Da terra do “Canhoteiro” para o mundo – Batemos um papo com o ex-jogador Junior Maranhão



FOTO: Júnior Maranhão atuando pelo Ceará

FOTO: Júnior Maranhão atuando pelo Ceará

Vocês sabem quantos jogadores maranhenses estão espalhados pelo Brasil? E pelo mundo?”

FOTO: Jr. Maranhão no Maracanã contra o Flamengo

FOTO: Jr. Maranhão no Maracanã contra o Flamengo

O Maranhão é um dos grandes exportadores de talentos do futebol brasileiro e tem um histórico imenso de nomes atuando pelos maiores clubes do Brasil e também espalhados pelo mundo.

A História inicia com José de Ribamar Oliveira, conhecido como “Canhoteiro”. Talvez ele seja o mais famoso de todos os maranhenses que atuaram nas décadas de 50 e 60. Em 1954, o ponta esquerda nascido em Coroatá surgiu no São Paulo e com grande atuações acabou sendo convocado para a Seleção Brasileira e quase fez parte do elenco campeão do mundo em 1958.

Francisco Pereira da Costa Júnior, mais conhecido por Júnior Maranhão nascido em Colinas é um boleiro que atua como um volante defensivo.

Blog – Quem é o boleiro Junior Maranhão?

Boleiro – Sou um ex-profissional de futebol, sou maranhense, nascido na Cidade de Colinas… Trabalhei na roça desde 1995 (sempre gostei de bola desde criança), e tive a oportunidade de fazer um teste no São Luiz em São Luiz-MA, mas, não fui aproveitado… Em seguida, fui fazer um teste no Imperatriz já em 1997, com 19 anos. Fui aprovado. Foi daí que Deus começou a alavancar a minha carreira… Hoje, depois de 19 anos dedicados ao futebol, trabalho com uma escolinha de futebol, procuro passar tudo aquilo que aprendi para que estes atletas sejam no futuro, homens de caráter.

O EX-JOGADOR JUNIOR MARANHÃO FALA SOBRE A SUA CARREIRA

Blog – Como foi o início da sua carreira? E onde foi?

Boleiro – No passado, eu tomava conta do bar do meu cunhado, e na época existia um frequentador do bar – o Oliveira Lima – zagueiro do MAC FC (frequentava o bar só nas férias – risos), e ele perguntou se eu queria fazer um teste. Naquela época, eu já era destaque do campeonato amador da nossa Região… Eu decidi e aceitei fazer o teste… Chegando lá, comecei a viver um ambiente totalmente diferente do que eu estava acostumado (nem aquecer direito eu sabia). Passei dois meses na concentração, porém, não fui aprovado (chorei igual criança). Mas, Deus tinha um plano na minha vida. E eu não iria desistir… Fui para a cidade de Imperatriz (Cidade do meu pai), fiz um teste no Imperatriz FC e fui aprovado. Já cheguei viajando para Belém para disputar a copa Norte… Eu fiquei muito feliz e Deus me mostrou a importância de nunca desistir.

Blog – De 1996 até o ano 2000, você defende clubes como: Imperatriz e Americano-MA. O que você fala para os nossos leitores sobre essas suas passagens por esses clubes?

Boleiro – Foi algo maravilhoso… Um rapaz saindo da Roça e passa a viver em outro ambiente, em outra atmosfera, foi uma coisa maravilhosa… Quando eu saio do Imperatriz FC e assino com o Americano-MA, o clube tinha uma parceria com o União São João-SP e junto havia um empresário o SR. Clóvis Dias do Estado do Ceará. E foi através dele que cheguei ao Figueirense – SC.

Blog – Devido as grandes atuações anteriores, você é contratado pelo Figueirense-SC em 2001, chegando ao seu primeiro grande clube da sua carreira. Como foi a sua temporada no Figueirense-SC?

Boleiro – Cara foi uma coisa muito engraçado (risos)… Você sai do nordeste com a temperatura chegando aos 40 graus e chego a Florianópolis (eu nunca havia andado de avião), sem nenhuma roupa de frio, a temperatura muito baixa. Os próprios dirigentes que me deram agasalhos. Eu já andava para cima e para baixo com as mesmas roupas… Naquela época eu não entendia nada de “boleirada”, mesmo assim foi algo tremendo… Jogadores como: Camanducaia, Zé Renato, Dão e outros, me abraçaram de verdade (até me deram roupas de frio – risos), como se tivessem me adotado… Até em recreativo para mim era uma decisão. Eu gritava e vibrava em todos os treinos… Aquela era a oportunidade da minha vida… Naquela época o Figueirense estava começando a aparecer no cenário nacional. Mas, o clube já tinha uma grande estrutura.

Blog – Logo após a sua temporada no Figueirense – SC, você se transfere para o Ceará. Como foi para você essa sua passagens por essa equipe?

FOTO: Júnior Maranhão atuando pelo Ceará

FOTO: Júnior Maranhão atuando pelo Ceará

Boleiro – Cheguei ao Ceará em 2oo2, mas foi no começo de 2003 que eu quase abandonei o futebol… Embora a minha passagem pelo Ceará tivesse sido curta, mas para mim não foi legal… O Ceará vivia uma crise financeira muito grande. Eu já estava sem receber e para completar, eu me machuquei. Quebrei a fíbula, voltei para o Maranhão com a minha perna engessada. De tanta frustração, cheguei a pensar em largar o futebol, mas graças a Deus me recuperei e voltei ao Ceará… Chegamos a um acordo e rescindimos o contrato de forma amigável e eu continuei no futebol.

Blog – Em 2007, você se transfere para a terra do sol nascente. Você acerta a sua transferência para o Oita Trinita-JAP. O que dizer dessa temporada no Japão. Foi difícil a sua adaptação?

FOTO: Júnior Maranhão atuando no futebol japones

FOTO: Júnior Maranhão atuando no futebol 

japonês

Boleiro – Sim… Cheguei em 2007, porém, permaneci no futebol japonês por apenas sete meses… Creio que infelizmente eu vivi uma vida sem ser de um atleta profissional, eu vivi uma vida apenas de um jogador de futebol, ou seja, não me cuidei. E isso, me prejudicou muito, por isso, a minha permanência no futebol japonês por apenas sete meses.

Blog – Para a temporada 2007/2008, você retorna ao Brasil e assina com o Sport Recife. Como foi a sua passagem pelo Leão de Recife?

FOTO: Júnior Maranhão atuando pelo Sport Recife

FOTO: Júnior Maranhão atuando pelo Sport Recife

Boleiro – Sim, cheguei no mês de julho de 2007 e permaneci até dezembro de 2008… Foi uma passagem muito boa, marquei cinco gols, fomos campeões da copa do Brasil, campeões pernambucanos e na minha época o Sport já disponibilizava uma grande estrutura de trabalho para os seus atletas, não atrasava salários e até hoje é considerado um time grande.

Blog – Ainda em 2012, você acerta a sua transferência para o Paysandu que vivia um momento muito delicado. Fale um pouco sobre essa sua passagem pelo Paysandu?

FOTO: Júnior Maranhão atuando pelo Paysandu

FOTO: Júnior Maranhão atuando pelo Paysandu

Boleiro – Aí foi mais uma intervenção Divina na minha carreira. Deus agiu poderosamente… Eu estava jogando na segunda divisão do campeonato pernambucano atuava pelo Cabense e o Paysandu estava numa situação difícil… Torcida querendo “matar” jogadores, salários atrasados e na época eu mandei uma mensagem para o treinador Givanildo de Oliveira (técnico do Paysandu). Colocando-me a disposição para ajuda-lo. Dois dias depois fui contratado junto com o Alex Gabiru (que jogava comigo)… Quando chegamos ao Paysandu o clima era difícil, não havia paz… Eu e o Alex começamos a orar e pedir a Deus para interceder (nós somos evangélicos)… A situação mudou totalmente, demos até testemunhos no SBT (emissora local), contando tudo o que aconteceu, porque as pessoas não entendiam como tudo aquilo mudou da água para o vinho, e fomos abençoados com a conquista do acesso.

Blog – Logo após a temporada no Paysandu, você continua a sua andança. Passa pelo Belo Jardim, Central e outros. Até encerrar a sua carreira. Nessa época você já sentia que a hora da aposentadoria estava chegando?

FOTO: Júnior Maranhão atuando pelo Belo Jardim

FOTO: Júnior Maranhão atuando pelo Belo Jardim

Boleiro – O atleta tem que ser consciente e realista, ele tem que entender quando chegou a hora de parar… Tem que sentir quando a musculatura e o seu fôlego não dá mais e comigo foi assim… Até hoje as pessoas que me veem treinado, jogando (alguma pelada), me indagam o porquê eu parei de jogar? Louvo a Deus por Ele ter me concedido uma vida, sou um atleta que fui bem preparado… Mas, eu tinha um chamado (que me levou a parar de jogar). Aceitei a Jesus em 2008, quando ainda jogava pelo Sport (no auge da minha carreira). Hoje a minha vida é para trabalhar dentro do esporte, mas, falando sobre esse Deus… Outro fato que me motivou a parar de jogar foi que sempre me aparecia algum clube que me contratava e não me pagava.

Papo – Como foi para você o encerramento da sua carreira?

Boleiro – A minha esposa e o meu filho sempre me acompanharam em meus clubes. Sempre souberam das dificuldades de achar clubes que pagassem corretamente e se aparecesse algum, o pagamento seria pouco. Daí eu vi que devido a essas dificuldades, já estava chegando a hora de parar… No início, eu assistia a alguns jogos e sabia que havia ainda condições de estar jogando… Conheci pessoas que entraram até em depressão, mas não foi o meu caso. Deus me deu muita sabedoria. Comecei a trabalhar com a escolinha de futebol na minha cidade e ocupava o meu tempo… Não fiquei mais preocupado com isso, fui muito feliz pela minha carreira… E hoje procuro passar para outras pessoas tudo àquilo que aprendi.

AGORA JUNIOR MARANHÃO FALA SOBRE ALGUMAS CURIOSIDADES DA SUA CARREIRA

Blog – Em que atleta você se espelhava para manter o seu estilo de jogo?

Boleiro – Eu admirava e continuo admirando o Gerrard. Bate muito bem na bola, tem um bom chute de fora da área, parecia até comigo jogando (risos).

Blog – Você atuou por várias equipes, mas qual a equipe que marcou a sua carreira?

Boleiro – Todas as equipes tiveram a sua importância na minha carreira, mas onde eu me identifiquei foram em duas equipes: Santa Cruz e Sport.

FOTO: Júnior Maranhão atuando pelo Santa Cruz

FOTO: Júnior Maranhão atuando pelo Santa Cruz

Blog – Um jogo marcante na sua carreira?

Boleiro – Esses jogos não saem da minha memória: em 2005 no acesso, aqui no Estádio Arruda, eu olhei aquela “massa”, mais de 73 mil pessoas. Foi algo inexplicável. Esse jogo foi pelo Santa Cruz… O outro jogo marcante foi a minha estreia no Maracanã, fazendo inclusive um gol de falta contra o Fluminense, foi algo sobrenatural.

Blog – Conte-nos um fato inusitado:

Boleiro – Foi em 1997, um rapaz me convidou para fazer um teste em Goiás. Cheguei ao local marcado, esse rapaz não apareceu… O dinheiro que eu tinha, eu havia gastado tudo em uma pousada, porque eu não tinha onde ficar… Um amigo me arrumou uma casa para ficar (a casa estava praticamente abandonada), cheguei até comer codorna com farinha… Fui parar num posto de gasolina, e nesse posto havia um homem que vendia abacaxi, e sempre me dava uns abacaxis que sobravam das vendas. Eu limpava as partes estragadas e comia o restante.

AGORA O PAPO É RETO

Blog – Um técnico que marcou a sua carreira?

Boleiro – Primeiro foi o Sérgio Belfort, porque foi ele que me profissionalizou… Depois o Givanildo Oliveira, mais do que um treinador, foi um paizão. É um treinador que briga pelos seus atletas.

Blog – Qual é o seu time de coração?

Boleiro – Sou Vasco da Gama desde a época de Roça. Eu não tive a felicidade de jogar pelo Vasco, mas meu filho me dará essa alegria (risos).

Blog – Um craque?

Boleiro – Iniesta

LANÇAMOS A PERGUNTA BOMBA

Blog – Hoje o futebol brasileiro passa por grandes problemas dentro e fora de campo. Se você pudesse mudar os caminhos do futebol brasileiro, o que você faria?

Boleiro – Eu vejo hoje muita corrupção. Não só no futebol, mas também na politica… A corrida pelo dinheiro está acabando com os bons dirigentes… Temos que tirar como exemplo o profissionalismo da Alemanha. Tudo tem que envolver o amor pelo futebol.

Por: Luiz Otávio Oliveira

E-mail: papocomboleiro@gmail.com

Facebook: @papocomboleirolance



MaisRecentes

Batemos um papo com o ex-jogador Lúcio Bala



Continue Lendo

Um verdadeiro “volante” clássico – Batemos um papo com o ex-jogador Jamir



Continue Lendo

#PapocomBoleiro “O Artilheiro das Decisões” – Batemos um papo com Nunes



Continue Lendo