Por que os clubes da Premier League não se impõem na Champions League?



A Premier League é a Liga nacional com maior prestígio no futebol internacional contemporâneo. É aquela que movimenta mais dinheiro, a mais equilibrada tecnicamente e a que mais gente fanática pelo futebol acompanha pela TV mundo afora. Não por acaso, já há torcidas organizadas dos clubes ingleses espalhadas por países de todos os continentes, inclusive aqui no Brasil.

Mas, por que será que os clubes ingleses não conseguem se impor na Champions League na proporção de seu poderio comercial e financeiro? Nas últimas 15 edições da Champions League, os milionários representantes da Premier League conquistaram apenas 3 títulos, ou seja, tiveram 20% de aproveitamento. Neste mesmo período, os espanhóis foram campões 6 vezes (Barcelona 4 e Real Madrid 2), os italianos 3 vezes (Milan 2 e Inter), os alemães 2 vezes (Bayern) e os portugueses 1 vez (Porto).Champions 2016

Os resultados históricos parecem indicar que na briga entre gigantes, o dinheiro conta, mas até certo ponto. Segundo o relatório “Football Money League 2016” produzido pela empresa de consultoria inglesa Deloitte, entre os 15 clubes que mais faturaram em 2015 estão 6 ingleses (Manchester United, Manchester City, Arsenal, Chelsea, Liverpool e Tottenham), 3 espanhóis (Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madrid), 3 alemães (Bayern, B. Dortmund e Shalke 04), 2 italianos (Juventus e Milan) e 1 francês (Paris Saint German).

Portanto, está claro que apesar de gerar receitas milionárias e, por isto, atrair alguns dos maiores craques e técnicos do mundo, a Premier League ainda não foi capaz de transformar sua exuberância financeira em poderia esportivo de fato no continente em que está inserida.

Último clube inglês campeão da Champions 2011/12 - (fot0 - chelseafc.com)

Último clube inglês campeão da Champions 2011/12 – (fot0 – chelseafc.com)

É provável que a partir do novo estonteante contrato de TV com os clubes ingleses que passará a vigorar a partir de 2016/17 no valor de € 6.5 bilhões por 3 temporadas, a supremacia do fator financeiro sobre outros se concretize de maneira irremediável. Afinal, através da sua vigência, o clube que acabar na última posição da Premier League 2016/17, por exemplo, receberá pelos direitos de TV um valor superior ao da toda poderosa Juventus, a que mais fatura neste tipo de receita na Série A italiana.

Este novo cenário surgirá por que além do montante fabuloso de dinheiro movimentado, o critério de distribuição com que ele será distribuído entre os 20 participantes da Premier League também importa. O rateio dos direitos de TV seguirá o seguinte formato: 50% será repartido de forma igualitária, 25% seguirá a classificação no campeonato e os outros 25% se baseará na audiência de cada time nas transmissões.

O dinheiro tem papel decisivo na definição das coisas do futebol do século XXI, mas a capacidade de geri-lo com competência, a tradição dos clubes e um pouco de sorte também interferem decididamente nos resultados finais das competições deste esporte. O Real Madrid sintetiza bem o desafio da gestão de um clube de futebol. Mesmo tendo sido o clube com maior faturamento em todos os últimos 15 anos, ele só foi capaz de conquistar a Champions League em 2 oportunidades neste período.

O Real comemorando o título da primeira Champions 1955/56 (foto - uefa.com)

O Real comemorando o título da primeira Champions 1955/56 (foto – uefa.com)

 

Nos 16 remanescentes na fase de oitavas de final da Champions League 2015/16, 7 clubes estão fora da lista dos 15 que mais faturaram ano passado: Wolfsburg, Gent, Roma, Zenit  St Petesburg, Benfica, Dynamo de Kiev e PSV. Eles são a prova de que o futebol tem a magia e o encantamento de, em alguma medida, desafiar o poderio financeiro. Sem a demagogia e impropriedade de chamá-los de “pobretões”, mas reconhecendo a disparidade da capacidade de investimento destes clubes comparada a dos gigantes do futebol europeu.

 

 

 

 



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