Eleito, Infantino promete: “eu quero trazer o futebol de volta para a FIFA”



A FIFA decidiu que voltará a ser presidida por alguém eleito fundamentalmente apoiado pelas entidades europeias. Gianni Infantino, 45 anos, obteve, no entanto, uma vitória expressiva, por que contou com a contribuição surpreendente dos delegados dos países das Américas. Este dado é importante e deverá influenciar na definição de aspectos relevantes do tipo de política que o novo presidente da FIFA colocará em prática.

Infantino é um homem cosmopolita. Suíço, filho de pais italianos, domina e se comunica com fluência em pelo menos 6 idiomas e, por ter exercido a secretaria geral da UEFA desde 2007, foi obrigado a se relacionar com países e interesses diversos do mundo do futebol: “meus pais são italianos e me ensinaram a distinguir o bem do mal, mas cresci na Suíça alemã, da ordem, da disciplina e da confiança. Posteriormente vivi na Suíça francofônica, da liberdade, igualdade, fraternidade e com traços revolucionários”.

Gianni Infantino era secretário geral da UEFA (foto - fifa.com)

Gianni Infantino era secretário geral da UEFA há 7 anos (foto – fifa.com)

Em suas manifestações pós-eleição ele tem reforçado a ideia de que pretende ser o presidente de todos os amantes do futebol, da recuperação da imagem da FIFA e que, a partir de agora, deverá tratar dos temas do futebol sem qualquer tipo de privilégio para as entidades e interesses europeus: “eu quero ser o presidente de todos vocês. Quero trazer o futebol de volta para a FIFA. Eu rodei o mundo nesta campanha e continuarei a fazer isto. Nós vamos restaurar a imagem da FIFA e todo 0 mundo irá nos aplaudir, a cada um de nós, pelo que faremos na FIFA no futuro.”

A eleição de Infantino aconteceu num dia que entrará para a história da FIFA em função da aprovação de reformas que deverão inaugurar um novo ciclo na maneira como a entidade passará a ser administrada. Dentre as mudanças a aprovadas com o voto de 197 das 207 entidades presentes no Congresso de hoje estão: 1) O novo presidente eleito terá uma função mais institucional e de representação externa e menos executiva. (2)O dia a dia será comandado por um CEO e diretores profissionais. (3) O Comitê Executivo será substituído por uma comissão de 36 membros representando as 6 Confederações, com a participação mínima de 6 mulheres em sua composição. (4) O mandato dos dirigentes eleitos estará restrito a mais 2 reeleições (12 anos no total). (5) A remuneração dos executivos será pública e a escolha deles dependerá da análise de seus dados pessoais e profissionais antecedentes. (6) Toda a operação da entidade estará submetida a comitês de auditoria independente com poder de apontar eventuais irregularidades. (7) A adoção de medidas comprometidas com a defesa dos direitos humanos.

Infantino também deverá propor mudanças para a Copa do Mundo, tanto em número de participantes quanto a forma de organização, inclusive com a possibilidade dela ser organizada por mais de um país ao mesmo tempo.

Os delegados brasileiros votaram nos 2 turnos em Infantino. E isto evidentemente indica que algum tipo de compromisso foi estabelecido com o novo presidente. Apesar de todos os problemas recentes envolvendo dirigentes e homens de negócios brasileiros ligados ao futebol não há como menosprezar o peso político e a representatividade esportiva deste país no mundo do futebol.

Sheik Salman, segundo colocado, e Infantino (foto - fifa.com)

Sheik Salman, segundo colocado, e o novo presidente Gianni Infantino (foto – fifa.com)

Infantino foi eleito para completar o mandato iniciado pelo ex-presidente Joseph Blatter – eleito no final de maio de 2015 e que renunciou em 2 de junho – até 2019. Sua campanha eleitoral foi financiada pela UEFA e custou € 500 mil.

O compromisso assumido, hoje, por Infantino foi claro e deverá ser cobrado rigorosamente a partir de agora. Suas palavras precisam ficar registradas para servir como referência daquilo que ele prometeu realizar à frente do cargo mais importante do esporte mais popular do planeta: ” A FIFA enfrentou momentos difíceis, momentos de crise. Mas estes tempos chegaram ao fim. Precisamos implementar as reformas, nós precisamos ter uma boa governança e transparência. Mas também precisamos ser respeitados. Nós reconquistaremos o respeito através do trabalho e da dedicação para que possamos nos concentrar neste esporte maravilhoso que é futebol”.

Cumpra suas promessas, presidente Infantino!

 

 

 

 

 



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