A FIFA conseguirá se refundar e voltar a ser vista como confiável?



O segundo dia de reunião do Comitê Executivo da FIFA realizado em Zurique, nesta quinta-feira, aconteceu na normalidade possível dadas as prisões dos vice-presidentes sul-americanos Alfredo Hawit (hondurenho) and Juan Ángel Napout (chileno) realizadas logo pela manhã no Hotel Du Bac. Apesar do constrangimento generalizado, o cronograma da reunião foi mantido a partir da ideia de que a “vida da FIFA tem que continuar”.

No encontro foram aprovadas as principais medidas propostas pelo Comitê de Reforma, presidido pelo suíço Dr François Carrard, que buscam criar um novo modelo de gestão da entidade, baseado no controle da integridade de seus membros, que deverão ser privados de manter qualquer tipo de negócio com empresas que se relacionem com a FIFA.

Sede da FIFA em Zurique na Suíça (foto - fifa.com)

Sede da FIFA em Zurique na Suíça (foto – fifa.com)

As mudanças sugeridas pela comissão liderada por Carrard objetivam garantir mais transparência na tomada de decisões da FIFA a partir da eleição do novo presidente e do Conselho Extraordinário da entidade que acontecerão em fevereiro de 2016. Elas também são fruto de um ano catastrófico financeiramente da entidade que deverá registrar um prejuízo de cerca de €100 milhões em função dos problemas que assolam sua gestão desde maio deste ano com a prisão de muitos membros de seu Comitê Executivo e o próprio afastamento do presidente Sepp Blatter.

A pressão das empresas patrocinadoras para que a FIFA se reforme e se distancie das práticas recentes de governança se revelou determinante na direção dos acontecimentos.

Em síntese as medidas transformadoras aprovadas incluem:

  • Limitação em 3 mandatos de 4 anos de duração para os dirigentes da entidade.
  • Definição clara da divisão de poderes entre as atividades operacionais e as dos dirigentes eleitos e elevação da transparência no funcionamento da entidade .
  • Aprofundamento da participação das mulheres e atletas no mundo do futebol inclusive exigindo que haja uma mulher na direção de todas as federações filiadas à FIFA.
  • Garantia de participação de membros independentes em comitês consultivos a serem definidos.

A questão da ampliação  para 40 do número de países participantes da Copa do Mundo acabou não sendo aprovada para ser apresentada em fevereiro. O Comitê Executivo entendeu ser necessário o aprofundamento do estudo das consequências do aumento de 8 países numa competição que costuma ter mais de 1 mês de duração e de como as TVs poderão se adaptar a uma cobertura que será ainda mais longa.

Markus Kattner personifica a FIFA atual (f0t0 - fifa.com)

Markus Kattner personifica a FIFA atual (f0t0 – fifa.com)

O alemão Markus Kattner, atual diretor financeiro e secretário-geral da FIFA, apresentou um plano de refundação da imagem da entidade dividido em três fases.

  • A primeira deve ser a de “administração dos desafios” e deverá durar até a eleição de fevereiro que definirá o substituto de Sepp Blatter e a aprovação das propostas saneadores e reformistas da forma com que a entidade será dirigida.
  • A segunda, que irá até dezembro de 2016, deverá buscar a reconquista da credibilidade da entidade junto à opinião pública mundial.
  • A terceira, de dezembro de 2016 a dezembro de 2016 será a de consolidar a nova FIFA, incluindo o sucesso da Copa do Mundo da Rússia.

Kattner foi claro com relação a este processo: “nosso desejo é que a FIFA volte a ser encarada como um organização esportiva  moderna e confiável”.

A tendência, a partir desta crise, é de que tudo ligado à FIFA seja encarado de uma maneira diferente. A coletiva que apresentou os resultados do segundo dia de reunião do Comitê Executivo foi marcada por perguntas desafiadoras por parte dos jornalistas. Um deles desejou saber quais foram os honorários do escritório do Dr François Carrard pelo trabalho à frente do Comitê de Reforma. Ele respondeu que “cobra por horas” e no nível do que recebem os advogados em Lausanne, cidade suíça onde seu escritório está instalado.

Noutro momento o secretário geral Markus Kattner foi questionado se ele se sentia confortável em ser o porta-voz das medidas saneadoras apresentadas já que foi ele quem pagou o €1.8 milhão a Michel Platini que provocaram a suspensão do dirigente francês. Kattner foi político e evasivo: “não posso responder a esta pergunta por que há procedimentos em curso sobre o tema”.

 

Atualizado às 11:41h de 04/12/2015

 

 



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