Ele “derrubou” o Boca Jr dentro da La Bombonera – Batemos um papo com o ex-zagueiro Tinho



O nosso papo de hoje é com Wellington Feitosa Queiroz, ou apenas Tinho. Nascido em Campos dos Goytacazes – RJ, Tinho é um ex-boleiro, que atuava como zagueiro e ficou conhecido como “zagueiro-artilheiro”.

O ex-zagueiro Tinho no Papo com Boleiro de hoje

O ex-zagueiro Tinho no Papo com Boleiro de hoje

Ele foi além de capitão, foi um líder nato em todas as equipes por onde passou. Tinho teve vários momentos marcantes dentro do futebol brasileiro, como: a conquista do tricampeonato pelo Vasco da Gama, o acesso do Santa Cruz para a série B e a vitória do Paysandu sobre o Boca Jr., em pleno La Bomboneira na Argentina.

PAPO – Quem foi e quem é hoje o ex-boleiro Tinho? E como foi o começo de sua carreira?

BOLEIRO – Fui zagueiro do Vasco, Santa Cruz, Portuguesa–SP, Paysandu… Comecei a minha carreira no Goytacaz FC–Campos, onde joguei dos 13 aos 19 anos… Fui para o Vasco, onde permaneci por quase 10 anos… Depois da minha saída, fui para o futebol árabe… Logo Após recebi uma proposta para jogar no Santa Cruz-PE, passei pela Portuguesa-SP, Sport Recife, América-RJ e encerrei a minha carreira no Paysandu… Após o encerramento da minha carreira em 1993, com o futebol entranhado na minha veia, me formei como treinador e hoje sou o responsável pelo Master do CRVG.

PAPO – Como foi para você ser o líder da equipe vascaína na conquista da copa São Paulo de futebol de juniores?

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Foto: os zagueiros Tinho e Alex Pinho, campeões da copa São Paulo Jr.

BOLEIRO – Nós tivemos uma geração de lideres… Assumir a responsabilidade de liderança era o meu perfil… Por todos os clubes que passei, fui um líder dentro de campo (com a exceção do futebol árabe)… Para mim foi uma experiência marcante que me ajudou a dar continuidade na minha carreira de atleta de futebol.

PAPO – Tinho, em 1992, você é promovido ao profissional do Vasco e conquista o tricampeonato carioca 92/93/94. Como foram essas conquistas para você?

Foto: Tinho tricampeão carioca com o Vasco

Foto: Tinho tricampeão carioca com o Vasco

BOLEIRO – Foi muito marcante… Quando saio do Goytacaz e chego ao Vasco, tínhamos uma geração muito boa. Subimos praticamente todos juntos para o profissional. Cheguei ao profissional com muita “moral”, e logo fiquei conhecido com o “zagueiro-artilheiro” e assim, conquistamos o tricampeonato de 1992/1993/1994.

PAPO – Já em 1997, com a máquina vascaína, Edmundo, Evair e Cia., você participa pouco da campanha, mas conquista o brasileiro pelo Vasco. Como foi para você essa conquista?

BOLEIRO – Apesar de ter feito apenas um jogo, eu me considero um campeão também… Participei apenas de uma única partida… Eu havia feito uma cirurgia no tornozelo e retornei seis meses depois (em 1997)… No campeonato carioca de 1997, sofri a mesma contusão de 1996. Fiz outra cirurgia e voltei a ter condições de jogo no decorrer do campeonato brasileiro.

PAPO – Em 1998, você é emprestado para o Americano de Campos-RJ. Por que dessa transferência?

BOLEIRO – Sim, em 1998, fui emprestado paro o Americano-RJ para terminar a minha recuperação do joelho operado. E como o Vasco, já estava com uma equipe montada (do brasileiro de 97), eu precisava jogar… O DR. Eurico Miranda achou melhor me emprestar para o Americano-RJ com a intensão de me recuperar… Graças a Deus, fui para o Americano-RJ, fiz um bom campeonato carioca e retornei para o Vasco da Gama no final de 1998… Foram praticamente quatro meses no Americano-RJ, apenas para finalizar a minha recuperação.

PAPO – Em 1999, você é apresentado para a torcida cobra-coral, e vai defender as cores do Santa Cruz. Como foi esse seu “casamento” com o Santa Cruz?

Foto: Zagueiro Tinho no Santa Cruz

Foto: Zagueiro Tinho no Santa Cruz

BOLEIRO – Antes de chegar ao Santa Cruz, o Vasco me emprestou para o futebol da Arábia…. Fiquei de 1998 até 1999, quando retornei e consegui o meu passe e decidi dar sequência na minha carreira em outro clube… Foi quando apareceu o convite para jogar no Santa Cruz em 1999, para a disputa da série B e agradeço a Deus até hoje por ter aceitado o convite e o desafio… Um clube com uma torcida linda, presente e apaixonada, todos buscavam o acesso… Para mim, foi algo indescritível. Como líder, capitão, batedor oficial de pênaltis, foi algo que marcou mais ainda a minha carreira… Até hoje a minha relação não só com o clube, mas, também com a torcida é uma relação diferente, uma relação de respeito e de amor.

PAPO – Tinho, você defendeu as cores da Portuguesa-SP, Sport Recife, América-RJ nos anos de 2000 a 2002. Como você pode definir as suas atuações por todas essas equipes?

Foto: Zagueiro Tinho no Sporte Recife

Foto: Zagueiro Tinho no Sport Recife

BOLEIRO – Logo após a série B pelo Santa Cruz, eu recebi uma proposta muito boa para defender a Portuguesa-SP…

Foto: Tinho na Portuguesa-SP

Foto: Tinho na Portuguesa-SP

Joguei por um ano e cinco meses – foi uma passagem muito legal (por sinal, foi o único clube no Brasil que me pagou todos os direitos certinhos)… Jogar na Lusa foi marcante. Um clube muito estruturado (na época). Fui o atleta da Lusa quem mais entrou em campo naquele período… Depois saí e fui para o Sport Recife em maio de 2001, mas as coisas não foram tão bem como a minha passagem pelo Santa Cruz, que joguei cinco meses e consegui o acesso para a série A… Já no Sport joguei sete meses e caí para a série B. Ficamos praticamente seis meses com salários atrasados… Saio do Sport e volto para o Rio de Janeiro para defender as cores do América-RJ em 2002, onde disputei o campeonato carioca e a última Taça Rio/SP.

Foto: Tinho no América-RJ

Foto: Tinho no América-RJ

PAPO – Em 2002, você assina contrato com o Paysandu. Onde permanece até 2004, inclusive até o encerramento da sua carreira. Como foi para você esse período no Papão? E se você já estava se preparando para o encerramento da sua carreira?

Foto: Zagueiro Tinho no Paysandu

Foto: Zagueiro Tinho no Paysandu

BOLEIRO – Recebi a proposta para defender as cores do Paysandu… O Paysandu havia acabado de conquistar a Copa dos Campeões em 2002 que lhe garantiu o direito de disputar a Libertadores de 2003… Essa questão foi motivacional para eu aceitar o convite. O Paysandu já estava na série A… A minha passagem pelo Paysandu seria apenas de seis meses, acabei ficando dois anos e meio (risos)… Eu fiquei muito feliz em ter vestido a camisa do Paysandu… Na virada de 2003 para 2004, eu já não aguentava mais as dores no joelho, devido à cirurgia feita na época do Vasco… Eu já não treinava mais do jeito que eu sempre gostei de treinar… E em 2004, tomei a difícil decisão de parar de jogar. Optei pela minha aposentadoria com 33 anos, mas a ficha “caiu” muito rápida.

PAPO – Como foi para você o encerramento da sua carreira?

BOLEIRO – A minha decisão de parar de jogar futebol, foi muito difícil. Mas, logo a ficha caiu… Decisão difícil porque eu tinha na época apenas 33 anos, e para um zagueiro, o meu pensamento era de jogar até os 37 ou 38 anos… Mas, as lesões me impediram de continuar… Parei, fiz cursos de treinador de futebol (da BTF), fiz uma faculdade de administração para aplicar no futebol a parte de gerência.

TINHO FALA AGORA SOBRE AS CURIOSIDADES DE SUA CARREIRA

PAPO – Fale sobre a sua estreia pelo Vasco. O primeiro jogo: Vasco 2 x 1 Botafogo, dia 12/04/1992, campeonato brasileiro no Maracanã. O gol foi marcado aos 30 minutos do primeiro tempo. Você lembra?

BOLEIRO – Lembro-me de uma forma muito especial e inesquecível (risos)… Eu havia acabado de ser promovido para os profissionais e apareceu a oportunidade de jogar… O Jorge Luiz estava suspenso e o Alexandre Torres estava machucado… A oportunidade apareceu e eu aproveitei… Numa tarde bonita com um Maracanã lotado (com a torcida do Vasco em maior número)… Um Frio na barriga (risos), um jogo importante na minha carreira… O Botafogo fez 1 x 0 (e ainda havia perdido um pênalti)… Mas antes de terminar o primeiro tempo, num mini escanteio, fiz o meu golaço, meu primeiro gol com a camisa profissional do Vasco e com certeza o gol mais bonito com a camisa do Vasco.

PAPO – Com a marca de 152 jogos e 12 gols em seis anos, você considera que a sua passagem pelo Vasco foi perfeita?

BOLEIRO – Sim… O Vasco para mim é como se fosse a minha segunda casa… Eu morei por muitos anos em baixo da arquibancada do Almirante… A minha passagem foi muito vitoriosa dentro do clube… Se não fosse por causa das lesões, poderia ter sido muito melhor (risos)… Segundo uma estatística (um blog de estatística), eu me encontro em quarto lugar na lista dos zagueiros artilheiros do Vasco.

PAPO – Como foi para você ter feito os gols decisivos no Santa Cruz para o acesso a primeira divisão em 1999?

BOLEIRO – Foi no quadrangular final para definir as duas equipes que subiriam para a série A… O quadrangular era formado por: Bahia, Santa Cruz, Goiás e Vila Nova – GO. Na primeira partida do quadrangular no jogo entre Santa Cruz x Goiás, o estádio do Arruda lotado (80 mil)… Começamos aquela partida perdendo, o Goiás vencia por 1 x 0. Aquele jogo era a oportunidade que tínhamos para colocar o “Santinha” para a série A… A torcida do Santa Cruz merecia. Uma torcida sofrida, porém, aguerrida… E aos 30 e 38 minutos do segundo tempo, dois pênaltis claros e bem marcados para o nosso time… Eu era o batedor oficial de pênaltis… A responsabilidade era toda minha, mais experiente, capitão do time… Eu me lembro de que logo no primeiro pênalti eu andei para trás e “soltei a perna”. Os dois pênaltis bati da mesma forma e o goleiro não conseguiu pegar.

PAPO – Como a sua atuação jogando pelo Paysandu naquele jogo histórico em Buenos Aires (Argentina), contra o Boca Jr., na La Bomboniera, pela Libertadores de 2003?

BOLEIRO – Foi um jogo épico… Um jogo inesquecível… Sabíamos que seria um jogo muito difícil lá em Buenos Aires. Poucas equipes brasileiras haviam conseguido vencer o Boca Jr., dentro do seu estádio… Pouca gente sabe que vencemos aquele jogo com um jogador a menos, por isso, a vitória dramática… Eu e o Jorginho Paulista (irmão do Junior Baiano), fomos felizes naquele jogo… Saímos daquela noite de “cabeça cheia” (risos)… Eu sei que daqui a uns 100 anos, o torcedor do Paysandu, vai se lembrar desse jogo… Em 2013, fui convidado pela diretoria atual do Paysandu, para receber as homenagens sobre os 10 anos daquele jogo épico… Coisas que só o futebol nos proporciona (risos).

PAPO – Você ainda está no Master do Vasco da Gama? Como está?

Foto: Zagueiro tinho no Masters do Vasco da Gama

Foto: Zagueiro tinho no Masters do Vasco da Gama

BOLEIRO – Sim… Eu sou o coordenador geral do CRVG (Master do Vasco da Gama), é um projeto formado exclusivamente por ex-atleta do Vasco… Foi um projeto que eu montei e apresentei para a diretoria do Vasco. E nós jogamos por esse Brasil à fora, onde o Vasco (profissional) não chega, nós chegamos, aonde somos convidados, o Master do Vasco está… Tem sido muito legal, gratificante, nós ex-atleta do Vasco poder voltar a vestir a camisa do Vasco da Gama é um motivo de orgulho e muita alegria… Nós temos um grupo grande de jogadores e quando temos a oportunidade de nos reunirmos, sempre comentamos que o Vasco corre em nossas veias. Aproveito a oportunidade para agradecer e parabenizar e diretoria cruzmaltina representado pelo DR. Eurico, que tem nos dado todo o suporte de material de jogo, de roupas, de viagens, enfim, nós jogamos iguais aos profissionais do Vasco… Isso é muito gratificante, porque gera uma credibilidade muito boa.

AGORA O PAPO É RETO

PAPO – Qual foi o maior clássico que você disputou? E um jogo emblemático?

BOLEIRO – Com toda a certeza, Vasco x Flamengo… Campeonato brasileiro de 1992, Maracanã lotado, marcou demais.

PAPO – Qual é a sua visão sobre a concentração?

BOLEIRO – Eu sou a favor… Grande parte da minha carreira, mesmo com filhos pequenos em casa, a concentração servia para eu poder descansar e ir inteiro para o jogo.

PAPO – Um treinador que marcou a sua carreira?

BOLEIRO – Nelsinho Batista

PAPO – Um fato inusitado que aconteceu durante a sua carreira?

BOLEIRO – Com certeza foi a minha estreia pelo profissional do Vasco da Gama… Estrear por um time como o Vasco ainda mais contra o Flamengo num Maracanã lotado, foi algo que marcou a minha vida.

PAPO – Durante a sua carreira, você foi realizado profissionalmente?

BOLEIRO – Fui realizado sim… Sou muito grato a Deus por tudo que o futebol me proporcionou e pelos sonhos realizados através dele (futebol).

PAPO – Um craque da sua época e um dos dias atuais?

BOLEIRO – Edmundo e Kaká

PAPO – O que significa para você e figura da família?

BOLEIRO – Representa tudo… Meu suporte, meu porto seguro.

LANÇAMOS A PERGUNTA BOMBA PARA O ZAGUEIRÃO

PAPO – Você jogou com grandes zagueiros. Qual foi o seu melhor companheiro de zaga?

BOLEIRO – Pelo nosso entrosamento, e por nos conhecermos apenas no olhar, Alex Pinho – desde os juniores até Profissional.

Por: Luiz Otávio Oliveira

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E-mail: papocomboleiro@gmail.com 



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