A Copa América atrai a atenção da mídia europeia



 

Chile e Equador fazem, nesta noite, no Estádio Nacional de Santiago do Chile a partida de abertura da 44ª Copa América, a copa continental mais longeva do futebol mundial.  Sua realização acabou inspirando a fundação, em 9 de julho de 1916, da própria Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). Esta a sétima vez que o Chile organiza a competição que, aliás, jamais conquistou.

Curiosamente a Copa América 2015 vem merecendo mais destaque na mídia europeia do que na maior parte da brasileira. Os sites dos diários Marca (Espanha), La Gazzetta dello Sport (Itália), L’Équipe (França), A Bola (Portugal,) The Guardian e The Telegraph (Inglaterra) e Bild (Alemanha) dentre outros, oferecem a seus leitores uma cobertura completa do torneio com material produzido por enviados especiais ao país andino e por meticuloso trabalho de pesquisa. Todas as partidas serão transmitidas ao vivo para os principais países do cenário futebolístico mundial.

Ilustração do site oficial da Conmebol

Ilustração do site oficial da Conmebol

A atmosfera global em que a competição será disputada não pode ser dissociada dos recentes acontecimentos ocorridos em Zurique relacionados à eleição presidencial da FIFA e que geraram a prisão de vários dirigentes do futebol mundial, dentre eles, os ex-membros de seu comitê executivo, como o ex-presidente da CBF José Maria Marin, o ex-presidente da federação uruguaia Eugenio Figueredo e o presidente da Federação de Futebol da Venezuela, Rafael Esquivel, devido a acusações de recebimento de suborno na venda de direitos da própria Copa América.

Do ponto de vista meramente esportivo a disputa deste ano pode se transformar numa das mais competitivas de sua história. Pelo menos duas seleções merecem ser consideradas, no mínimo, interessantes e com um nível de ambição respeitável: a anfitriã chilena e a colombiana. Ambas contam com elencos de alto nível técnico com jogadores espalhados por alguns dos principais clubes do futebol internacional.

Brasil e Argentina entram naturalmente credenciadas pelo retrospecto mais amplo de sua participações tanto a nível continental quanto mundial. No entanto vale observar que o Brasil (8 títulos) ainda enfrenta o descrédito resultante do catastrófico 10 x 1 (Alemanha 7 a 1 e Holanda 3 a 0) da Copa que sediou e a Argentina (14 títulos), em que pese toda a badalação de seus atacantes, não conquista a Copa América há 23 anos e a Copa do Mundo há 29 anos. Já o Uruguai (15 títulos) chega com o peso da tradição de mais vezes vencedor da competição, mas fragilizado pela ausência do seu enigmático astro artilheiro Luís Suárez, ainda cumprindo punição pela FIFA.

Neymar e Daniel Alves chegam como campeões europeus (foto - site oficial do Barcelona CF)

Neymar e Daniel Alves chegam como campeões europeus (foto – site oficial do Barcelona CF)

Do ponto de vista dos prováveis destaques individuais teremos o privilégio de assistir a participação dos galáticos Lionel Messi (Argentina) e Neymar Jr e dos astros James Rodriguez (Colômbia), Carlitos Tevez (Argentina), Edinson Cavani (Uruguai) e de Arturo Vidal (Chile). Vale observar que 4 destes 6 estiveram em campo em Berlim no último sábado disputando como titulares a final da Champions League 2014/15 entre Barcelona e Juventus.

Acredito que a Seleção Brasileira, novamente dirigida por Dunga, apesar de alguns desfalques importantes (Danilo, Marcelo, Luiz Gustavo e Oscar) tem condições de almejar uma participação decente, e até, de conquistar o título. É uma etapa fundamental no resgate do respeito interno já que no mundo inteiro ela continua sendo tratada como uma das mais poderosas do futebol contemporâneo.

Por fim, cabe lembrar que o crescente nível de competitividade nas últimas edições da Copa América deve ser produto por um lado da evidente evolução de países como Venezuela e Equador e, de outro, da participação da seleção mexicana.

Brasil sem representante no Grupo de Estudo Técnico da Copa América

A Conmebol, através do Departamento de Desenvolvimento, escalou um grupo Grupo de Estudo Técnico – GET – para realizar análises de todas as partidas da Copa América 2015. A ideia é disponibilizar o material para os técnicos de futebol do continente. As conclusões serão apresentadas através de um livro e de um DVD.

O GET é formado por técnicos, mas sem brasileiro ou argentino (foto - site oficial da Conmebol)

O GET é formado por técnicos, mas sem brasileiro ou argentino (foto – site oficial da Conmebol)

Curiosamente Brasil e Argentina não tem representantes no GET. Seus membros são Daniel Bañales (Bolívia), Arturo Salah (Chile), Gustavo Ferrín (Uruguai), Richard Páez (Venezuela), Carlos Felipe Pedemonte (Chile), Raúl Moller (Uruguai) y Héctor Pinto Lara (Chile).

Neste momento, em função da prisão de José Maria Marin, o Brasil não tem participação no Comitê Executivo da Conmebol. O presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, é um dos representantes da entidade junto à FIFA.



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