Batemos um Papo com Zé Carlos – 20 anos depois da Copa: da fama à calmaria do interior de SP



Ex-lateral destacado pelo jogo contra a Holanda, na semifinal da Copa de 1998, vive uma vida tranquila no interior paulista. “Continuo sendo o mesmo cara simples do passado.”

Ele explodiu tarde para o futebol, aos 29 anos, mas mesmo assim conseguiu realizar o sonho de qualquer jogador de futebol: disputar uma Copa do Mundo. José Carlos de Almeida, o Zé Carlos, reserva de Cafu no Mundial da França de 98 e ex-lateral-direito do São Paulo.

foto: site globoesporte.com

Blog – Quem é hoje, o ex-jogador Zé Carlos?

– Hoje, eu continuo sendo o mesmo ‘cara’ simples do passado. Nada mudou. Sou do interior de São Paulo, tenho um projeto relacionado à escolinha de futebol… estou também no ramo da construção civil… ano passado, recebi um convite para ser candidato à Deputado Estadual aqui da Região do Oeste Paulista.

foto: site globoesporte.com

Nascido no dia 14 de novembro de 1968, Zé Carlos começou a carreira no São José (SP) e passou por várias equipes antes de se destacar no São Paulo em 97 e 98, ano que o São Paulo conquistou o Paulistão em uma final contra o Corinthians.

Blog – Como foi o início da sua carreira de atleta profissional?

– Sendo do interior, não pude ter estudos, não tive uma base, jogava apenas campeonatos de várzeas. Nunca havia tido uma oportunidade de ser atleta profissional. Um amigo me levou para fazer um teste, com 21 anos de idade no São José dos Campos – Emerson Leão era o treinador – fui aprovado como “volante”. Daí começou a minha história, assinei meu primeiro contrato profissional. Até chegar ao São Paulo e me firmar como lateral.

Blog – Você batalhou no futebol do interior Paulista foi campeão da série A2 com a Matonense, até chegar ao São Paulo a pedido do treinador Darío Pereira. Como foi esse momento de chegar ao São Paulo e como foi a sua passagem pelo tricolor Paulista?

foto: site globoesporte.com

– O São Paulo foi o time que acreditou em mim. Tive a oportunidade de jogar, mesmo com uma certa idade. O São Paulo tem uma camisa que jamais esquecerei. Joguei uma Copa do Mundo graças ao São Paulo. Eu tenho uma história de amor com o São Paulo.

Blog – Seleção Brasileira. Você chegou em um momento da sua carreira, onde todos os jogadores de futebol querem chegar. Disputar uma Copa do Mundo. Como foi esse momento pra você?

– Eu vivia um bom momento no São Paulo, mas nos “bastidores”, fiquei sabendo que eu não seria convocado. Mas quando saiu a minha convocação fiquei surpreso. Foi muito agradável.

Foto: site agoramt.com.br

– Vejo como a mão de Deus na minha vida. Um propósito Dele. Conheci muitos bons jogadores que não disputaram uma Copa do Mundo. Fiquei muito feliz. Foi um presente. Carrego até hoje essa conquista. Saí da roça e fui representar o meu país numa Copa do Mundo.

Residiu em Presidente Bernardes (SP), sua cidade natal, onde trabalhou na revelação de jogadores. Pouco antes de encerrar a carreira, defendeu o Noroeste, o popular Norusca. Em 2008, você esteve jogando na várzea paulistana, pela ADPM – Associação Desportiva da Polícia Militar – na zona leste de São Paulo, ao lado de ex-jogadores como Silva, o “artilheiro de um gol só”, aquele ex-atacante do Juventus que fez um gol de bicicleta contra o Corinthians, em 1989, no Pacaembu.

Blog – Como você lidou com o encerramento da sua carreira?

– Foi muito tranquilo. Já estava com 37 anos. Jogava no Noroeste-SP, conversei com a minha esposa, meus pais e posso dizer que foi simples e objetivo.

Blog – Um fato inusitado?

– Quando fui contratado pelo São Paulo, eu era o quarto lateral. Então, treinava pouco e jogava pouco. Mas comecei a treinar por conta própria porque sabia que uma hora a minha oportunidade iria aparecer… e aconteceu! Tive a oportunidade… e como eu estava preparado fisicamente, entrei no time titular e não saí mais… resultado de treinamentos sábado, domingo, feriados, de dia e de noite.

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Blog – Uma partida marcante na sua carreira?

– Foi São Paulo 2 x 2 Flamengo no Maracanã. Fiz um golaço nessa partida.

Blog – Você adorava imitar alguns bichos na concentração. Qual era o bicho que você gostava de imitar mais?

– O galo.

Blog – Uma camisa?

– A camisa do São Paulo

Blog – O que é família para você?

– Família representa tudo. A família é algo inexplicável. Eu sempre fui ligado a família. Depois de Deus é a coisa mais importante que tem.

Lançamos a pergunta bomba

Blog – De todos os craques com quem você jogou escale agora a nossa seleção brasileira:

– Taffarel, Cafu, Aldair, Júnior Baiano e Roberto Carlos; Dunga, César Sampaio e Rivaldo; Ronaldo Fenômeno, Bebeto e Ronaldinho Gaúcho;

Blog – Deixe as suas considerações finais sobre a nossa coluna:

– O que vocês estão fazendo é algo muito significativo para os ex-atletas. Resgatar e reviver esses momentos são, sem sombra de dúvida, uma coisa fantástica. Parabéns para todos da coluna Papo com Boleiro.



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