Exclusivo no Papo com Boleiro – Batemos um papo com o atacante Silvio do Wil 1900 da Suíça



O futebol brasileiro é, talvez, quem mais exporta jogadores. E entre os vários nomes conhecidos há aqueles que nem jogaram profissionalmente no país, como Jorginho do Chelsea e Rodrigo Guth da Atalanta, e que pouco atuaram, como Fernando, hoje no Shakhtar, mas que fez apenas um jogo pelo Palmeiras.

Foto: Divulgação da assessoria

Desde 2005 na Europa, o atacante Silvio fez toda a carreira no Velho Continente. Com passagens pelo futebol suíço, alemão e austríaco, o brasileiro agora concilia a carreira de atleta com os estudos para se tornar treinador.

“Entre meus planos para o futuro está ser treinador. Estou fazendo o curso da UEFA, mas ainda levará uns três anos para eu concluir. Quem sabe eu volto para o Brasil como técnico?”.

Natural de Maringá, Silvio deixou a casa dos pais para morar em Lages, na casa da irmã, aos 17 anos. Aprovado nos testes do Inter, o atacante ia assinar contrato com o clube, mas foi convidado para passar alguns dias no Santos.

“Cheguei lá como meia e fui aprovado como lateral. Nos treinamentos voltei a ser atacante porque eu sempre avançava e fazia gols, então o treinador me deslocou”, contou o brasileiro.

O que parecia ser uma carreira promissora no Alvinegro Praiano acabou não acontecendo.

“Tive algumas lesões e fiquei um tempo sem jogar. Quando voltei a Copa São Paulo já estava próxima e não fui inscrito. Aí decidi deixar o clube”.

Quando saiu do Santos, Silvio se transferiu para o Atlético Sorocaba, mas ficou pouco tempo. De malas prontas para assinar com o Moto Clube, do Maranhão, o empresário suíço Dino Lamberti (da FPA Fairplay Agency), por indicação de seu treinador do Santos, entrou em contato para levá-lo à Europa.

“Topei na hora. Mesmo sendo um centro menos midiático, eu sabia que a Suíça seria uma ótima oportunidade de crescer e ter uma vida melhor. Aqui é um lugar extraordinário para viver. Indico aqui para quem quiser ter sua primeira oportunidade no exterior.”

O que hoje é uma vida estável, com esposa e filhas nascidas no país, no começo foi difícil. Quando chegou à Europa, Silvio assinou com o Wil 1900, clube que fica na parte alemã.

“O começo foi bem complicado porque eu não falava alemão. Comi muito spaghetti porque era a única palavra que eles entendiam. To até enjoado (risos). Aos poucos fui me adaptando e entendendo a cultura. Só spaghetti que procuro evitar ainda (risos)”, contou.

Poucos sabem, mas na Suíça há quatro idiomas oficiais: alemão, francês, italiano e o romanche. Por conta das transferências, Silvio aprendeu a falar com fluência outras línguas.

“O futebol me proporcionou fazer um giro pelo país. O Wil 1900 fica na parte alemã. Depois joguei pelo FC Zurich, onde fui campeão nacional, e depois para o Lugano, na parte italiana. Quando defendi o Lousanne, pude aprender o francês. Ainda fiquei duas temporadas no Union Berlin, da Alemanha”.

No país tetracampeão mundial, Silvio disputou a Bundesliga 2, a segunda divisão nacional, e teve contato com uma das ligas mais bem organizadas do planeta.

“Mesmo não sendo a elite, pude ver que o futebol lá é de outro mundo. Os estádios estão sempre cheios e nossos treinamentos tinham 10, 15 repórteres para fazer a cobertura. Talvez pudesse ter conseguido jogar na primeira divisão, fiz gols importantes e vieram scouts do Colônia e do Hertha Berlin para me avaliar, mas tive uma lesão que me afastou e no final não consegui recuperar minha forma física”.

Foto: Divulgação da assessoria

Silvio foi titular na maioria dos jogos em terras germânicas. Porém, ao perder espaço para a temporada 2013/204, optou, junto de sua esposa, por aceitar a proposta de um time modesto da Áustria, o Wolfsberger AC. O fato de morar em um país semelhante à Suíça pesou na decisão.

“Já tínhamos duas filhas pequenas e a mudança não seria drástica para a adaptação delas. Ficamos dois anos e meio lá e fui feliz dentro e fora de campo. Terminamos em 4º lugar na liga, vencemos os grandes (Red Bull Salzburg, Sturm Graz e Austria Viena) e fomos à Liga Europa”.

Foi na competição continental que o brasileiro enfrentou o poderoso Borussia Dortmund de Marcos Reus, Shinji Kagawa, Gundogan e Aubameyang. Na fase preliminar, os times fizeram dois jogos. O primeiro na Áustria terminou 1 a 0 para os alemães. Satisfeitos com o placar, a equipe de Silvio acreditou ser possível realizar uma façanha dentro do Signal Iduna Park, mas acabaram derrotados por 5 a 0.

“Foram dois jogos muito difíceis que eu quase não vi a cor da bola. Nossa equipe não conseguia criar e quando a bola chegava já tinha dois grandes zagueiros me marcando. O Sokratis (hoje no Arsenal) apertava e a cobertura era feita pelo Hummels (atualmente no Bayern de Munique). Com certeza estes foram os zagueiros mais difíceis que enfrentei. Foi muito legal jogar em um estádio com 75 mil pessoas”, revelou Silvio.

Foto: Divulgação da assessoria

Ao fim da temporada 15/16, Silvio decidiu que era hora de voltar para casa. Brasil? Não! Suíça! Já com 30 anos, o atacante recebeu proposta para jogar a segunda divisão local pelo Winterthur. Foram duas temporadas na equipe e o convite para voltar ao clubes que lhe abriu as postas da Europa.

“Chegou uma hora que precisei optar por seguir jogando a elite ou no bem estar da minha família. Aí decidimos deixar a Áustria e voltar para casa. Fui muito feliz no clube e foram dois anos muito bons para mim. Pra atual temporada o Wil 1900 me quis de volta e aceitei. Tenho mais um ano e meio de contrato, mas não sei até quando vou jogar. Estou estudando pensando no futuro, mas só deixarei os campos quando sentir que não estou sendo útil”.

Todos estes anos na Europa, vindo ao Brasil apenas nas férias, deixou a carreia de Silvio com um ‘espaço em branco’. Poder jogar em seu país natal é algo que ele provavelmente não conseguirá realizar. Mas já esteve perto de dois clubes da Série A do Campeonato Brasileiro.

“Chegou um momento na minha carreira que eu senti vontade de voltar. Tive propostas do Sport e da Chapecoense, mas não deram certo. O tempo foi passando e hoje aos 33 anos acho difícil aparecer algo interessante do Brasil.”

Na atual temporada, o brasileiro soma quatro gols em nove partidas pelo Wil 1900. O clube está na liderança da Challenge League, a segunda divisão local. Além de Silvio, o clube conta com Zé Eduardo, volante revelado pelo Cruzeiro e com passagem pelo Parma, e Gabriel Passos, ex-Barra (SC).

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