A Juventus está de volta a uma final de Champions League



“Chegamos à Berlim!” é a manchete principal do site oficial da Juventus FC celebrando a classificação à final  da Champions League 2014/15 que será disputada no dia 6 de junho contra o Barcelona na capital alemã. O clube mais popular e que se transformou nos últimos anos também no mais moderno e melhor gerido da Itália volta a disputar a final da competição entre clubes mais importante do mundo depois de 12 anos. Será a oitava final de Champions League em sua história.

A Juventus merece jogar esta final inédita contra o Barcelona de Messi, Suarez e Neymar. Seu time não é tão espetacular, não é tão midiático, nem custa tão caro, mas vem realizando uma temporada magnífica, sólida, regular e que aspira, assim como seu adversário na final, a conquista da sonhada tríplice coroa. Claro, o Barcelona será encarado como favorito ao título. E, até é. Mas…

A Juventus disputará sua oitava final de Champions League ( foto - site oficial da JFC)

A Juventus comemora sua oitava final de Champions League ( foto – site oficial da JFC)

A classificação à final

Juventus e Real Madrid disputaram duas semifinais equilibradíssimas, resolvidas nos detalhes, pelo time que errou menos e, talvez, tenha dado mais sorte.

O Real Madrid, no seu mítico Santiago Bernabéu, fez o que deveria para tentar a reversão da derrota por 1 a 0 em Turim na partida de ida. Pressionou, abriu o placar num pênalti questionável cobrado por Cristiano Ronaldo, criou chances para ampliar o marcador, mas não apenas não conseguiu, como sofreu um gol doído, de autoria do atacante espanhol Álvaro Morata, cria da casa e que fez questão de não comemorar.

O empate obtido fora de casa comprovou que a Juventus de Massimiliano Allegri é uma equipe competitiva, sem ser brilhante, e que foi extremamente bem projetada taticamente para as pretensões e necessidades do time nesta semifinal. Foi uma atuação coletiva admirável. Buffon, Chiellini, Marchisio, Vidal, Pogba e Moratta deram algo mais, tanto do ponto de vista técnico quanto em termos táticos.

Chiellini foi um guerreiro nas semifinais (foto - site oficial da JFC)

Chiellini foi um guerreiro nas semifinais (foto – site oficial da JFC)

Pelo Real, Casillas, Marcelo, Kroos, James, Benzema e Cristiano Ronaldo lideraram uma equipe que realizou um primeiro tempo convincente, quando poderia até ter aberto uma vantagem maior no marcador. O gol de Morata, no início do segundo tempo, transformou as circunstâncias da partida. O time espanhol até poderia ter marcado pelo menos mais um gol que o manteria vivo na disputa, mas não o fez.

No confronto de equipes de dois técnicos italianos prevaleceu aquela dirigida pelo menos vencedor. Esta será a primeira final de Champions League de Massimiliano Allegri depois de eliminar o campeoníssimo Carlo Ancelotti, 3 vezes campeão da competição (2 com o Milan e 1 com o próprio Real Madrid).

Do inferno à reconstrução

A Juventus já é a (tetra) campeã italiana da temporada e disputará no dia 20 de maio a final da Copa Itália contra a Lazio. A possibilidade da tríplice coroa premia o único grande clube italiano que percebeu por onde o futebol contemporâneo caminhava e não perdeu o bonde da história. A trajetória recente da “Velha Senhora” é o caso típico de uma entidade que vai ao inferno, mas é capaz de se reinventar.

Juventus 2015

Em julho de 2006 o clube pertencente à família Agnelli – sinônimo de poder político, financeiro e industrial na Itália depois da Segunda Guerra Mundial – foi rebaixado à Série B italiana e teve os títulos das temporadas de 2004/05 e 2005/06 cassados pelo Tribunal Disciplinar da Federação Italiana de Futebol (Federcalcio) em função da manipulação de resultados. A punição de dirigentes da época obrigou os Agnelli a redefinir o tipo de gestão seria adotado a partir daquele momento. Uma nova diretoria, formada por profissionais sem vínculos com os que saíram, assumiu a administração da entidade.

Pois, em maio de 2010, o clube aprofundou seu processo de reformas e nomeou para liderá-lo um membro da nova geração dos Agnelli. O jovem Andrea, aos 35 anos àquela altura, sobrinho do lendário Gianni Agnelli, foi o escolhido, dentre outras razões, por que já trabalhara no próprio clube, na Ferrari (também controlada pela família) e na divisão esportiva da multinacional Philipp Morris.

Andrea manteve a tradição da família Agnelli na revolução do clube (foto - site oficial da JFC)

Andrea manteve a tradição da família Agnelli mas liderou a revolução na forma de gerir o clube (foto – site oficial da JFC)

A partir de então a Juventus radicalizou sua modernização, renovando a sua estrutura administrativa e adotando procedimentos verdadeiramente empresariais de gestão. A decisão pela construção de um estádio próprio, moderno, concebido como uma nova unidade de negócios do clube pode ser encarado como o símbolo da nova era administrativa. No mesmo ano de 2010 o clube contratou Giuseppe Marotta que, desde então, é seu principal executivo na área esportiva.

O Juventus Stadium, com capacidade para 41 mil pessoas, foi inaugurado em dezembro de 2011, ano que se iniciou a trilha do atual tetracampeonato italiano. Seu custo girou em torno de € 100 mi.

Na festa de abertura do estádio discursaram duas legendas do clube: Giampiero Boniperti – ex-jogador e presidente honorário – e Alessandro Del Piero – um dos maiores ídolos da história com mais de 700 partidas com a camisa alvinegra.

Juventus Stadium

A Juventus é o 10º clube europeu em faturamento segundo o relatório “Football Money League 2015” produzido pela empresa de consultoria Deloitte com receitas de € 279.4 mi  na temporada 2013/14.

Do ponto de vista corporativo a Juventus FC SpA é uma empresa de futebol profissional cotada na Bolsa de Valores italiana, cuja governança corporativa é realizada através de órgãos como a assembleia dos acionistas e o conselho de administração com seus vários comitês. A sociedade empresarial Juventus FC é controlada pela Exor SpA, que por sua vez, é controlada pela Giovanni Agnelli e C. S.a.p.az.

O clube, sua administração e seu estádio constituem um caso excepcional num cenário mais amplo de decadência recente do futebol italiano. Clubes mal geridos, estádios públicos ultrapassados e pouco rentáveis, inseridos num país que vive longa crise econômica, são aspectos de uma realidade que inclui a própria seleção italiana.

A tradicionalíssima “Azzurra”, tetracampeã mundial, foi eliminada ainda na primeira fase da Copa do Mundo de 2014 no Brasil e, neste momento, ocupa a modesta 13ª posição no ranking da FIFA.



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