#PapocomBoleiro “O Artilheiro das Decisões” – Batemos um papo com Nunes



FOTO: Nunes no Flamengo

FOTO: Nunes no Flamengo

“Não existe diferença em jogar no futebol brasileiro e no futebol internacional. Em todos os lugares, a bola é redonda, a grama é verde, a trave é branca e os torcedores vibram…”.

Artilheiro vive de gols e com ele, não foi diferente. Um dos responsáveis pela conquista da Libertadores e do Mundial Interclubes do Flamengo, batemos um papo com o ex-jogador Nunes.

Blog – Quem é hoje o ex-jogador Nunes?

Hoje, eu atuo no ramo alimentício (no SEASA). A empresa abastece todos os supermercados do Rio de Janeiro. Hoje, eu convivo com grandes empresários e isso está sendo uma experiência muito boa.

FOTO: O ex-jogador Nunes está no papo com boleiro de hoje

FOTO: O ex-jogador Nunes está no papo com boleiro de hoje

Com um começo difícil, tendo que ajudar a família, Nunes foi descoberto em um amistoso de entrega de faixas.

Blog – Como foi o início da sua carreira como atleta profissional?

– Sou natural de Feira de Santana-BA, comecei a jogar futebol no (antigo) dente de leite do Fluminense de Ferira de Santana. Eu ajudava muito a minha mãe vender laranja e bolo de aipim na porta do Estádio Joia da Princesa… Num jogo de entrega de faixas entre o Fluminense de Feira e o Flamengo (como eu sempre jogava as preliminares), o pessoal do Flamengo me viu jogando, gostaram do que viram e perguntaram quem eu era… Souberam que eu era o “Joãozinho”, um garoto promissor de Feira de Santana. Imediatamente o pessoal do Flamengo pediu autorização aos meus pais para eu ir fazer uns testes no Rio de Janeiro, e cheguei ao Flamengo com 12 anos de idade. Fiz toda a minha base do Flamengo.

Já entre os profissionais, Nunes atua pelo maior rival do seu time de coração, conquista o tricampeonato pernambucano, vira ídolo flamenguista, conquista títulos importantes e na época se tornou o único jogador que atuou no futebol nordestino a ser convocado para a seleção brasileira.

Blog – Antes de falarmos do Nunes no Flamengo, você também brilhou no Santa Cruz conquistando três títulos estaduais e atuou também pelo Fluminense, maior rival do Flamengo. Como foram esses momentos na sua carreira?

– Em 1975, “estourei” no futebol pernambucano. Fui campeão pelo Santa Cruz. Foi no Santa Cruz que cheguei a seleção brasileira. Na época, eu havia sido o único nordestino a ser convocado para a seleção brasileira. Só não participei da copa do mundo da Argentina devido a uma contusão… Nesse mesmo ano (1978), já existiam alguns clubes interessados em meu passe…

FOTO: Nunes no Santa Cruz

FOTO: Nunes no Santa Cruz

Mas, fui jogar pelo Fluminense. Quem comprou o meu passe foi a Transportadora Dom Vital, cujo dono desta empresa era o vice-presidente de futebol do Fluminense… Naquela época, o meu passe estava avaliado em 12 “milhões de Cruzeiros”, havia sido a maior transação do futebol brasileiro, eu vivia um grande momento. Tive um carinho e respeito muito grande com o Fluminense. Passei uma época muito boa, depois me transferi para o futebol mexicano.

FOTO: Nunes no Fluminense

FOTO: Nunes no Fluminense

Blog – Já no Flamengo, você foi considerado o “Artilheiro das Decisões”. Como foi a sua passagem pelo Flamengo, no momento em que você realizou o seu sonho de criança?

– O meu retorno para a Gávea (agora como profissional), foi muito bacana… Havia acabado a temporada no futebol mexicano e a pedido do presidente do time do México, fui jogar alguns jogos de exibição nos EUA (na Cidade de Huston), no time do Uacanis, foi quando recebi uma ligação do professor Cláudio Coutinho (havíamos trabalhado juntos na seleção), me convidando para voltar ao Brasil e jogar pelo Flamengo. Aceitei na hora. O Presidente do Flamengo acertou a minha transferência, comprei a minha passagem e voltei para o Flamengo a pedido do treinador Cláudio Coutinho… Com todo respeito aos clubes que defendi, mas eu estava defendendo o meu clube de coração, por isso eu digo que era um astral diferente… Sempre foi o meu sonho, meu objetivo, jogar no Flamengo, no Maracanã… Fui muito bem recebido pelos meus companheiros e o nosso grupo fez a diferença, não só conquistamos a Libertadores, como também o título do Mundial.

FOTO: Nunes no Flamengo

FOTO: Nunes no Flamengo

Blog – Você também jogou no México e em El-Salvador?  Como foi o Nunes no futebol exterior?

– Foram experiências inesquecíveis… Realizei um sonho de jogar na Europa… Joguei em Portugal, no México, nos EUA e em El-Salvador. Foram bons trabalhos. Nunca tive problemas com adaptação…  O profissional tem que estar preparado para jogar em qualquer lugar, nós temos que jogar bola (risos)… Na minha opinião, não existe diferença em jogar no futebol brasileiro e no futebol internacional. “Em todos os lugares, a bola é redonda, a grama é verde, a trave é branca e os torcedores vibram…”.

Blog – É certo que, em um certo momento da sua passagem pelo Flamengo, você perdeu um pouco de espaço e com isso, você buscou respirar novos ares. Como foi o Nunes fora do Flamengo, defendendo outros clubes?  Algum desses clubes marcou a sua carreira?

– Quando você passa uma boa parte da vida com dedicação ao clube de coração, com muito profissionalismo, com muito carinho e respeito e, aí você deixa o clube, você fica um pouco triste. Mas, eu procurei ser o mais profissional possível. Joguei no: Olaria, no Mesquita, no Volta Redonda, no Flamengo de Varginha, em tantos clubes que eu procurei respeitar e fazer tudo com simplicidade. A coisa mais importante que um atleta de futebol tem que ter é o respeito e a dignidade para com os próximos. Isso eu aprendi com o meu pai… Mas fui bem realizado profissionalmente… Hoje, estou preparado para ser um treinador profissional, estudei para isso, mas tirei como lição, todos os clubes que defendi.

Blog – Nunes na seleção brasileira?

– Foi algo muito bom e, muito positivo… Fui o único jogador da época do futebol Norte e Nordeste a ser convocado para a seleção brasileira para a preparação da Copa do Mundo de 1978, na Argentina… Fui convocado como o reserva do Reinaldo e, fizemos uma disputa pela vaga, de forma sadia e com muito respeito… Com muito trabalho, conquistei a titularidade e o Reinaldo havia me dado todo o apoio… Fizemos a preparação para a Copa dentro do nosso país contra algumas seleções dos nossos Estados. Jogamos contra algumas seleções da Europa: França, Inglaterra e Alemanha. Jogamos contra dois times da Itália e da Arábia Saudita. Nessa preparação, me tornei o artilheiro da seleção brasileira… Mas, infelizmente, num treinamento, eu sofri uma contusão e fui cortado. Eu não tive o prazer de participar de uma Copa do Mundo, mas fiquei feliz em ter participado desse grupo maravilhoso.

Blog – Como foi o encerramento da sua carreira?

– Quando eu percebi que estava chegando a hora de parar de jogar, já fui me preparando… Eu já sabia que não teria mais aquele assédio da imprensa e da torcida todos os dias… Mas, hoje eu sou um ex-jogador que tenho uma história criada no futebol. Por isso hoje, eu tenho a consciência muito tranquila que fiz o melhor pelo futebol e pela minha profissão… O que me faz uma pessoa muito tranquila também é saber que, enquanto eu joguei pelo Flamengo, decidi a maioria dos títulos conquistados pelo Flamengo… Sinto-me feliz porque hoje sou uma pessoa pública e parece que ainda jogo futebol, porque por onde eu passo, dou autógrafos e tiro fotos com os torcedores. Isso é muito legal.

De dispensas do clube de coração, a treinamentos exaustivos com os ídolos para não deixar de fazer gols. Nunes fala sobre algumas curiosidades da sua carreira.

Blog – Certa vez ao ser dispensado do Flamengo ainda nas categorias de base, você chegou a dizer que se o Flamengo lhe quisesse de volta, teria que desembolsar uma grana. E realmente isso aconteceu. O que passou pela sua cabeça nessa época?

– Essa informação procede… Quando eu estourei a idade da base no Flamengo, eu não fui aproveitado. Existia ainda uma incerteza sobre o meu futuro no futebol… No Flamengo tinham os centroavantes: Durval, Caio Cambalhota e Dionísio, então dificilmente eu teria uma oportunidade nesse elenco profissional… O Flamengo decidiu me dispensar e me dar o meu passe… Fui indicado para jogar no Confiança-SE. Em menos de dois meses no futebol sergipano, só “dava o Nunes” (risos)… Aperfeiçoava-me a cada dia.

Blog – Pra você não existia gol feio, feio era não fazer gols?

– Com certeza, feio era não fazer o gol… Para o centroavante é a pior coisa que existe estar cara a cara com o goleiro e perder o gol, isso é feio… Por isso eu acho muito importante treinar os fundamentos, eu aprendi isso desde garoto… No Flamengo, eu treinava muito com o Zico, Tita, Adílio, Lico e Júlio César, nós treinávamos muito várias jogadas ensaiadas.

O ex-jogador Nunes, entra agora no Papo Reto:

Blog – Uma partida inesquecível?

– A decisão do campeonato brasileiro de 1980, Flamengo x Atlético-MG no Maracanã.

Blog – Um gol inesquecível?

– O gol do título de 1980. Foi o terceiro gol. Foi o gol da conquista do primeiro título nacional do Flamengo.

Blog – As conquistas da Libertadores e do Mundial pelo Flamengo:

– Representou tudo na minha carreira. Nós tínhamos a convicção de que para conquistarmos esses títulos, tínhamos primeiro que conquistar o título estadual, em seguida o título nacional e, assim alcançaríamos os nossos objetivos: Libertadores e Mundial Interclubes.

Blog – No futebol de hoje, teria espaço para o Nunes de ontem?

– Com certeza… Eu sempre fui um jogador veloz. O futebol na minha época, já era rápido… É claro que o condicionamento físico de hoje, é muito diferente, o futebol está mais rápido… No futebol de hoje, eu não teria nenhuma dificuldade.

Blog – Com todos os investimentos feitos hoje pela atual diretoria do Flamengo, você acredita que esse time está próximo de chegar perto daquele Flamengo campeão mundial ou ainda falta muita coisa?

– Essa atual diretoria, está fazendo uma boa administração. Agora no futebol, dentro de campo, está deixando a desejar… A esperança de conquistar a Libertadores nesse ano era muito grande, mas com a eliminação, eu espero que o Flamengo se encontre o mais rápido possível… Agora para a próxima Libertadores, tem que haver um planejamento melhor. Com um plantel mais qualificado, já está na hora do Flamengo conquistar uma Libertadores e chegar a uma decisão de um Mundial.

Lançamos a pergunta bomba para o “Artilheiro das Decisões”:

Blog – Agora, escale a seleção do Nunes:

– Raul; Leandro, Marinho, Mozert e Júnior; Andrade, Tita, Adílio; Zico, Lico e Nunes;

Chegamos ao final de mais um Papo com Boleiro.

Blog – Deixe as suas considerações finais sobre a nossa coluna:

– Foi uma honra participar do papo com boleiro. Fiquei muito a vontade nessa entrevista, pude esclarecer todas as dúvidas dos leitores e foi uma alegria participar desta coluna. Espero que a cada dia essa coluna seja um sucesso, fazendo entrevistas com outros ídolos, foi uma honra. Saudações rubro-negra.

Por: Luiz Otávio Oliveira

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