Brasil, valente, arranca empate com o Paraguai. Mas falta muita coisa.



A Seleção Brasileira não jogou bem e só empatou por 2 a 2 com o Paraguai em Assunção por que revelou uma surpreendente reação psicológica ao longo do segundo tempo traduzida em uma busca desesperada por um resultado menos doloroso do que a derrota que parecia inexorável no 2 a 0 aos 49 minutos de jogo. Desde 2009, o Brasil não consegue vencer o Paraguai.

Do ponto de vista coletivo, tático e em termos de planejamento a Seleção Brasileira decepcionou. A equipe se mostrou confusa, mal distribuída em campo, com espaços inadmissíveis no setor defensivo seja pela má atuação coletiva da equipe, seja pelo desempenho deficiente de alguns dos jogadores.

Ricardo Oliveira foi incansável e oportunista (foto - Lance!)

Ricardo Oliveira foi incansável e oportunista (foto – Lance!)

Os primeiros 45 minutos de Dani Alves, Filipe Luís, Luís Gustavo e Fernandinho comprometeram a equipe brasileira. Visivelmente o Paraguai se planejou para atacar em cima dos nossos laterais e o fez intensamente. E, foi de uma penetração de Edgar Benítez, em cima de um indefeso Dani Alves, aos 40 minutos do PT, que surgiu o cruzamento para Lezcano, num chute tão desajeitado quanto traiçoeiro, superar um até então magnífico Alisson.

O empate até então era injusto e milagroso para o Brasil. Além do arqueiro, apenas a eficiência de Gil, a valentia de Renato Augusto, a movimentação de William e a presença de Ricardo Oliveira na área adversária produziram algo elogiável na primeira etapa.

Dunga mexeu no intervalo colocando Hulk no lugar de Fernandinho. A mudança teve efeitos postergados já que, logo aos 4 minutos, a retaguarda brasileira foi envolvida por Roque Santa Cruz ainda na intermediária. Este passou para Ortiz que enfiou a bola para Benítez penetrar na grande área, se valer de um vacilo crucial de Dani Alves para com liberdade e conforto chutar por baixo de Alisson.

Douglas Costa lutou, mas não se achou em campo (foto - Lance!)

Douglas Costa lutou, mas não se achou em campo (foto – Lance!)

O placar de 2 a 0 mexeu com os brios da equipe brasileira e, de certa forma, acomodou os paraguaios. Como que despertados de 50 minutos letárgicos e resignados, os jogadores brasileiros mudaram de atitude e resolveram fugir da humilhação que parecia inevitável.

Ainda que desorganizadamente a Seleção Brasileira foi se impondo e encurralando o Paraguai. Era uma reação espontânea, mas que foi se tornando real já que o time brasileiro passou a jogar praticamente dentro do campo adversário. Aos 24 minutos do ST, Dunga colocou Lucas Lima no lugar de Luiz Gustavo, cujo papel passou a ser desenvolvido por Renato Augusto. Mesmo que afoita e impulsivamente o ataque ganhou mais movimentação e volume de jogo.

A pressão brasileira surtiu efeito aos 33 minutos do ST. Hulk chutou forte, de fora da área, o goleiro rebateu e Ricardo Oliveira, atento e eficaz, diminuiu o marcador. Um minuto depois Dunga apostou na energia e na mobilidade de Jonas e o colocou no lugar de Ricardo Oliveira.

A partir dos 34 minutos do ST Dani Alves, Filipe Luís, Renato Augusto, Lucas Lima, William, Jonas, Douglas Costa e Hulk promoveram uma blitz avassaladora sobre um impotente Paraguai. Até que aos 46 minutos do ST, numa jogada individual inspirada e corajosa Dani Alves penetrou pelo lado direito da defesa paraguaia, recebeu de William e de pé esquerdo empatou.

A partir dali, na loucura sempre indissociável do futebol, a vitória até poderia ter acontecido num último lance na pequena área paraguaia, salvo milagrosamente pelo goleiro Justo Villar

Dani Alves não jogou bem mas brigou até o final (foto - Lance!)

Dani Alves não jogou bem mas brigou até o final (foto – Lance!)

O placar em si, nas circunstâncias, não foi ruim. A posição na tabela é desconfortável, mas absolutamente reversível. Mas o que angustia na Seleção Brasileira é a constatação de que ela está por se organizar como time. E, pior, é perceber que ela involuiu em termos defensivos, revelando uma vulnerabilidade preocupante e inadmissível para quem tem aspirações grandes nas competições. Do ponto de vista ofensivo, nada do que de envolvente e criativo nos animou nos primeiros 30 minutos da partida contra o Uruguai se repetiu.

Por outro lado, a supremacia da equipe em volume de jogo e posse de bola em praticamente todos os confrontos (59% contra o Paraguai) não tem se traduzido em gols, nem em vitórias. O time terá a Copa América nos Estados Unidos para se organizar e crescer tendo em vista as próximas partidas das eliminatórias, em setembro, contra o Equador, fora de casa, e a Colômbia, em casa.

Tempo e jogadores para garantir com conforto a presença na Copa da Rússia em 2018 não faltam. Mas estamos longe de algo satisfatório. E, neste momento, em sexto lugar na tabela, fora da zona de classificação para o Mundial.

O desespero é injustificável, mas a necessidade de redefinição de algumas coisas fundamentais, imperiosa.

 

 



  • Roger Mazzalli

    brasil valente????
    eu assisti outro jogo ontem…
    o paraguaí recuou demais e deixou esse timinho depedente desse neymídia jogar…

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