Um verdadeiro “volante” clássico – Batemos um papo com o ex-jogador Jamir



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“Eu tenho a maior honra em lembrar essa minha época no Botafogo… O melhor de tudo foi que, o Botafogo estava desacreditado por todos, eu cresci na temporada junto com o Botafogo.” Disse Jamir sobre jogar no Botafogo.

Quem disse que para ser um “bom volante” no futebol brasileiro, precisaria ser um jogador botinudo? Esse não foi o caso do ex-jogador que defendeu as cores do Grêmio, Botafogo, Benfica-POR, Flamengo, Vasco entre outros clubes brasileiros. Batemos um papo com o ex-jogador Jamir.

Blog – Quem é hoje o ex-jogador Jamir?

– Adotei a Cidade do Rio de Janeiro, como a minha segunda casa, pois eu sou do Sul do Brasil… Hoje em dia, sou sócio de uma empresa no ramo de criação de mídias digitais… Também estou me organizando para retornar a faculdade de educação física. Pretendo trabalhar como Personal Trainer nas academias ou particular.

Jamir fala sobre as dificuldades do início da sua carreira, conta também sobre as conquistas pelo Grêmio e Botafogo, fala da passagem pelo Flamengo, sobre a sua chegada ao Vasco de forma inusitada e sobre a ida para o futebol Português. Destaca também o encerramento da carreira.

Blog – Como foi o início da sua carreira como atleta profissional?

– Sou de Uruguaiana, cidade fronteira com a Argentina. Eu jogava bola na rua, logo em seguida fui para uma escolinha local chamada Guarani, onde dei os meus primeiros chutes… Meus irmãos jogavam como profissionais no São José e, num determinado momento, recebi o convite dos dirigentes deste clube para fazer parte das categorias de base. Aceitei e, passei a treinar todos os dias… Em um torneio, jogamos contra o Grêmio e, recebi o convite para defender o Grêmio… Daí em diante começou a minha carreira, onde me profissionalizei. O Grêmio é um clube que eu guardo no meu coração com muito carinho.

Blog – E foi no Grêmio que você surgiu para o cenário nacional, inclusive conquistando a Copa do Brasil. Como foi a sua passagem pelo Grêmio?

– Desde que cheguei ao Grêmio, praticamente fui campeão de tudo que disputamos nas categorias de base… Eu sempre joguei numa categoria acima da minha… Aos 18 anos já estava no profissional, onde participei de três finais de Copas do Brasil… Uma contra o Criciúma (onde perdemos), em 1993, contra o Cruzeiro (perdemos) e a outra em 1994, contra o Ceará (fomos campeões)… Em 1993, fui campeão gaúcho, um título que tem uma importância muito grande… O Grêmio foi a minha vida. Dos 13 aos 20 anos, foram muitas emoções, muitos bons momentos que eu guardo para sempre.

FOTO: Jamir no Grêmio

FOTO: Jamir no Grêmio

Blog – Logo após a temporada brilhante no Grêmio, você se transfere para o Botafogo e participa daquela que talvez tenha sido a maior conquista do clube. E, o Jamir no Botafogo, como foi?

– A minha ida para o Botafogo em 1995, foi muito importante para mim. Foi um desafio que apareceu na minha carreira… A minha dedicação, chamou a atenção do treinador Paulo Autuori, que no primeiro jogo do brasileirão, eu já estava no time principal… Marquei o primeiro gol do Botafogo na competição. Então eu tive uma passagem muito boa. Um título de campeão brasileiro, um título importante para o clube e para mim também… Em 1996, conquistamos o Torneio Cidade Maravilhosa e, fiz mais alguns gols pelo Botafogo… Eu tenho a maior honra em lembrar essa minha época no Botafogo… O melhor de tudo foi que, o Botafogo estava desacreditado por todos, eu cresci na temporada junto com o Botafogo.

FOTO: Jamir no Botafogo

FOTO: Jamir no Botafogo

Blog – Já em 1996, por você ter “caído” no gosto do técnico Paulo Autuori (seu técnico no Botafogo), você acaba acertando a sua transferência para o Benfica-POR. Como foi a sua passagem pelo time português? Existiu algum problema de adaptação?

– Ir para o Benfica, foi a realização de um sonho. Jogar em um grande clube da Europa onde vários jogadores atuaram. Isso foi realmente sensacional. Acho que foi um prêmio pela minha temporada no Botafogo… Fiz bons jogos no Benfica, fiz alguns gols… Uma pena não ter dado sequência nesse clube… Não conseguimos ser campeões. A vaidade atrapalhou muito… Houve um desentendimento do Amaral com Nicapanduru (jogador romeno). O Amaral estava no treinamento, e o jogador romeno começou a falar mal dos jogadores brasileiros, e nós, nos desentendemos e eu acabei dando um soco nele. Fomos afastados durante uma semana. Onde surgiu o convite do Flamengo.

Blog – Na temporada seguinte, você regressa ao Brasil e, assina com o Flamengo.

– Vim para o Flamengo com a expectativa muito grande… O Flamengo havia montado o “time dos sonhos”. Romário, Sávio, Caio Ribeiro, Rodrigo Fabri, Zé Roberto, Palinha, Claisson, Fabio Baiano, Jr. Baiano, entre outros… O clube não conseguiu ser campeão. Era muita exigência da torcida, ter um elenco forte e, não conseguir conquistar um campeonato carioca, uma copa do Brasil ou até mesmo um brasileirão. No fim, conseguimos ser campeões da Copa dos Campeões em 1997… Eu tive a oportunidade de jogar com grandes jogadores e, dediquei parte da minha vida ao Flamengo.

FOTO: Jamir no Flamengo

FOTO: Jamir no Flamengo

Blog – Em 2001, você chega ao Vasco de uma forma bem inusitada. Você foi contratado pelo intermédio do Romário?

– A minha ida para o Vasco, foi sensacional… Eu já havia voltado de Portugal e, fiquei alguns meses sem clube. E, como eu havia terminado o contrato com o meu empresário e, eu estava em Porto Alegre, liguei para o “Baixinho” – Romário… Depois de muito bate papo, falei que eu estava sem clube. Isso foi numa quarta-feira, e ele me perguntou se eu poderia ir para o Rio de Janeiro e esperá-lo no portão de São Januário! Na hora, arrumei as malas e fui de avião! Entramos juntos em São Januário, fomos ao vestiário e fui treinar junto com ele! O legal foi que a imprensa não soube de nada (não haviam noticiado nenhuma contratação)… No fim do treino, Romário me disse: “O seu salário é TANTO, está bom pra você”? – sim. Aceitei e, foi assim que entrei no Vasco… Tenho uma admiração muito grande pelo Romário, por tudo que ele fez.

FOTO: Jamir no Vasco

FOTO: Jamir no Vasco

Blog – Depois de deixar o Vasco, você defendeu outros clubes, mas queremos saber como foi o encerramento da sua carreira?

– Decidi encerrar a carreira, com muita tranquilidade… Já havia planos para eu voltar a fazer faculdade e estudar educação física… Quando eu decidi parar, olhei para trás e vi que valeu a pena ter feito todo o sacrifício. No sol, na chuva, doente, com febre, muitas vezes sem receber salários, mas valeu à pena. Pois defendi e honrei a cada clube que joguei. Muitos deles eu me despedi com títulos, pois isso é muito importante na carreira de um jogador.

Agora no papo reto

No papo reto, o ex-jogador Jamir, fala sobre a camisa mais marcante que vestiu, relembra da partida inesquecível, o craque e sua profissão preferida.

Blog – Uma camisa?

– A camisa do Fogão do meu coração.

Blog – Uma partida inesquecível?

– Jogo de ida das oitavas de final da Libertadores de 1996, Botafogo 1 x 1 Grêmio.

Blog – Um craque?

– Romário. Incontestável.

Blog – Agora Jamir, se você não fosse jogador de futebol, qual seria a sua profissão, o que você provavelmente faria da vida?

– Eu gostaria de ser cantor.

Lançamos agora a pergunta bomba

O ex-jogador Jamir, sem medo da pergunta bomba, escala a sua seleção. Todos os convocados atuaram ao seu lado durante toda a sua carreira

Blog – De todos os craques que você jogou, monte uma seleção a sua seleção:

– Michel Preud´homme, Wilson Goiano, Wilson Gotardo, Gonçalves e André Silva; Eu, Denner, Carlos Miguel; Túlio, Renato e Romário;

Agradecemos muito a participação do ex-jogador Jamir em mais um Papo com Boleiro

Blog – Deixe as suas considerações finais sobre a nossa coluna:

– O Papo com Boleiro ele existe para refrescar a memória dos torcedores, vem resgatar épocas gloriosas vividas pelos jogadores junto aos clubes que defenderam, honram e se identificaram com as suas camisas. O Papo com Boleiro trás tudo para a nova geração de torcedores. Foi um prazer enorme participar desse Papo com Boleiro. Desejo sucesso para sempre.

Por: Luiz Otávio Oliveira

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