Ele jogou em seis clubes, Seleção Brasileira e dirigiu 37 times do Brasil e do exterior – Batemos um papo com Carbone



Ele jogou em seis clubes, na Seleção Brasileira e já dirigiu 37 times do Brasil e do exterior. No início de 2006, foi contratado para dirigir um time do Irã, esteve na África e voltou ao Brasil em 2011. O Papo com Boleiro de hoje é com o ex-boleiro Carbone.

Foto: arquivo pessoal do ex-boleiro Carbone

Foto: arquivo pessoal do ex-boleiro Carbone

A BIOGRAFIA DO EX-BOLEIRO

Carbone, o José Luiz Carbone, nascido em São Paulo no dia 22 de março de 1946, cinco filhos, dois casamentos e cinco netos, tem residência em Campinas (SP), no bairro Ponte Preta, e é um dos profissionais mais experientes do nosso futebol.

PAPO  Quem foi o boleiro Carbone? Qual era o estilo do treinador Carbone? E, quem é hoje o Carbone?

BOLEIRO – Eu fui uma criança que queria ser jogador de futebol, talvez influenciado pelo tio Carbone, que jogava no Corinthians. Poderia ter feito teste para jogar no Corinthians, mais perto de casa, mas nunca quis ficar na sombra do tio, já famoso. Queria vencer no futebol por meus próprios méritos.

Estilo de treinador: Como dito acima eu decidi que eu seria treinador do meu jeito. Além disso, toda a experiência que tive como jogador foi usada com meus jogadores, principalmente as experiências negativas. Nunca fiz com meus jogadores o que não gostei que fizeram comigo.

Quem é hoje o Carbone: Hoje, estou no segundo casamento, completando bodas de pérolas (30 anos), tenho mais duas filhas, a Brunela e a Marcela, também tenho cinco netos: o João Vitor e o Bernardo (do Rodrigo); o Raul, o João e o Théo (da Brunela), vivo em Campinas, cidade que adotei como minha desde 1984 quando treinei a Ponte Preta, realizo um sonho de quando estava encerrando a carreira de jogador que é ser comentarista esportivo na Rádio Brasil de Campinas. Não conclui a faculdade de jornalismo, minha vida tomou outro rumo, o que foi muito bom e enriquecedor para a minha vida e no momento estou exercendo a profissão que escolhi e gosto.

O EX-BOLEIRO FALA SOBRE OS CLUBES QUE DEFENDEU

Ele começou no São Paulo em 1963, passou por Ponte Preta em 1966; pelo Metropol de Criciúma-SC em 1968; no Inter-RS jogou de 1969 a 1973, onde foi brilhante; no Botafogo do Rio de 1973 a 1979 e parou no Nacional Atlético Clube, jogando de 1980 a 1982, quando encerrou a carreira.

PAPO – Em 1963, você dá início a sua carreira profissional no São Paulo FC. Como foi o início da sua carreira atuando pelo tricolor paulista?

BOLEIRO – Comecei ainda menino no São Paulo (16 anos) com muita dificuldade ia para o treino, pois acordava às 5h da manhã, ganhava um copo de gemada da mãe Leonor, para enfrentar 3 horas de viagem até o treino.

Primeiro andava 1 km para pegar ônibus na zona leste de São Paulo, normalmente ia em pé, descia na Avenida Ipiranga no Centro para pegar o ônibus elétrico, também lotado, para ir até o Jardim Europa onde passada uma “perua” para pegar os jogadores que não tinham carro para leva-los até o Morumbi.

Caso perdesse a “perua” sempre tinha um jogador que passava por ali para dar carona para os retardatários.

Um dia, ao pegar o ônibus elétrico que estava muito lotado, acabei ficando pendurado na porta e um carro passou muito rente e acabou batendo no meu corpo e rasgando toda minha calça.

Num outro dia eu estava em pé no ônibus e um rapaz sentado lendo a página de esportes de um jornal e a foto, de meia página, era eu… Me sentia tão feliz que queria dizer pro ônibus inteiro que era eu ali no jornal.

No juvenil do São Paulo tive a companhia de meus irmãos José Roberto Carbone e José Cláudio Carbone, ambos bons jogadores e tinham todas as condições e chances de profissionalização, mas eles não quiseram sair da cidade de São Paulo, assim somente eu segui carreira.

O Técnico José Poy me deu chance no time profissional do São Paulo com 18 anos e tive a honra de jogar contra o Santos marcando Pelé, nesse jogo eu fiz um gol, e o Pelé não fez nenhum.

Tive como companheiros Penachio, Ucha, Elcio, Santinho, Allan com quem sempre mantive boa amizade.

PAPO – Já em 1966, você acerta a sua transferência para a Ponte Preta. O que dizer sobre a sua passagem pelo time de Campinas?

BOLEIRO – Não chegando à condição de titular do time do São Paulo, em 1966 fui para a Ponte Preta, convidado por Poy, o São Paulo me emprestou, na Ponte foi onde assinei meu primeiro contrato profissional e, óbvio, comprei o meu carro, um Simca Chambort, sob muito protesto do técnico Poy.

A Ponte Preta, que estava na segunda divisão, era um time formado por jogadores veteranos e os jovens eram os três que vieram do São Paulo: eu, Adenir e Valter Zum Zum.

Terminando o empréstimo voltei para o São Paulo, porém sofri um estiramento de ligamentos do joelho e fui obrigado a ficar com a perna toda gessada durante dois meses e mais um ano de tratamento para recuperar. Passei muito tempo só treinando.

Em 1968, o Tenente (ex jogador do Metropol de Criciúma) me indicou para a diretoria e eles emprestaram o meu passe.

PAPO – Você jogou pelo Metropol de Criciúma-SC em 1968, como descrever esse momento da sua carreira?

BOLEIRO – No Metropol tive uma passagem muito feliz, disputávamos a taça Brasil, eu era o melhor jogador do time, naquele ano eliminamos o Paraná, o Grêmio e fomos para a final com o Botafogo do Rio.

Senhor João o treinador do Metropol, uma pessoa muito bacana, disse que precisava me tirar para testar uns outros jogadores, mas não poderia me tirar do time porque a torcida ia reclamar então me pediu para fingir uma contusão. No segundo tempo, com mais ou menos cinco minutos de jogo eu caí e saí da partida. Na segunda cheguei ao clube, peguei meu chinelinho e uma toalha e fui para a banheira. O senhor João veio me mandar ir pro treino, mas eu disse a ele que sai machucado do jogo por isso precisava me recuperar falando pra ele – “pô seu João, já que a gente precisa mentir, vamos mentir direito” -. Ele riu, brincou comigo e me deixou na banheira.

Em Criciúma morávamos com vários jogadores numa casa, tinha uma escala na qual cada jogador tinha um dia para arrumar a mesa para o jantar, servir a comida e depois limpar a mesa.

Tínhamos horário para nos recolher e uma pessoa, o senhor Argemiro, que cuidava para que todos estivessem nos seus quartos.

PAPO – Em 1969, você chega ao Internacional de Porto Alegre, onde permanece até 1973. Como foi a sua passagem pelo Colorado?

Foto: Carbone no Internacional-RS

Foto: Carbone no Internacional-RS

BOLEIRO – Em 1969, eu volto para o São Paulo, mas como tinha sido eleito o melhor jogador de Santa Catarina naquele ano o Internacional de Porto Alegre veio para me levar. O São Paulo me emprestou. Depois de seis meses o Internacional comprou meu passe, pois eu tinha sido considerado o melhor jogador do Internacional nesse tempo.

O Daltro Menezes, treinador do Internacional, insistiu bastante pra que eu fosse jogar no Internacional e sou muito grato a ele por tudo.

Em 1970, me casei e fixei residência do Sul, minha primeira filha nasceu em 1971, em Porto Alegre.

Todo o tempo que fiquei no Internacional (1969 a 1973), fui titular absoluto do time chegando a ser pentacampeão do campeonato gaúcho.

Fui convocado para a Seleção Brasileira, fizemos excursão por nove países.

Ao voltar para o Internacional, o treinador Dino Sani me colocou no banco, eu não gostei, pois tinha acabado de chegar da seleção e achava que tinha que ter meu lugar no time e comecei agitar para sair.

No Internacional tive amigos que guardo para a vida como Carpegiani, Tovar, Sérgio, Bráulio, Escurinho, Gainete, Falcão.

Alguns times se interessaram por comprar o meu passe, mas foi o Botafogo que me levou.

PAPO – No mesmo ano você acerta a sua transferência para o Botafogo do RJ, permanecendo até 1979 (clube que mais defendeu). O que você conta sobre a sua passagem pelo Alvinegro carioca?

Foto: Carbone no Botafogo

Foto: Carbone no Botafogo

BOLEIRO – O Sargentelli foi fazer um show com suas mulatas em Porto Alegre e ficou encarregado de falar comigo e com o Internacional, acabou dando certo e fui morar no Rio de Janeiro.

No Rio, nasceu meu filho Rodrigo em 1974. Quando ele nasceu eu estava concentrado com a seleção brasileira, no Retiro dos Padres em Joá, no Rio de Janeiro, fui pedir para não ir na segunda de manhã, porque minha esposa estava sozinha no hospital, mas um supervisor não gostou que eu não fui treinar.

A concentração da seleção era contínua e ficávamos à disposição  por mais ou menos cinco meses, tendo apenas o domingo de folga.

Foto: Carbone no Botafogo

Foto: Carbone no Botafogo

Fizemos vários amistosos, joguei quase todos, porque o Clodoaldo estava machucado.

Num jogo comemorativo pelo aniversário de São Paulo em 1974, eu jogava pela seleção carioca e fui eleito o melhor jogador em campo.

Foto: Carbone na seleção carioca

Foto: Carbone na seleção carioca

Apesar de tudo, pouco antes de embarcar para a copa, o Zagalo chegou um dia no meu quarto e me disse: – “olha, você sabe que vai ter corte e você está cortado”- e simplesmente fechou a porta.

Foi uma celeuma na mídia porque eu fui considerado o melhor jogador em campo em quase todos os amistosos, além disso, eu era o único reserva do Clodoaldo e ninguém entendia esse corte, muito menos eu. Fiquei muito magoado.

Quando voltei para a minha casa a minha filha, de três anos, estava com uma tesoura tentando cortar a cara do Zagalo numa revista.

PAPO – Entre 1973 e 1974, você vestiu a camisa da seleção brasileira. Fazendo sete jogos. Qual foi a emoção de vestir a camisa amarelinha?

Foto: Carbone na seleção brasileira

Foto: Carbone na seleção brasileira

BOLEIRO – Voltei a treinar e jogar pelo Botafogo, porém, quando terminou a Copa do Mundo, o Zagalo, que era treinador do Botafogo voltou e eu fui para o banco.

Nessa época eu e vários jogadores fundamos o Sindicato dos Atletas e eu era diretor. Quando conversava com os jogadores no campo o Zagalo me disse que era pra eu ir conversar no sindicato e não no campo, com a péssima relação com o treinador acabei saindo emprestado para o Grêmio de Porto Alegre onde não tive uma boa passagem, pois me machuquei, ficando apenas três meses.

Voltei para o Botafogo, com o Zagalo lá ainda eu só treinava, não jogava.

Em 1976, com 30 anos, entrei na faculdade de Jornalismo porque eu queria ser comentarista esportivo.

Em 1977 nasceu minha terceira filha, a Gabriela, em São Paulo, eu ainda continuava morando no Rio, treinando no Botafogo.

Em 1979 terminou o meu contrato com o Botafogo, como eu não jogava eu queria sair.

Houveram propostas de times do nordeste para me levar, mas eu não quis ir. O Botafogo, para me manter como “patrimônio” deles teria que me pagar um real a mais do que eu ganhava, porém, o Botafogo não quis me manter no time e me deu o passe livre.

PAPO – Foi em 1982 que você encerrou a sua carreira, jogando pelo Nacional Atlético Clube, cores que você defendeu desde 1980. Como foi a sua passagem pelo Nacional? E como foi encerrar a carreira de jogador e ao mesmo tempo dar início a carreira de treinador na equipe em que você se despediu dos gramados?

BOLEIRO – Com o passe livre eu fui jogar no Nacional de São Paulo, próximo da minha família, foram três anos jogando no Nacional, quando o corpo esfriava as dores eram intensas, assim, como consequência natural da profissão comecei a pensar em encerrar a carreira de jogador de futebol (1981).

Foi ali, no Nacional, que fui convidado para ser treinador do juniores (1982). O que aceitei porque ao me transferir para São Paulo não consegui fazer a transferência da faculdade, teria que recomeçar do primeiro ano. Não tinha muita perspectiva de trabalho e estava muito novo (35 anos), pai de três filhos pequenos ainda, precisava trabalhar e apesar de não ter pensado e nem me preparado para ser treinador aceitei a proposta.

O Nacional disputa a taça São Paulo de Futebol Juniores.

Fui demitido do Nacional em novembro/1982 por não aceitar inscrever na Taça São Paulo o filho do diretor Ivo Noal que ainda era Juvenil.

Esse diretor ficou bravo comigo e me disse que eu não seria “ninguém” no futebol porque eu não tinha “jogo de cintura”. Respondi que se tivesse que ter esse tipo de “jogo de cintura” eu é que não queria ser treinador.

Fui treinar o Goitacaz de Campos e logo em seguida fui treinar o Fluminense onde fui campeão carioca (contrariando o que me disse o diretor do Nacional).

Com a vitória no Campeonato Carioca tive a certeza de que estava na profissão certa.

CARBONE TÉCNICO

Como técnico dirigiu: Nacional Atlético Clube, em 1982; Goitacaz de Campos-RJ, em 1983; Fluminense, em 1983 (Campeão Carioca); Fluminense, em 1984 (Campeão Brasileiro, mas foi substituído por Carlos Alberto Parreira nos oito jogos finais); Ponte Preta, de 1984 a 1985; Botafogo, em 1986; Palmeiras, em 1986 (foi Vice-campeão Paulista); Fluminense, em 1987; Guarani, em 1988 (foi novamente Vice-campeão Paulista); foi para o Qatar, também em 1988; Atlético Paranaense, em 1989 (1º semestre); Inter-RS, em 1989 (2ºsemestre); Bahia, em 1990 (1º semestre); Cruzeiro-MG, em 1990 (2º semestre); Criciúma-SC, em 1991 (no lugar de Felipão, que foi para o Grêmio); União São João de Araras-SP, em 1991; Ituano, em 1992; Caldense 1993; Emirados Árabes Unidos, de 1993 a 1995; Sporting Cristal de Lima, Peru, em 1996; Guarani 1996;  Juventus 1997; Fluminense, em 1997; Emirados Árabes Unidos, em 1998; Remo, em 1999 (Campeão Paraense); Remo 2000; Guarani FC, em 2000; Paraná Clube de Curitiba, em 2001; Comercial 2002; Remo 2002; Botafogo de Ribeirão Preto, em 2002; Joinville-SC, em 2003; Blooming de Santa Cruz de La Sierra, da Bolívia, em 2004, Ararat Theeran Iran 2005/2006; Guarani 2007; Ponte Preta 2008 (coordenador técnico); Al Merrik Sudão África 2010.

Foto: Carbone como treinador na Arábia Saudita

Foto: Carbone como treinador na Arábia Saudita

PAPO – Carbone, das equipes que você treinou, qual delas marcou a sua carreira?

BOLEIRO – Não dá para falar de uma só equipe, todas que eu treinei tem boas histórias e marcaram minha carreira, mas posso citar algumas situações que marcaram mais:

FLUMINENSE – Quando fui para o Fluminense os jogadores me acolheram como um amigo chegando e os trabalhos sempre foram gratificantes para todos, até mesmo os treinos táticos (denominados “cháticos”) os jogadores treinavam com alegria. O time era muito bom, o relacionamento era ótimo e culminou com ganhar o Campeonato Carioca. Depois, quando fui demitido os jogadores choravam junto comigo, sem acreditar que eu teria que ir embora.

PONTE PRETA – Time que trabalhei por um ano e quatro meses e que tive melhor relacionamento com a diretoria, tanto que não queriam me demitir depois de várias derrotas e eu acabei entregando o cargo.

BOTAFOGO – Me marcou muito por eu ter jogado muito tempo lá e ser convidado para ser treinador.

PALMEIRAS – Time que mais respeitou o meu trabalho como treinador de futebol, a ponto de ter perdido o campeonato Paulista de 1986 e, ainda assim, renovarem o meu contrato para disputar o campeonato Brasileiro que cumpri quase na íntegra.

GUARANI – Treinei o Guarani quatro vezes, todas foram importantes pra mim, mas a mais emocionante foi em 2007: fui contratado e peguei o time em penúltimo lugar no campeonato Paulista da segunda divisão, no primeiro jogo em Rio Preto perdi de 5 x 0, tirei sete jogadores do time e usei os jogadores da base com ajuda do Cidinho, treinador do juniores. Com esse time conseguimos subir para a primeira divisão num jogo com o São José que ganhamos por 2 x 1, eles fizeram o gol deles a 10 minutos do final do jogo, sem dúvida esses foram os 10 minutos mais longos da minha vida.

SHARJAH – Emirados Árabes fui campeão nos dois campeonatos que disputei, eu já tinha decidido que voltaria para o Brasil e no último jogo a torcida cantava “please dont go” pra mim, foi emocionante. A estada nos Emirados foi muito edificante para a minha carreira e também a experiência com a minha família e amigos que lá viviam foi muito bom.

REMO – Fui campeão do campeonato paraense contra o Paysandu e o que me marcou foi que eu discuti com a torcida e tranquei os portões para impedir a torcida de ficar xingando jogadores no treino, apesar disso, quando voltei a treinar o clube me aplaudiram muito quando entrei em campo. Tive um excelente relacionamento com a comissão técnica e Belém é uma cidade excelente para se viver.

PAPO – Você era a favor das concentrações ou deixava sempre o craque do time dar aquela “escapadinha”?

BOLEIRO – Não fazia distinção. Com relação à concentração ou concentrava todo mundo ou não concentrava ninguém.

A questão da concentração é importante para que o jogador durma bem (de 8 a 10 horas). O sono, antes do jogo, é importantíssimo.

Muitas vezes, em casa, o jogador não consegue dormir  muito bem, seja porque tem filho pequeno que chora à noite ou por outro motivo qualquer.

PAPO – De todos os jogadores que você comandou, qual foi aquele que te deu mais trabalho? E aquele que você não tinha preocupação para entregar a faixa de capitão?

BOLEIRO – Em mais de 30 anos como treinador de Futebol creio que ter problemas mais sérios com apenas seis jogadores (que seguem os casos), demonstra que sempre fui uma pessoa muito aberta ao diálogo com os meus comandados.

Alfinete e Paulo Egídio – Vieram para a Ponte Preta em troca com o Carlos e Abobrão. Eles não chegaram felizes, talvez se sentindo diminuídos por sair do Corinthians e vir para o interior.

Alfinete era bom jogador, mas foi expulso do treino umas oito vezes por indisciplina, na nona vez eu o expulsei do clube, falei com a diretoria que comigo não jogaria mais na Ponte. Importante lembrar que quando eu fui para o Ituano eu pedi para contratar o Alfinete, ele até se assustou, mas veio e foi muito bem no Ituano. Paulo Egídio – foi afastado num jogo contra o Juventus.

Leão – Leão voltou da Seleção Brasileira e eu o coloquei como titular, eu acredito que jogador de seleção tem lugar garantido no time. Ao iniciar o primeiro jogo ele questionou porque não seria o capitão, expliquei que era critério meu e que preferia não ter goleiro como capitão. Ele jogou cinco partidas e foi muito mal. Voltei com o Martorelli no gol. Pouco tempo depois ele foi para o Sport de Recife.

Éder – É um jogador pavio curto, boa pessoa, bom coração, mas num treino ele agrediu fisicamente o preparador físico Lacerda e foi afastado por dois meses, voltou a treinar, porém em seguida foi negociado. Quando fui para o União São João ele jogava lá, achou que teria que sair quando fui contratado, mas fui conversar com ele e ficamos bem, ele jogou comigo lá. Excelente jogador.

Diogo – Uruguaio, lateral direito do Palmeiras, gente boa, mas foi afastado do grupo três vezes porque faltava aos treinos. Contudo, todas as vezes que era afastado os jogadores do grupo pediam a volta do Diogo porque ele era muito querido pelo grupo. Quando um jogador é querido pelo grupo o treinador tem a obrigação de reintegrá-lo.

Luis Carlos Martins (Inter) – Jogador habilidoso, querido pela diretoria, mas indisciplinado foi afastado porque num treino agrediu fisicamente um outro jogador (Marquinhos).

Sem preocupação para ser capitão – Na verdade, o capitão não é o treinador que determina, o capitão normalmente é aquele jogador que tem uma ascendência natural sobre o grupo.

Vagner Bacharel foi, sem dúvida, o jogador que eu mais confiava como capitão, foi meu capitão no Palmeiras e no Guarani. Era uma pessoa incrível, um caráter irretocável, amigo de todos e tinha uma liderança natural com os jogadores.

A RESENHA DE VESTIÁRIO

PAPO – Para você o que era mais difícil dentro de um vestiário quando o seu time estava perdendo. Passar a mensagem quando você era treinador ou assimilar a mensagem como jogador?

BOLEIRO – Como nem todo treinador consegue passar mensagens em momentos difíceis para mim era, sem dúvida, mais difícil assimilar a mensagem como jogador do que passar mensagem sendo treinador.

Eu, como treinador, sempre procurei passar para os meus jogadores mensagens de forma clara, mas óbvio que cada situação, cada jogo é diferente. Muitas vezes a tensão é grande no vestiário e sempre procurei me fazer entender por todos os meus comandados, acredito que tenha conseguido. Minhas preleções sempre foram pensadas, no intervalo sempre procurei passar instruções claras e, depois do jogo, se perdêssemos, proibia qualquer conversa, sempre disse que conversaríamos sobre o jogo no treino seguinte.

PAPO – A expressão “o treinador perdeu o vestiário”, para você ela é verdadeira?

BOLEIRO – Pode acontecer, já tive treinadores de “perderam o vestiário”. Comigo nunca aconteceu.

Sempre tive atenção dos meus jogadores.

Até mesmo jogadores que não estavam lista da convocação para o jogo era chamado por mim que fazia questão de conversar e dizer para o jogador porque ele não foi convocado.

Acho que o grande papel do treinador é passar confiança ao jogador e essa confiança é conquistada nos pequenos detalhes da convivência do dia a dia.

PAPO – Um fato inusitado na sua carreira (jogador ou treinador):

BOLEIRO – Idahor, um nigeriano que era meu jogador no Sudão, sofreu um infarto num jogo, foi levado ao hospital, mas não resistiu.

AGORA O PAPO É RETO

PAPO – Um craque (de qualquer época)?

BOLEIRO – Pelé

PAPO – Uma conquista?

BOLEIRO – Campeão Carioca de 1983 pelo Fluminense

PAPO – Uma camisa?

BOLEIRO – Internacional de Porto Alegre

PAPO – Aquela equipe inesquecível que você jogou e treinou?

BOLEIRO – Botafogo do Rio de Janeiro

PAPO – Uma partida de futebol que você participou (como jogador ou treinador)?

BOLEIRO – Seleção Gaúcha x Seleção Brasileira (fiz um gol) 1972, o maior público do Estádio Beira Rio, as duas torcidas rivais do Sul juntas torcendo para a Seleção Gaúcha

AGORA LANÇAMOS A PERGUNTA BOMBA

PAPO – De todos os craques que você jogou e treinou, monte agora a nossa seleção brasileira:

BOLEIRO – Taffarel, Nelinho, Figueroa, Ricardo Gomes e Roberto Carlos; Falcão, Paulo Cesar Carpegiani e Alemão (Botafogo); Dicá, Evair e Whashington (Fluminense);

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BOLEIRO – É muito interessante saber das histórias dos gramados que normalmente não são divulgadas no dia a dia do jornal e esta coluna cumpre muito bem o papel de mostrar aos leitores um pouco da realidade dos profissionais da bola. Me sinto honrado por ser convidado para participar. Parabéns a vocês!

Por: Luiz Otávio Oliveira

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E-mail: papocomboleiro@gmail.com

 



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