A FIFA precisa se adequar ao seculo XXI e não apenas de um novo presidente



A incrível incapacidade de entender o que é verdadeiramente importante está desviando o foco de boa parte da mídia esportiva internacional daquilo que, de fato, pode ou não produzir uma nova revolução na maneira da FIFA ser governada.

Da parte brasileira, há como sempre, a obtusa tendência a seguir a agenda e o modelo de pensamento hegemônico difundido pela mídia europeia, como se o visão eurocêntrica deste esporte também representasse aquilo que o futebol brasileiro e sul-americano devem aspirar. Trata-se apenas da ignorância do processo histórico a que a FIFA experimentou ao longo do século XX.FIFA

Até hoje, pouca gente entendeu o significado revolucionário, internacionalizador, modernizador e descolonizador da eleição de João Havelange para a FIFA em 1974. O futebol cresceu, se popularizou, se modernizou, expandiu horizontal e verticalmente o mercado de trabalho, passou a fazer parte da vida das pessoas e das empresas em todas as partes do planeta e ajudou a combater uma das pragas mais terríveis ainda presente em muitos países: o racismo.

O problema é que os anos se passaram, o poder se concentrou, a decisão sobre um volume crescente de dinheiro não foi adequadamente resolvido e uma casta de dirigentes passou a ter uma agenda e interesses próprios que privatizou uma parte considerável do que deveria ser usufruído pelo futebol e não pelas pessoas que o dirigem.

O que cabe esperar desta sexta-feira em Zurique é menos quem deverá ser eleito para a presidência da FIFA, mas sim, se os 207 membros de seu Congresso terão a sensibilidade e o bom senso histórico de aprovar o conjunto de reformas proposto que, com certeza, adequará a gestão da entidade aos desafios e necessidades do futebol contemporâneo.

Joseph Blatter esteve na presidência da FIFA por 17 anos (foto - fifa.com)

Joseph Blatter, 79 anos, esteve na presidência da FIFA por 17 anos (foto – fifa.com)

Em linhas gerais as mudanças propostas são as seguintes: (1) O novo presidente eleito terá uma função mais institucional e de representação externa e menos executiva. (2)O dia a dia será comandado por um CEO e diretores profissionais. (3) O Comitê Executivo será substituído por uma comissão de 36 membros representando as 6 Confederações, com a participação mínima de 6 mulheres em sua composição. (4) O mandato dos dirigentes eleitos estará restrito a mais 2 reeleições (12 anos no total). (5) A remuneração dos executivos será pública e a escolha deles dependerá da análise de seus dados pessoais e profissionais antecedentes. (6) Toda a operação da entidade estará submetida a comitês de auditoria independente com poder de apontar eventuais irregularidades.

Na verdade, aprovadas estas medidas, a FIFA estará apenas se adequando a uma modalidade de gestão corporativa corrente no seculo XXI e proporcional a sua importância política e institucional no mundo. Em síntese trata-se de adotar uma forma de conduzir a entidade que desconcentre o poder de decisão e imponha transparência a ele.

De nada adiantará a escolha de qualquer um dos 5 candidatos apresentados se este conjunto de reformas não for aprovado e rigorosamente implementado.

Chegou a hora de deixar as fofocas de lado e se concentrar no que de essencial e renovador está em jogo.

 

 

 



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