um técnico que cumpre seu contrato na íntegra é algo, de fato, extraordinário, quase excêntrico. Arsène Wenger foi além e superou 2 décadas como técnico do 6º clube de futebol mais rico do planeta, com faturamento atual de € 487.6 milhões, segundo o relatório “Football Money League 2018” da empresa de consultoria Deloitte.

Wenger veio do Nagoia Grampus do Japão (foto – arsenal.com)

Wenger, que chegou ao clube através do diretor David Dean, foi um desbravador no até então altamente fechado futebol inglês. Ao assumir o cargo, o holandês Ruud Gullit, no Chelsea, era o único não britânico na função em toda a Premier League.

Neste momento, o português José Mourinho está no Manchester United, o espanhol Pep Guardiola no Manchester City, o italiano Antonio Conti no Chelsea, o argentino Mauricio Pochettino no Tottenham, o alemão Jürgen Klopp no Liverpool, o espanhol Rafa Benitez no Newcasttle, o português Carlos Carvalhal no Swansee, o espanhol Javi Gracia no Watford e o alemão David Wagner no Huddersfield.

Neste período, Wenger conquistou 3 títulos da Premier League, 7 da FA Cup e 6 da Supercopa da Inglaterra, organizou equipes memoráveis como a que ficou conhecida como “The Invincibles” (Os Invencíveis), modificou hábitos alimentares dos jogadores, cuidou da qualidade dos gramados de treinos e jogos, entendeu a importância da evoluir do tradicional e icônico estádio de Highbury para o moderno e mais amplo Emirates Stadium, introduziu novidades revolucionárias nas dinâmicas de treinamentos e na maneira de jogar de um futebol que se caracterizava pelo esquematismo e isolacionismo do que se fazia no resto do continente.

Nestes quase 22 anos, Wenger foi responsável pela contratação de alguns dos jogadores que mais ajudaram a construir a imagem de excelência que a Premier League desfruta hoje junto aos amantes do futebol do mundo inteiro: Ian Wright, Thierry Henry, Sol Campbell, Freddie Ljungberg, Patrick Vieira, Emmanuel Petit, Marc Overmars, Dennis Bergkamp, Gilberto Silva, Robin Van Persie, Robert Pirés, Cesc Fábregas, Mesut Özil,  Alexis Sánchez e Pierre- Emerick Albameyang.

No anúncio desta sexta-feira Wenger foi honesto e emotivo:

– Depois de uma análise cuidadosa e a partir de conversas com o clube, sinto que é o momento certo para eu me afastar no final da temporada. Sou grato por ter tido o privilégio de servir ao clube por tantos anos memoráveis. Eu gerenciei o clube com total comprometimento e integridade. Quero agradecer à comissão técnica, aos jogadores, aos diretores e aos torcedores que tornam este clube tão especial. Eu peço aos nossos torcedores para apoiarem a equipe para terminarmos a temporada em alta. Para todos os apaixonados pelo Arsenal, cuidem dos valores do clube. Meu amor e apoio para sempre.

Evidentemente a notoriamente especulativa mídia esportiva inglesa detonou o debate sobre seu sucessor. Todos os grandes técnicos do futebol mundial são lembrados, mas parecem ser os nomes dos alemães Joachim Low e Thomas Tuchel, do espanhol Luiz Enrique, do francês Patrick Vieira, do italiano Carlo Ancelotti, do português Leonardo Jardim e do italiano Massimiliano Allegri os que despontam com mais força.

Em poucas palavras: há um Arsenal e um futebol inglês antes de Arsène Wenger e outros depois.

 



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