#PapocomBoleiro – Batemos um papo com o ex-goleiro Fábio Noronha



FOTO: O ex-goleiro Fabio Noronha está no Papo com Boleiro de hoje

“O jogo inesquecível foi Flamengo e Bayern. Meu primeiro jogo como profissional do Flamengo, no torneio na Malásia”.

FOTO: O ex-goleiro Fabio Noronha está no Papo com Boleiro de hoje

FOTO: O ex-goleiro Fabio Noronha está no Papo com Boleiro de hoje

Vida de goleiro não é nada fácil. Quando a sua equipe ganha, ele não é lembrado, mas quando a derrota vem, ele com certeza é um dos culpados.

Batemos um papo com o ex-goleiro Fábio Noronha de Oliveira. Nascido no Rio de Janeiro, Fabio Noronha, começou nas divisões de base do Flamengo e chegou a defender as bases da seleção brasileira.

Blog – Quem é hoje o ex-goleiro Fábio Noronha?

– Eu parei de jogar, mais ou menos um ano e, queria me estruturar para poder voltar ao futebol com tranquilidade… Eu, minha esposa e o meu sócio, abrimos um salão de beleza no Centro do Rio. A minha esposa fica responsável pelo salão e, com isso, pude voltar ao futebol com tranquilidade… Por eu ser apaixonado pela minha posição, quis voltar como treinador de goleiros… Eu comecei a agarrar com cinco anos de idade e, costumo dizer que eu nasci goleiro… O Gilberto (ex-lateral do Flamengo, seleção brasileira) gerente de futebol do América-RJ, me convidou para ser preparador de goleiros do sub-20 no América-RJ, eu aceitei essa proposta, porque é isso que eu quero para a minha vida. É esse caminho que eu quero seguir… Na parte extra campo (empresário), também estou bem realizado.

O EX-GOLEIRO CONTA UM POUCO SOBRE A SUA TRAJETÓRIA NO FUTEBOL

Blog – Como foi o inicio da sua carreira com atleta profissional?

– Em 1987, cheguei ao Flamengo com 11 anos de idade para fazer um teste e, na mesma hora passei nesse teste e lá fiquei até 1998, então foram 11 anos só de Flamengo… Nesses 11 anos, fui convocado para todas as seleções de base, disputei três mundiais: um sub-17 e dois sub-20, e com 17 anos eu assinei o meu primeiro contrato profissional com o Flamengo.

FOTO: Fabio Noronha no Flamengo

FOTO: Fabio Noronha no Flamengo

Blog – Em 1997, você troca o Flamengo pelo Fluminense, qual foi o motivo dessa troca? E, como foi a sua passagem pelo tricolor das Laranjeiras?

– Nessa época, eu estava suspenso. Foi num jogo da Copa do Brasil: Rio Branco x Flamengo no Acre. Uma indisciplina minha, eu peguei uma suspensão de quatro meses. Continuei treinando no Flamengo, mas devido a esta suspensão, eu não pude jogar nenhuma partida oficial… Nesse meio tempo, surgiu o Fluminense que vivia uma situação muito difícil no campeonato (de seis partidas restantes o Fluminense tinha que ganhar cinco) e, me veio à proposta para defender o Fluminense nesses seis jogos. E, no fim do ano, retornaria para o Flamengo… Infelizmente, nesses seis jogos, nós não conseguimos a permanência, mas nesses seis jogos, eu fui o melhor em campo em cinco jogos. Com isso, o Fluminense ao final do contrato, depositou o valor do meu passe junto a Federação… Daí em diante, passei a ser jogador do Fluminense, mas a princípio, a proposta que havia me chagado, foi que eu seria emprestado para o Fluminense e ao final do empréstimo, eu retornaria o Flamengo, pois terminaria a minha suspensão.

FOTO: Fabio Noronha no Fluminense

FOTO: Fabio Noronha no Fluminense

Blog – O goleiro Fábio Noronha, defendeu também as metas do futebol internacional. Como você construiu a sua carreira fora do Brasil?

– Foram duas temporadas na Turquia e duas temporadas na China… Eu tenho muito orgulho disso, mesmo que não muito longa, a minha passagem no futebol do exterior (eu fui o segundo goleiro a jogar no futebol da Turquia) foi importantíssima… Embora eu não tenha sido um goleiro de uma estatura grande, mas no futebol turco isso não era muito exigido. Na Turquia, o meu contrato era de quatro anos, mas a única contusão que eu tive em campo durante toda a minha carreira foi na Turquia, eu operei o meu joelho lá mesmo. Então, rescindi o meu contrato e vim fazer o tratamento aqui no Brasil… E os dois anos na China, que ainda não era esse mercado tão forte como é hoje, mas foi um aprendizado, um momento importante na minha carreira, foi crescimento profissional… Eu tenho muito orgulho de ter construído parte da minha carreira no futebol do exterior.

Blog – Nas metas do América-RJ, você teve uma passagem vitoriosa? O que representou o América-RJ na sua carreira?

– O carinho que eu tenho pelo América-RJ é muito grande… Em 2006, foi a primeira vez que defendi o América-RJ, o Jorginho era o treinador e o Ailton era o auxiliar técnico… Conseguimos chegar a final da Taça Guanabara (perdemos a final para o Botafogo no Maracanã) e, chegamos a semifinal da Taça Rio… A empatia e o carinho que a torcida teve comigo e a forma respeitosa que o clube me tratou, me fez ter um carinho muito especial por isso tudo… Em 2013, eu voltei. Onde também o América-RJ estava em uma situação difícil, na segunda divisão do campeonato carioca. Não subimos por um pequeno detalhe. A situação financeira do clube era muito difícil, foram meses de salários atrasados. E hoje, eu regresso ao América-RJ, a convite do Gilberto. O meu início como treinador de goleiros, está sendo no América-RJ. O clube me deu toda estrutura para desenvolver o meu trabalho… Eu só tenho a agradecer a diretoria e aos torcedores, pois o carinho é recíproco.

FOTO: Fabio Noronha no América-RJ

FOTO: Fabio Noronha no América-RJ

Blog – Fabio Noronha na seleção brasileira:

– Foram 92 convocações para seleção brasileira da base e uma convocação para a seleção profissional… A convocação para a seleção profissional foi para um amistoso entre: Brasil x Honduras em Goiânia. Professor Zagalo, me deu esse presente… Em 1993, pela seleção sub-20, fomos campeões mundial na Austrália. Eu fui o único goleiro bicampeão mundial sub-20, não existem outros na história… Infelizmente em 1995, perdemos o mundial no Catar, para a Argentina… Com toda essa minha história dentro da CBF, eu tenho um sonho e, vou buscá-lo, que é voltar para a seleção, mas, agora como treinador de goleiros. Com muita humildade e tentando aprender a cada dia, eu sei o que eu quero e estou trabalhando muito para isso.

FOTO: Fabio Noronha na seleção brasileira sub-17

FOTO: Fabio Noronha na seleção brasileira sub-17

Blog – Como foi o encerramento da sua carreira?

– Eu já estava preparando a minha cabeça para esse momento, sabia que um dia chegaria… O primeiro ano, após o encerramento foi bem difícil. A saudade era muito grande… Eu tive que me estruturar extracampo para não depender apenas do futebol. Essa transição não foi fácil, pensei em até em voltar a jogar… Hoje, eu sou totalmente feliz nessa minha nova caminhada. Eu tenho um prazer imenso em ir a campo e passar para os meus goleiros toda a minha experiência… Tudo aconteceu no momento certo.

O EX-GOLERIO FALA SOBRE ALGUMAS CURIOSIDADES NA SUA CARREIRA

Blog – Vida de goleiro é muito difícil e, não conheço um goleiro que não tenha “engolido um frango”. E você?

– Para mim, existe uma diferença entre o “frango” e a falha. O “frango” é quando aquela bola totalmente defensável passa por debaixo da sua perna e fica muito feio. Eu sempre fui muito cobrado sobre o posicionamento correto. Então, de verdade, eu não me lembro de um lance de “frango” para falar… Agora, é claro que como goleiro, algumas falhas eu cometi sim… Na final da Copa Centro-Oeste, eu estava no Gama-DF, e na final contra o Goiás no Estádio Serrada Dourada, o Wilson Goiano (lateral), me atrasou uma bola (naquele gramado que parecia um tapete), eu olhei para frente e fui dominar a bola e sair jogando, só que existia um buraco justamente onde eu estava. A bola resvalou no buraco e tocou no bico da minha chuteira, a bola foi para frente e o atacante do Goiás fez o gol. E perdemos o título.

Blog – Um fato inusitado na sua carreira?

– Eu considero inusitado o jeito que eu fui convocado para a seleção profissional, no amistoso em Goiânia… Eu estava me apresentando na seleção sub-20, em Teresópolis, para a preparação do mundial do Catar em 1995… Na seleção principal, os convocados para o amistoso eram: o Carlos Germano e o Danrlei, mas o Eurico não havia liberado o Carlos Germano, então o Zagallo tomou conhecimento desta notícia (da não liberação do Carlos Germano). Na mesma hora, ele (Zagallo) desconvocou o Germano e sabendo que a seleção sub-20 estava se apresentado junto com a profissional no mesmo aeroporto, me convocou para a seleção principal… Eu só tive que subir um lance de escada rolante e embarcar em direção a Goiânia e defender a seleção no amistoso.

AGORA O PAPO É RETO

Blog – A defesa mais difícil da sua carreira e a mais importante?

– A mais difícil foi no jogo entre América-RJ e Cabofriense em 2013. E, a mais importante foi no Torneio de Toulon na França. Depois de nove meses parado devido a um acidente de carro, muita gente achou que eu não conseguiria voltar aos gramados, mas o professor Toninho Barroso me convocou e ainda defendi dois pênaltis na final e fomos campeões do torneio.

Blog – Uma camisa?

– Vou citar três: Flamengo, América-RJ e o América de Teófilo Otoni.

Blog – Um treinador?

– Guardo esses nomes: Professor Júlio César Leal e o professor Jairo Leal. O treinador de goleiros Júlio Reis e não posso deixar de citar o Gilmar Estevão.

Blog – Uma partida inesquecível?

– O jogo inesquecível foi Flamengo e Bayern. Meu primeiro jogo como profissional do Flamengo, no torneio na Malásia.

AGORA LANÇAMOS A PERGUNTA BOMBA

Blog – De todas as equipes que você defendeu, escale a sua seleção. A camisa 1 é sua:

– Fabio Noronha, Paulo César (Fluminense), Gélson Baresi (Flamengo), Ronaldão (Flamengo) e Serginho (Flamengo); Zé Elias (seleção), Emerson (Fluminense), Adriano (seleção sub-17) e Djalminha (Flamengo sub-20); Romário e Sávio (Flamengo);

Blog – Deixe para os nossos leitores, as suas considerações finais sobre a nossa coluna:

– Eu quero parabenizar vocês por essa iniciativa em nos dar espaço para falar sobre os nossos momentos dentro de campo. Agradeço pela lembrança, no meio de tantas feras que já participaram do papo com boleiro. Eu acompanho pela internet. Eu já era um leitor da coluna e, agora, sou ainda mais fã. Continue assim, esse trabalho é muito importante.

Por: Luiz Otávio Oliveira

Facebook: @papocomboleirolance / @aimprensacarioca

Twitter: @papocomboleiro / @lotaviooliveira

E-mail: papocomboleiro@gmail.com



MaisRecentes

Um vencedor dentro e fora dos gramados – Batemos um papo com Geovani



Continue Lendo

Batemos um papo com Yan – Uma joia da geração de ouro do Vasco



Continue Lendo

Batemos um papo com Mário Motta – O loiro Mário do Palmeiras, América-RJ, Internacional, Corinthians e outros



Continue Lendo