Ele teve o privilégio de ser contratado a pedido do baixinho Romário – Batemos um papo com o ex-jogador Alex Oliveira



Ele foi um meia-esquerda, que atuou no futebol carioca, mineiro, paranaense e por aí vai pelo Brasil.

Foto: Alex Oliveira está no Papo com Boleiro de hoje

Foto: Alex Oliveira está no Papo com Boleiro de hoje

Contratado a pedido do Baixinho Romário para Jogar no Fluminense e chegou ao Vasco com o apoio de Antônio Lopes, campeão paranaense pelo Furacão, mesmo sem ter sido contratado com o aval do Abelão.

A BIOGRAFIA DO EX-BOLEIRO

Alex de Oliveira Freitas, mais conhecido como Alex de Oliveira. Nascido em Barra Mansa-RJ, no dia 21 de janeiro de 1974, é um ex-boleiro que atualmente exerce a função de treinador de futebol.

ALEX OLIVEIRA FALA SOBRE O COMEÇO E TODA A TRAJETÓRIA DA SUA CARREIRA

PAPO – Quem foi e quem é hoje o boleiro Alex Oliveira?

BOLEIRO – Sempre fui muito atleta, um boleiro muito ligado à família. Sempre fui muito profissional, muito amigo, uma pessoa alto astral… Sempre busquei o melhor da vida… Hoje sou treinador de futebol.

PAPO – Como foi o início da sua carreira como boleiro?

Foto: Alex Oliveira no Paulista de Jundiaí-SP

Foto: Alex Oliveira no Paulista de Jundiaí-SP

BOLEIRO – Comecei a minha carreira no Paulista de Jundiaí-SP… Cheguei a Jundiaí com 16 anos em 1991… A minha carreira começou de forma muito inusitada. Eu saí de Volta Redonda (minha cidade natal), para fazer um teste no Paulista… Nesse dia, a minha categoria (juvenil), estava fazendo um torneio fora da cidade, por isso não havia treinador algum para nos avaliar (Alex e outros atletas) naquele momento… O treinador da equipe profissional naquela época era o professor Cidinho, que por coincidência, estava dando treino para os profissionais e faltaram alguns jogadores para completar o coletivo. Por não termos feito os devidos testes, estávamos no refeitório para almoçarmos, quando o professor Cidinho perguntou para o seu auxiliar: “Quem são esses dois meninos que estão almoçando?” perguntou o professor Cidinho. “São meninos que vieram fazer uns testes no juvenil”. Respondeu o auxiliar. “Eles trouxeram materiais de treino… chuteiras, cações e etc…?” perguntou o professor. “Trouxeram sim, vieram de Volta Redonda para os testes e terão que ir embora…” respondeu o auxiliar… “Avisa para eles se trocarem que hoje eles irão jogar aqui conosco…” afirmou o professor Cidinho… E assim foi feito, jogamos e demos o nosso melhor… Logo após este treinamento, o professor Cidinho pediu ao presidente do Paulista a nossa contratação. Começando aí, a minha trajetória como boleiro.

PAPO – Depois de uma passagem rápida pelo Atlético-MG, você se transfere para o Atlético-PR. Você participa da conquista do campeonato paranaense. Como foi essa sua passagem pelo Furacão?

BOLEIRO – Fui emprestado para o Bragantino, fiz uma ótima temporada e devido a isso, fui para o Atlético-MG emprestado pelo Paulista. Foi no Galo mineiro que conheci o grande ídolo da minha carreira, um homem que eu aprendi a respeitar, um homem que abriu as portas de sua casa para a minha família. Esse homem foi o Taffarel. Mas, no Atlético-MG não deu certo e fui parar no outro Atlético, só que no paranaense (também por empréstimo). Cheguei ao clube sem o aval do Abelão (treinador na época), mas conseguimos ser campeões estaduais. Por não ter tido a aprovação do treinador, Abel reuniu-se comigo, com o Tuta e com o Wilson (todos nós havíamos vindo do Paulista), e falou: “Eu não conheço vocês… Vocês estão aqui no clube por uma transação entre os presidentes dos clubes… Então, para ficar aqui comigo, terão que treinar e jogar muito, porque eu sou muito exigente”… Isso mexeu comigo de um jeito que me fez treinar muito mais do que o normal para provar ao Abel que eu era capaz.

PAPO – Logo após a sua bela passagem pelo Atlético-PR, você se transfere para o Vasco, conquistando o campeonato brasileiro e a Mercosul. Na sua análise, como foi essa sua passagem pelo Vasco?

Foto: Alex Oliveira campeão pelo Vasco da Gama

Foto: Alex Oliveira campeão pelo Vasco da Gama

BOLEIRO – A minha chegada ao Vasco, também não foi nada normal… Em um jogo entre o Atlético-PR e Vasco, o Vasco venceu a partida por 1 x 2, e eu havia feito o único gol pelo Atlético. O Vasco na época precisava contratar um meia-esquerda devido à contusão do Pedrinho e nisso fui indicado pelo Paulo Miranda tendo passado boas referências ao técnico Antônio Lopes. Paulo Miranda havia jogado comigo no Furacão e havia sido contratado pelo Vasco. Foi no Vasco que me tornei Alex Oliveira.

PAPO – Em 2001, você é contratado pelo Bahia e conquista o campeonato baiano e a Copa do Nordeste. Como foi essa sua passagem pelo Bahia?

BOLEIRO – Foi muito importante na minha carreira… Fui muito bem recebido pelo treinador do Bahia o Evaristo de Macedo. As conquistas se abrilhantaram na época, porque o time do Bahia não tinha nenhum grande craque, éramos um time de operários… Desde 1988, que o time do Bahia não havia chegado tão longe em uma competição nacional como havíamos chegado naquele ano… O melhor jogo foi àquela final da Copa do Nordeste contra o Sport Recife, que tinha Zetti, Eliomar e CIA.

PAPO – Após o seu sucesso no futebol Nordestino, em 2002, você regressa para o Vasco, mas não permanece no elenco é emprestado para a Ponte Preta. Porém, não permanece na Ponte e se transfere para o Fluminense. Você chega ao Fluminense a pedido do Romário. Como foi para você essa sua passagem pelo Fluminense?

Foto: Alex Oliveira no Fluminense

Foto: Alex Oliveira no Fluminense

BOLEIRO – Cheguei ao Fluminense já com seis meses de salários atrasados (três meses do Vasco e três meses do Bahia). A minha ida para o Fluminense teve a bênção do Baixinho Romário… No último jogo entre Ponte Preta e Fluminense (eu estava na Ponte Preta), e ainda em campo o Baixinho me fala: “Aí peixe, você vai jogar aonde ano que vem?”, e eu lhe respondi que não sabia ainda. Então ele me fala: “Assim que acabar o jogo, passa lá no vestiário e pega o meu telefone, porque ano que vem onde eu jogar, você estará ao meu lado!”… Não deu outra, depois de rejeitar várias propostas, liguei para o Baixinho e me disse firmemente: “Peixe, essa noite vou jantar com uma pessoa e vamos decidir o nosso futuro, fique tranquilo, para onde eu for, você irá comigo”. No dia seguinte, um dirigente do Fluminense me ligou me pedindo para apresentar-me nas Laranjeiras.

PAPO – Alex, é chegada a hora de você atuar no futebol europeu. Você chega ao OFI Creta da Grécia. O que aconteceu na Grécia que você não ficou até o fim do seu contrato?

BOLEIRO – Isso foi em 2004… A parte desportiva estava indo muito bem. No clube eu já havia praticamente me adaptado aos companheiros… Mas, fora de campo eu não estava feliz. A Grécia é um país muito difícil de morar, uma cultura bem diferente. Fui vítima de racismo por duas vezes. Mesmo tendo um contrato de três anos, quando terminou o primeiro ano de contrato, conversei com o presidente (até chorou) e lhe informei que não iria mais permanecer no clube por esses motivos.

PAPO – Você regressa ao Brasil para jogar no Brasiliense e conquista o título estadual. Como foi para você Alex, conquistar um título estadual logo após o seu regresso ao Brasil?

Foto: Alex Oliveira no Brasiliense

Foto: Alex Oliveira no Brasiliense

BOLEIRO – Voltar ao Brasil na época já havia sido muito bom… Quando eu regresso ao Brasil, a ideia primeiramente seria para atuar no São Caetano, porém, o técnico na época era o Zetti, que de imediato vetou a minha contratação… Acabei indo para o Brasiliense que tinha como treinador o Edinho. Que pediu de imediato a minha contratação quando soube que eu não havia acertado com o São Caetano. No Brasiliense joguei ao lado do Oseas, Vampeta e Marcelinho Carioca.

PAPO – Depois da conquista do campeonato estadual pelo Brasiliense, você se transfere para o Santa Cruz. Mas as transferências não param. Do Santa Cruz você é transferido para o Remo, logo após o Vila Nova, chegando ao Paulista, vai para o ABC-RN, Madureira Paysandu, Goiânia até chegar ao Iporá (onde você encerra a sua carreira). Por que você atuou por tantos clubes em tão pouco tempo?

BOLEIRO – Essas transferências em suas épocas, já se davam para conta do encerramento da carreira… No Santa Cruz, fui muito bem recebido e respeitado por todos, foi sensacional…

Foto: Alex Oliveira no Santa Cruz

Foto: Alex Oliveira no Santa Cruz

Já no Remo, foi inesquecível, cheguei bem no segundo semestre e o time que estava na zona de rebaixamento, conseguimos escapara da degola. Fiz 14 jogos e 10 gols…

Foto: Alex Oliveira no Remo

Foto: Alex Oliveira no Remo

No ABC, devido às lesões que tive, não consegui jogar e render 100%… No Vila Nova de Goiás, cheguei por escolha da própria torcida. Na época a Federação goiana inovou e contratou 12 jogadores, um para cada time do campeonato. E as torcidas escolheriam quais os jogadores seriam cedidos para os clubes. Senti-me muito honrado em ter sido escolhido pela torcida do Vila e retribui dentro de campo. Conseguimos o acesso da série C para a série B…

Foto: Alex Oliveira no Vila Nova-GO

Foto: Alex Oliveira no Vila Nova-GO

Já nos outros clubes, fui apenas para ajudar alguns amigos. Não obtive muitos destaques.

PAPO – Como foi essa transição na sua carreira. Quando você sai do status de jogador para treinador:

Foto: Alex Oliveira agora como treinador

Foto: Alex Oliveira agora como treinador

BOLEIRO – Já… Estava tudo muito bem planejado… Nos últimos clubes que passei, eu já havia começado a vislumbrar a possibilidade de parar de jogar e virar treinador de futebol… Não foi fácil. Eu procuro estudar muito, tantos os treinadores do Brasil quanto os de fora… Quero agora me aprimorar para ser um treinador de ponta.

PAPO – Como foi a sua estreia como treinador do Ceilandense em 2014?

BOLEIRO – Foi uma experiência única… Bate aquela adrenalina. Você fica na expectativa de ver as coisas acontecendo dentro de campo, você ter o respeito dos atletas, ter o respeito da diretoria, confesso que fiquei muito feliz pela experiência vivida… Cheguei a um clube que passava por um momento conturbado, problemas internos, problemas de vestiários, problemas financeiros, todos davam como certo o rebaixamento do clube, inclusive a imprensa… Quando cheguei, tudo mudou.

PAPO – Com a sua passagem pelo comando do Paracatu em 2015 no campeonato brasiliense, pode-se dizer que você hoje possui uma bagagem para treinar um time da série A?

BOLEIRO – Olha, bagagem adquirimos com o passar do tempo… Talvez eu ainda não tenha experiência suficiente para assumir um clube grande da série A, mas um clube pequeno do Rio de Janeiro ou de qualquer outro grande Centro, eu acredito ter condições sim. Eu procuro estudar, me aprimorar a cada dia, eu estou muito “antenado” com tudo que está acontecendo no mundo da bola… Uma coisa é certa, não estou me aventurando como treinador. Eu me preparei bastante para esse desafio. Na hora certa, no momento certo, eu alcançarei o meu objetivo.

PAPO – Qual o estilo do treinador Alex Oliveira?

BOLEIRO – Procuro ser um treinador que gosta de conversar bastante, não acho que consigamos nada na briga, no grito e na força… Procuro aprender sempre com os melhores treinadores do mundo.

PAPO – Alex, conte-nos qual é o seu sonho como treinador?

BOLEIRO – Eu tenho um sonho, um sonho que eu não acredito ser impossível de alcançar… Tenho o sonho de ser treinador da seleção brasileira e quero treinar uma equipe da Europa… Quem disse que um treinador negro não pode ser treinador da seleção brasileira? Quem disse que um treinador brasileiro e negro não pode treinar um clube europeu?

PAPO – Existe algum treinador que você toma como exemplo para seguir a sua carreira?

BOLEIRO – São tantos… Mas, sem demagogia, Abel, Givanildo de Oliveira e o Antônio Lopes, são referências.

BEM DESCONTRAIDO, O EX-BOLEIRO ALEX OLIVEIRA RESPONDE AO PAPO RETO

PAPO – Um craque?

BOLEIRO – Romário… Sem dúvidas.

PAPO – Um jogo marcante na sua carreira?

BOLEIRO – Foram vários… Mas, a virada contra o Palmeiras em SP, não sai da minha cabeça.

PAPO – Qual o melhor time que você mais se identificou?

BOLEIRO – Tive vários clubes no qual eu me identifiquei… Mas, o Vasco foi o time diferenciado que eu joguei.

PAPO – Me fale sobre um fato inusitado que aconteceu na sua carreira:

BOLEIRO – Foi ter descoberto que eu havia feito o gol de número 1000 pelo Fluminense… Na época o Fluminense havia dado o gol 1000 para o Petkovic. Mas, tempos depois o Sportv fez uma matéria com a contagem dos gols do Fluminense e ficou constatado que eu fui o autor do gol 1000 do Fluminense… Foi em um jogo contra o Coritiba… Eu saio do banco para marcar o gol de número 1000… E até hoje, eu não obtive o verdadeiro reconhecimento por parte do Fluminense.

LANÇAMOS A PERGUNTA BOMBA PARA O EX-BOLEIRO

PAPO – Alex, o que falar sobre o atual momento da nossa seleção brasileira. E… Vamos a Copa do mundo?

BOLEIRO – Realmente esta é uma pergunta bomba mesmo… O momento do futebol brasileiro é de descrédito total. A perda de características, perda de identidade… Eu vi a seleção de 1982, jogar e dava gosto de vê-los o jogando… Antigamente, tínhamos dois ou três grandes craques e o resto sendo bons jogadores. Hoje em dia, só temos um craque e o resto são jogadores medianos. Deixamos de produzir grandes craques, deixamos de investir na base… Acho que vamos a Copa sim, mas, com muita dificuldade.

PAPO – A coluna Papo com Boleiro agradece ao ex-boleiro e hoje treinador de futebol Alex Oliveira por ter acreditado em nosso trabalho, pela confiança depositada em nossa coluna em divulgar uma pequena parte de sua história, não só como jogador, mas, também como treinador. Obrigado Alex Oliveira.

Por: Luiz Otávio Oliveira

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E-mail: papocomboleiro@gmail.com



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