O volante costuma ser acusado de falta de talento e criatividade. Mas será verdade?



Nelson Rodrigues, o reacionário preferido dos diretores de teatro moderninhos, escreveu que “qualquer assunto, fora o futebol, já nasce morto”. Essa é a melhor resposta para a platitude “política, religião e futebol não se discute”. Afinal, futebol é política, futebol é religião, mas também é sociologia, antropologia, economia, história, geografia, física e estatística. Mas a discussão aqui será outra.

Qual foi a melhor dupla de ‘volantes’, campeã do mundo?”

“Responsável pela primeira marcação aos atacantes adversários e também pela cobertura dos alas, que cada dia vão para o campo inimigo mais cedo e por mais tempo.”

Zito e Didi juntos na seleção – foto: site pinterest

Didi e Zito

Didi

Pode ser definido pelos dois apelidos que ganhou do escritor Nelson Rodrigues. Era o “Príncipe Etíope”, pela rara elegância, beleza e frieza de seu jogo, e a “Mãe dos Pernas-de-Pau”, porque com seus passes longos, precisos e geniais transformava atacantes comuns em goleadores implacáveis. Já para a imprensa internacional, Didi, jogador cerebral, cérebro das equipes, era “Mr. Football”.

Didi na seleção – foto: diário Lance

Gênio incompreendido, acusado de dormir em campo, de só jogar quando queria. Mas foi na seleção brasileira, durante as eliminatórias da Copa de Mundo de 1958, que o meia virou ídolo nacional. Faltavam oito minutos para acabar o jogo contra o Peru, no Maracanã. Persistindo o 0 x 0, a vaga iria para sorteio. Didi cobrou uma falta para o Brasil. Quando o goleiro já via a bola ir passando por cima do travessão, ela caiu de repente, dentro do gol.

Era a “folha-seca”, um chute cheio de efeito com a marca registrada de Didi. Depois, veio a consagração internacional. Titular absoluto e líder incontestável da seleção brasileira que venceu o mundial da Suécia, em meio a feras como Pelé, Garrincha e Zito, Didi foi apontado por muitos como o melhor jogador da Copa.

Zito

Quando preciso, dava duras broncas até em Pelé, mesmo quando o Rei do Futebol já era famoso. Nunca foi um grande lançador, nem tinha um chute forte. Embora tenha entrado para a história como um extraordinário desarmador, Zito foi um craque completo, que também sabia criar jogadas.

Didi na seleção – foto: blog do Terceiro Tempo

Na seleção brasileira, Zito estreou em 1956, pelas mãos do técnico Oswaldo Brandão. Seria bicampeão mundial, em 1958 e 1962, e também participaria da Copa do Mundo de 1966.

Seu único gol pela seleção foi na Copa de 1962, contra a antiga Tchecoslováquia. Depois de receber um cruzamento de Amarildo, Zito cabeceou direto para o gol. A partida foi vencida pelo Brasil por 3 a 1.

Clodoaldo e Gérson

Clodoaldo e Gérson na seleção – site: memorias do futebol

Clodoaldo

Logo que Zito abandonou a camisa 5 do Santos, em 1968, despontava no time principal um garoto à altura para substituí-lo. Hábil, criativo, bom marcador e eficiente nas jogadas de ataque, ele se chamava Clodoaldo. Já vinha jogando desde o ano anterior, em que o time também foi campeão.

E chegaria a 510 partidas com a camisa do clube, marcando treze gols. Com Clodoaldo no time, vieram os títulos de 1967, 1968 e 1969 e a sua consequente convocação para a seleção brasileira que disputaria o Mundial de 1970. A campanha do tri no México, aliás, foi um divisor de águas na carreira de Clodoaldo.

Na semifinal, contra o Uruguai, foi dele o gol de empate, recebendo um passe de Tostão depois de uma bela penetração pelo lado esquerdo da área. Dessa maneira, Clodoaldo ajudou a afastar definitivamente o fantasma que perseguia os brasileiros desde 1950. Na final, contra a Itália, ele abusou e acabou provocando o gol de empate dos italianos, tentando fazer uma jogada de efeito e entregando a bola de presente ao adversário.

Mas, com o jogo já ganho por 3 x 1, Clodoaldo jogou para a torcida, driblando uma série de jogadores italianos no meio de campo, na jogada que acabou originando o quarto gol brasileiro, de Carlos Alberto. Quando voltou da Copa, Clodoaldo estava consagrado. Era, por unanimidade, o melhor da posição no país.

Clodoaldo e Gérson na seleção – site: memorias do futebol

Gérson

Ele tinha muitos defeitos. Só chutava com o pé esquerdo, mexia-se pouco e não sabia cabecear. Em compensação, ninguém até hoje conseguiu lançar uma bola do jeito que Gérson lançava. Colocá-la no peito de um companheiro distante 30, 40 metros, para ele era fichinha.

E sempre com a perna esquerda, a “canhotinha de ouro”, que o consagrou. Gérson também sabia bater faltas com muito veneno e orientava a colocação dos companheiros como se fosse um técnico dentro de campo.

Participou também da seleção olímpica que esteve em Roma, em 1960. Gérson participa de sua primeira Copa do Mundo em 1966, na Inglaterra. A campanha ficou na história como uma decepção para os brasileiros, que gostariam de ver o caneco erguido pela terceira vez consecutiva. Mas quatro anos mais tarde Gérson seria figura-chave do tricampeonato, no México e se consagraria mundialmente.

Seus lançamentos para Pelé e Jairzinho foram uma das principais marcas daquela Copa. Na final, ele ainda deixou sua marca com um belíssimo gol de fora da área, o segundo contra a Itália.

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