Ele tem uma história de amor “Divina” com o Palmeiras – Batemos um papo com Ademir da Guia



“Eram confrontos dificílimos. O Santos FC tinha um ataque sensacional, Durval, Pelé, Coutinho e Pepe, era difícil neutralizar esse ataque…”

FOTO: Ademir da Guia está no Papo com Boleiro de hoje

FOTO: Ademir da Guia está no Papo com Boleiro de hoje

Ele não entrava em campo vestido com um terno da melhor grife, mas mesmo assim atuava de forma elegante. Batemos um papo com o “Filho do Divino”. Ademir da Guia, maior ídolo da história do Palmeiras (SP), nascido no dia 3 de abril de 1942, no Rio de Janeiro (RJ), casado, mora no bairro de Perdizes, zona oeste de São Paulo (SP).

 Blog – Quem é hoje o ex-jogador Ademir da Guia?

– Hoje, com 75 anos, sou morador da Cidade de São Paulo. Estou em atividade com grandes com eventos de futebol, eventos relacionados a jovens, nas lojas do Palmeiras e também com as torcidas do Palmeiras… Tenho ido muito para o interior do Estado, porque o Palmeiras tem muita torcida por lá, que tem um carinho muito grande conosco… Tenho ido aos jogos do Palmeiras no Allianz Parque, alguns jogadores ganharam um camarote, justamente para termos a possibilidade de irmos aos jogos. Cada jogador recebe dois ingressos… Praticamente esse sou eu hoje, continuo no esporte, com uma dedicação muito grande a preparação física, jogando futebol, algo que para mim, é muito bom.

“Filho de Domingos da Guia, grande zagueiro do Bangu (RJ), do Vasco (RJ), Peñarol (Uruguai), Boca Juniors (Argentina) e Corinthians, Ademir foi um dos mais geniais meio-campistas-campistas do futebol brasileiro em todos os tempos”.

O ex-boleiro Ademir de Guia conta um pouco sobre a sua carreira

Blog – Como foi o início da sua carreira como atleta profissional? Foi no mesmo Bangu onde jogaram o seu pai e o seu tio?

– Todos nós começamos no Bangu. Joguei dois anos no Bangu, 57/58 no infantil, um ano no juvenil (1959), fomos campeões cariocas, em 1960, cheguei aos aspirantes. Nessa época, o Bangu, participou do seu primeiro torneio internacional (O Torneio de Nova York) e, em agosto de 1961, o Palmeiras me contratou.

FOTO: Ademir da Guia e os companheiros do Bangu

FOTO: Ademir da Guia e os companheiros do Bangu

Blog – Em 1961, você chega ao Palmeiras (na época era Academia), onde formou o célebre meio-de-campo com o Dudu, sendo cinco vezes campeão Brasileiro, cinco vezes campeão Paulista e tem a impressionante marca de 901 jogos disputados, 153 gols marcados e dezenas de títulos conquistados, entre campeonatos oficiais e torneios amistosos nacionais e internacionais. Conte-nos como foi a sua trajetória no Academia/Palmeiras?

– Realmente, eu joguei com o Dudu durante 12 anos. Quando comecei no Palmeiras, estavam jogando o Zequinha e o Chinesinho, mas já tínhamos um grande time. Tinha o Djalma Santos, o Valdir no gol, o Geraldo Scotto, o Chinesinho, o Julinho, o Vavá e o Américo. Então, esse era o time do Palmeiras, time esse que havia sido campeão em 1959… E em 1972, com a chegada do Brandão, o time ficou mais forte ainda… Fomos bicampeões brasileiro, um time realmente inesquecível… Eu acho que a minha passagem pelo Palmeiras, foi muito vitoriosa, naquela época haviam muitas equipes boas… Eu acredito que para ter uma boa equipe (como nós tínhamos), tínhamos que ter uma boa defesa, um bom goleiro e, um conjunto muito bom… Nesses 102 anos de clube, eu joguei 103 jogos e, me tornei o jogador que mais atuou com a camisa do Palmeiras.

FOTO: Ademir da Guia no Palmeiras na Taça Brasil

FOTO: Ademir da Guia no Palmeiras na Taça Brasil

Blog – Graças a você e aos demais jogadores da Academia, o Palmeiras foi um dos únicos times brasileiros a fazer frente ao Santos FC de Pelé. Durante a sua passagem pelo alviverde, o clube paulistano foi pentacampeão brasileiro. Também se não fosse o Palmeiras, o Santos FC teria sido campeão paulista onze vezes seguidas. Como você definiria esse confronto contra o Santos FC de Pelé?

– Eram confrontos dificílimos. O Santos FC tinha um ataque sensacional, Durval, Pelé, Coutinho e Pepe, era difícil neutralizar esse ataque… Naquela época, o campeonato Paulista era muito importante e, fomos campeões em 1965, ganhamos o RJ/SP em 1967, foi daí que começamos a tirar esses títulos do Santos FC. Às vezes ganhávamos outros títulos que eram disputados fora do nosso Estado, mas o time do Santos FC era sem dúvida alguma, o melhor daquela época.

FOTO: Ademir da Guia e o Rei Pelé

FOTO: Ademir da Guia e o Rei Pelé

Seleção Brasileira

Blog – Você é tido como um dos craques mais injustiçados da história do futebol brasileiro, pois durante toda a sua longa carreira, foi convocado apenas 14 vezes para a seleção e disputou apenas uma partida em Copas do Mundo, em 1974, quando o Brasil já estava desclassificado. Na disputa pelo 3º lugar contra a Polônia. O que você tem a dizer sobre isso Ademir?

– Na seleção brasileira, realmente nunca tive uma boa oportunidade. Eu sempre busquei uma vaga, porque o meu pai jogou na Copa do Mundo da França de 1938… Consegui essa convocação em 1974, mas não consegui jogar. O Zagalo (treinador) havia me dito que o Riva (Rivelino) era o titular, porque ele havia jogado muito bem na Copa de 70, inclusive fomos campeões do mundo, e prontamente eu lhe disse: “Zagalo, se eu puder ajudar, estaremos juntos no grupo”. E, foi isso que aconteceu. Joguei apenas esse jogo contra a Polônia… Mas, entrei, joguei e, para mim esse momento foi muito importante. Não guardo mágoa alguma sobre esse momento, não me acho injustiçado, temos que aceitar as decisões dos treinadores, um colega meu jogou em meu lugar, torci por ele… Dediquei a minha vida profissional mais ao Palmeiras.

FOTO: Ademir da Guia na seleção brasileira

FOTO: Ademir da Guia na seleção brasileira

Blog – Como foi o encerramento da sua carreira? Você aceitou bem esse momento ou houve alguma dificuldade em aceitar a aposentadoria?

– Em 1976, fomos campeões paulista. E, no ano de 1977, eu tive um problema de respiração e, por isso precisei parar de jogar… Parei, fiz uma cirurgia no nariz, operei novamente e, um ano depois eu não consegui ficar bom para voltar a jogar futebol de forma profissional… Aos 35 anos, jogando bem, acredito que poderia jogar mais uns quatro anos, mas devido a esse problema, parei e, não tive escolha, não tive nem uma data definida para fazer a minha despedida dos gramados, tive que parar assim mesmo, às presas.

FOTO: Ademir da Guia no Master do Palmeiras

FOTO: Ademir da Guia no Master do Palmeiras

O ex-jogador Ademir da Guia fala sobre algumas curiosidades da sua carreira

Blog – Conte-nos sobre um fato inusitado na sua carreira:

– O primeiro confronto contra o Santos FC., a primeira coisa que eu fiz foi correr e abraçar o Rei Pelé.

Blog – Você foi classificado pela crítica especializada como um dos melhores jogadores do futebol brasileiro de todos os tempos. Pela classe com que jogava, herdou parte do apelido de seu pai, Domingos da Guia, o “Divino Mestre” e passou a ser chamado de “Divino”. O seu tio, Ladislau da Guia (maior artilheiro do Bangu) também está incluso na família “Divino”. Conte-nos um pouco sobre o estilo da família “Divino”:

– Eu não consegui ver o meu pai e nem o meu tio jogarem profissionalmente. Eu ainda consegui ver um pouquinho o meu pai jogando nos veteranos do Bangu, mas o que eu herdei do meu pai, foi a técnica… Ele jogando na zaga e eu, um pouquinho mais para frente… Me adaptei jogando melhor do meio para o ataque e meu pai, do meio para a zaga, mas isso foi desde criança, eu sempre joguei dessa forma… Herdei também o nome do “Divino”. Quando eu cheguei ao Palmeiras, os jornais diziam que o Palmeiras havia contratado o filho do “Divino Mestre”, isso foi muito importante para mim.

Agora o papo é reto

Blog – Uma partida inesquecível?

– Foi em 1974, final do campeonato paulista, no Morumbi, Palmeiras x Corinthians, com 120 mil pessoas assistindo a nossa vitória por 1 x 0, com um gol de Ronaldo. Esse jogo está na memória não só dos torcedores, mas também dos jogadores daquela partida.

FOTO: Ademir da Guia contra o Corinthians de Rivelino

FOTO: Ademir da Guia contra o Corinthians de Rivelino

Blog – Um gol muito importante na sua carreira?

– Foi numa partida no Pacaembu, em abril de 1977, eu fiz dois gols contra a Portuguesa de Desportos, o primeiro gol foi muito importante.

Blog – Um craque?

– Pelé e Garrincha.

Blog – O Palmeiras de hoje é…?

– Palmeiras de hoje, tem um grande elenco. É um time que se armou para ser campeão. Eu acredito que o Palmeiras estará em várias finais, tem um estádio espetacular, tem uma torcida que apoia muito. Por isso acredito que esse time ainda dará muitas alegrias aos torcedores.

Blog – A Academia/Palmeiras de ontem foi…?

– Academia teve um momento de grandes jogadores, época de se ganhar títulos. Com a chegada do Brandão em 1972, 1973, 1974 e 1975, ficamos mais de 50 jogos invictos, conseguimos dar muitas alegrias aos nossos torcedores. Foi uma época muito gloriosa.

Lançamos a pergunta bomba

Blog – Qual é a seleção do Ademir da Guia?

– Gilmar, Djalma Santos, Luís Pereira, Geraldo Scotto e Nilton Santos, Ademir da Guia, Dudu; Jair da Rosa Pinto, Rodrigues, Garrincha, Zizinho e Pelé;

Blog – Deixe as suas considerações finais sobre a nossa coluna:

– Eu acho que foi uma entrevista muito boa, embora eu não tenha conseguido lembrar de muita coisa, mas fico muito feliz em poder participar, contar um pouco do que aconteceu no passado, isso é muito bom. Poder transmitir tudo àquilo que nos aconteceu no passado, muitas alegrias, muitas conquistas, isso é muito importante. Então eu agradeço essa oportunidade, espero ter contribuído bastante no Papo com Boleiro.

Por: Luiz Otavio Oliveira

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