A Copa América sempre foi difícil. Mesmo com Pelé e Romário.



.A Seleção Brasileira acabou a segunda rodada da Copa América 2015 na primeira colocação de seu grupo. Com o mesmo número de pontos que a seleção do Peru, Venezuela e Colômbia, é verdade, mesmo não tendo jogado bem e perdido para a Colômbia.

A análise criteriosa do momento vivido pelo futebol brasileiro, no entanto, foi jogada no lixo nos últimos tempos. Como se noutras épocas, distantes ou não tanto, não tivéssemos vivido experiências, talvez ainda mais traumáticas, do que a brasileira na última quarta-feira na derrota por 1 a 0 para a Colômbia, em Santiago.

Ilustração do site oficial da Conmebol

Ilustração do site oficial da Conmebol

Em 1959, apenas um após a conquista do primeiro Mundial na Suécia, na Copa América da Argentina em que foi vice-campeão, o Brasil empatou com o Peru por 2 a 2, com Castilho, Paulinho, Bellini, Orlando e Nilton Santos (Coronel); Zito e Didi; Dorval, Henrique (Almir), Pelé e Zagallo. Isto mesmo, com Nilton Santos, Zito, Pelé e Zagallo não conseguimos superar o Peru, nem conquistar o título.

Em 1987, na Copa América disputada na Argentina, em que o Brasil sequer chegou às semifinais, o Chile nos sapecou um estrondoso 4 a 0, em Córdoba, num time que contava com Carlos, Josímar, Júlio Cesar, Ricardo Rocha (Geraldão) e Nelsinho: Douglas, Raí, Edu Marangon (Romário): Careca e Muller. Atenção: a partida foi na Argentina e tínhamos Ricardo Rocha, Raí, Romário, Müller e Careca!!!

Na Copa América do Chile, em 1991, a Colômbia venceu o Brasil por 2 a 0 e não foi nem o fim do mundo, nem a eliminação do Brasil na competição já que acabamos vice campeões. A escalação naquele foi Taffarel, Mazinho, Wilson Gottardo, Ricardo Rocha e Branco; Mauro Silva, Marcio, Neto (Careca), Raí (Luiz Henrique), Renato Gaúcho e João Paulo. Daquele time 6 jogadores foram campeões do mundo em 1994!

Romário ganhou, mas também viveu fracassos na Copa América ( Foto - aquivo Lance!)

Romário ganhou, mas também viveu fracassos na Copa América ( Foto – arquivo Lance!)

Em 1993, na Copa América do Equador, quando o Brasil não chegou sequer às semifinais, empatamos com o Peru por 0 a 0 e perdemos para o Chile por 3 a 2, jogando pelo Grupo B. Neste último jogo a formação foi: Carlos, Cafu, Antonio Carlos, Válber e Roberto Carlos; Marco Antonio Boiadeiro, César Sampaio, Palhinha (Elivélton); Edmundo (Viola), Müller e Zinho. Estávamos a um ano da Copa do Mundo dos EUA.

Na Copa América de 2001 na Colômbia, um ano antes, portanto, da conquista do Mundial de 2002, o Brasil foi eliminado nas quartas de final por Honduras na derrota por 2 a 0 em que jogou com Marcos, Luisão (Juninho Pernambucano), Juan e Cris; Beletti, Eduardo Costa (Jardel), Emerson, Alex (Juninho Paulista) e Júnior, Guilherme e Denilson.

História da competição

A Copa América foi uma competição praticamente monopolizada por Argentina e Uruguai até a final dos anos 80. A Seleção Brasileira ficou sem conquistá-la por impressionantes 40 anos: de 1949 até 1989, quando vencemos a que foi disputada no Brasil com uma base que não foi longe na Copa da Itália, em 1990, mas que brilhou e conquistou a Copa dos EUA em 1994. Naquela oportunidade na final contra o Uruguai o time foi Taffarel, Aldair, Ricardo Gomes e Mauro Galvão; Mazinho, Dunga, Silas (Alemão), Valdo (Josimar) e Branco; Bebeto e Romário.

Dunga conhece já viveu de tudo na Copa América (foto - arquivo Lance!)

Dunga  já viveu tudo na Copa América (foto – arquivo Lance!)

Desde então, o Brasil passou a ser o seu principal vencedor ao lado do Uruguai. Este processo se acentuou ainda mais a partir da Copa América de 1997. Desde então foram disputados 6 torneios dos quais o Brasil venceu 4 (1997, 1999, 2007 e 2009).

Portanto, a histeria negativista deflagrada a partir da derrota para a Colômbia no meio desta semana precisa ser devidamente relativizada por parte de quem pensa o futebol brasileiro com equilíbrio e conhecimento histórico. É preciso encarar competições deste tipo com perspectiva histórica e um mínimo de equilíbrio.

Não é sério nem crível, por exemplo, ser tão crítico com o futebol brasileiro atual e venerar o argentino – com justiça apontado como favorito da atual disputa – que não vence uma única Copa América há 22 anos, nem a Copa do Mundo há 28 anos!

A Argentina de Leonel Messi começa sob pressão (foto - Juan Abromata - AFP)

Lionel Messi nunca venceu a Copa América (foto – Juan Abromata – AFP)

A Seleção Brasileira de Dunga está em formação e, por isto, tem esta flagrante desvantagem diante de Chile, Uruguai, Argentina e Colômbia na atual competição. Teve um início positivo de trabalho quando assumiu a posição após a Copa de 2014 com 11 vitórias em sequência, mas viveu uma noite infeliz e foi derrotada por uma Colômbia já montada e mordida pela sequência de resultados negativos diante do Brasil no passado recente. O time brasileiro jogou com apenas 4 jogadores que disputaram como titulares a Copa de 2014 enquanto eram 8 os colombianos remanescentes daquela campanha.

Neymar 7em 44 gols em 64 jogos pela Seleção. (foto: Rodrigo Buendia/AFP)

Neymar busca seu primeiro título da Copa América. (foto: Rodrigo Buendia/AFP)

Nada do que está escrito acima garante que o trabalho desenvolvido por Dunga terá o sucesso como resultado inexorável. Mas vale para nos alertar de que no passado, com equipes até mais maduras e com jogadores mais brilhantes e experimentados do que os atuais, a Seleção Brasileira sofreu tropeços para adversários considerados mais fracos e menor tradição no futebol continental. Ao contrário do senso comum, a Seleção Brasileira jamais foi imbatível na competição continental.

A Copa América sempre foi e sempre será um torneio difícil e equilibrado. E o desempenho da equipe brasileira em cada de suas edições precisa ser avaliado considerando o contexto em que ela está sendo disputada e com a perspectiva de futuro. Ainda que para se decidir que tipo de mudanças se farão necessárias.

Uma excelente geração com chances de conquistar uma Copa do Mundo pode ser montada ou amadurecida a partir da participação numa Copa América mesmo que a Seleção Brasileira não conquiste o título.

Aprender com a história nos ajuda ser mais sensatos e  melhor preparados para errar menos.

Atualizado às 16:33h do dia 19/05/2015

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