Batemos um papo com Túlio Maravilha – O artilheiro do Brasil



FOTO: Túlio campeão brasileiro pelo Botafogo

FOTO: Túlio campeão brasileiro pelo Botafogo

Túlio Maravilha deu os primeiros passos no Goiás, em 1988. Em sua carreira teve passagens por grandes clubes brasileiros como Botafogo, Fluminense, Corinthians e Cruzeiro e seleção brasileira. Segundo as contas do atacante, o milésimo gol foi marcado em 2014, aos 44 anos, quando vestiu a camisa no Araxá, na Segunda Divisão do Campeonato Mineiro.

Blog – Quem é hoje, o Túlio Maravilha?

‘Hoje, sou comentarista esportivo no programa Os Donos da Bola na Band Rio… Também sou palestrante motivacional. O nome da minha palestra é: 100% Atitude – Dou palestras para empresas nacionais e internacionais, divisões de base de clubes de futebol, enfim, a palestra é um resumo da minha carreira desde o início até o fim com o milésimo gol… E tenho o projeto social: 1000 gols. São 100 crianças que estão nesse projeto para a inclusão social’.

Blog – Você iniciou a sua carreira na equipe do Goiás em 1988 e, em 1989, já dava sinais de que surgia um artilheiro nato no futebol brasileiro. Como foi esse seu início de carreira?

‘Sim. Comecei nas divisões de base do Goiás com 12 anos de idade. Em 1988, disputamos a Taça BH e fui artilheiro. A partir daí fui para os profissionais… No ano seguinte, fui artilheiro do campeonato brasileiro atuando pelo Goiás. Dali em diante o futebol brasileiro conheceu o Túlio… Em 1990 e 1991, fui convocado para jogar alguns amistosos pela seleção brasileira… Foram mais de cinco anos com a camisa do Goiás e quase 100 gols’.

FOTO: Túlio no Goias

FOTO: Túlio no Goiás

Blog – Depois de uma temporada na Europa, você regressa ao Brasil e, assina com o Botafogo. E em 1995, você ajudou o Botafogo a conquistar o inédito título de campeão brasileiro. Como foi a sua passagem pelo Botafogo?

Depois de uma temporada no futebol da Suíça, regresso ao Brasil para jogar pelo Botafogo, que estava se reestruturando e se reerguendo no futebol nacional… Em 1994, fui artilheiro do campeonato carioca e do brasileirão. Em 1995, chegaram alguns reforços: Gonçalves e Donizete, mas já existia uma “espinha dorsal”. O time era desacreditado e tinha problemas de salários atrasados, mas com a chegada do patrocinador, deu uma injeção de ânimo. Com isso, amenizou os atrasos salariais… O time se fechou e fizemos uma grande campanha que culminou na conquista do título nacional’.

FOTO: Túlio no Botafogo

FOTO: Túlio no Botafogo

Blog – Vamos falar do Túlio no Corinthians:

No início foi muito bom. Foi a maior contratação do futebol brasileiro. Eu era a estrela do time. No decorrer do campeonato, o treinador Nelsinho Baptista optou por um ataque mais veloz: Mirandinha e Donizete… Ao começar o campeonato brasileiro, o Nelsinho Batista veio conversar comigo, mas fui imaturo e impaciente e disse ao treinador que não queria mais permanecer no clube (por birra mesmo). Acabei saindo do Corinthians… Mas confesso que errei. Poderia ter permanecido.

FOTO: Túlio no Corinthians

FOTO: Túlio no Corinthians

Blog – Em 2005, você disputou o campeonato carioca pelo Volta Redonda e, por pouco não foi campeão. A sua ida para o Volta Redonda, foi um dos maiores desafios da sua carreira? Você imaginou chegar tão longe com o Volta Redonda?

‘Foi um dos maiores desafios. Muitos achavam que eu com 36 anos, já estava acabado para o futebol, mas essas críticas me serviram de combustível e superei as críticas (é o tema da minha palestra). Até o presidente do clube sofreu críticas por ter me contratado… Conseguimos mesclar a experiência com a juventude do elenco e conseguimos conquistar a Taça Guanabara. Um título inédito na história do clube… E eu dei a volta por cima, fui o artilheiro e o craque do campeonato’.

FOTO: Túlio no Volta Redonda

FOTO: Túlio no Volta Redonda

Blog – Seleção brasileira. Você disputou 14 partidas entre os anos 1991 e 1995. Foram 10 vitórias, quatro empates e oito gols. Você jamais perdeu uma partida vestindo a camisa amarelinha. Como foi o Túlio na seleção brasileira?

‘Foi uma passagem maravilhosa. Com a média de gols, fantástica. Alto nível. Meu auge na seleção foi na Copa América em 1995 com o Zagallo. Dei aquela ajeitada com o braço e finalizei para o gol. Todos pararam achando que teria sido um gol inválido, mas o juiz validou. Daí eliminamos a Argentina nos pênaltis, mas perdemos a final para o Uruguai… Embora tenha sido uma passagem rápida pela seleção, foi muito marcante para a minha carreira. Muitos sentem o peso da “amarelinha”, eu não senti e fui muito bem’.

FOTO: Túlio na seleção brasileira

FOTO: Túlio na seleção brasileira

Blog – Em que momento você pensou em encerrar a sua carreira?

‘Eu pensei em encerrar a carreira em 1999. Eu já estava com 30 anos de idade e já havia chegado à marca dos 500 gols com a camisa do Cruzeiro. Alguns anos atrás, o jogador de 30 anos de idade era considerado velho, então a pressão para continuar jogando no mesmo nível era grande… Mas veio o pensamento (o combustível). Se eu fiz 500 gols com 30 anos, por que não chegar aos 1000 gols em mais dez anos de carreira? Fui em busca desse objetivo. Demorou um pouco mais do que imaginei (14 anos), mas alcancei o meu objetivo’.

Noites sem dormir no barco, o gol 1000 e o humilhante contra o Universidad do Chile pela Libertadores no Maracanã, jogando pelo Botafogo. Esses são alguns fatos curiosos da carreira do Túlio Maravilha.

Blog – Conte-nos sobre um fato inusitado que aconteceu na sua carreira:

‘Fui jogar pelo Fast de Manaus. A sede do clube era 300 km para dentro da Mata Amazônica… Nós fomos fazer um amistoso em Manicoré (terra do Guaraná e do Açaí). Tínhamos que ir para a Cidade de barco. Saímos ás seis horas da tarde e chegamos ás oito horas da manhã do dia seguinte. Passamos a noite toda no atravessando o Rio Amazonas, não consegui dormir com medo de o barco colidir com alguma daquelas toras que descem rio abaixo… Foi uma experiência fantástica, mas muito assustadora’.

Blog – O gol 1000:

‘O gol 1000 foi o momento mais esperado da minha carreira. Naquele momento da batida do pênalti, passou um filme na minha cabeça. Eu já havia tentado fazer esse gol a seis jogos… A pressão era muito grande. Goleiros fazendo “milagres”, árbitros anulando os gols, ou seja, estava tudo conspirando contra o milésimo gol… Mas com paciência e perseverança, no dia 18 de fevereiro de 2014, em Araxá (time da segunda divisão de MG), assim como Pelé e Romário, fiz o milésimo gol e de pênalti’.

FOTO: Túlio no momento do gol 1000

FOTO: Túlio no momento do gol 1000

Blog – Túlio, qual foi o gol mais polêmico que você fez. O gol contra o Santos na final do Brasileiro de 1995 (que você estava impedido), o gol pela seleção brasileira contra a Argentina em 1995, na Copa América do Uruguai (quando você dominou a bola com o braço), ou o gol contra o Universidad do Chile, no Maracanã (quando você deixou o goleiro para trás, virou-se de costas e deu um toque de calcanhar para marcar o gol)?

‘Todos esses foram polêmicos e deram discussões. Mas o mais polêmico foi contra o Universidad do Chile em 1996 no Maracanã… Ganhávamos por 3 x 1 e aquela bola sobrou limpinha para mim e fiz o gol que batizei de “Tuletra” – mistura de Túlio com Letra (risos)’.

Fala TorcedorPerguntas enviadas pelo nosso leitor e torcedor do Botafogo – Emanuel Santos

Blog – Nas eleições de 2010, você disputou o pleito para deputado estadual pelo PMDB de Goiás, mas com apenas 4.500 votos não conseguiu a vaga. De alguma forma esse resultado lhe frustrou?

‘Não. Participei apenas como experiência. O partido me abandou no meio da campanha. Eles falaram que iriam me ajudar e nada fizeram. Então para não desistir da campanha, fui até o final, mas sem grandes esperanças e sem investimentos… Foi um erro meu. Se eu pudesse voltar no tempo, não teria entrado na política. O retrato do político é tão desgastado e, eu não queria misturar a imagem do ex-jogador com política’.

Blog – Você se sente realizado profissionalmente ou faltou algum clube que você queria ter jogado e não jogou?

‘Por tudo que eu passei, eu sou realizado na minha vida. Tive mais vitórias do que derrotas. Chegar aos 1000 gols. Ser campeão brasileiro pelo Botafogo, uma competição muito difícil. Ser artilheiro seis vezes: três na série A, uma na série B e duas na série C, ou seja, ser um dos maiores goleadores da história do futebol brasileiro. Tenho um legado para deixar… Mas seu eu pudesse escolher um grande time da Europa: Barcelona, PSG, Real Madrid, Juventus… E ter jogado uma Copa do Mundo. Essas lacunas ficaram abertas na minha carreira’.

Blog – Por que você se considerava o Rei do Rio?

‘Nessa época o futebol carioca estava em alta… O Romário havia sido campeão mundial e veio do Barcelona para o Flamengo, o Renato Gaúcho no Fluminense e eu estava no Botafogo. Brincávamos muito, com a questão de quem faria mais gols. O Renato Gaúcho falava que podíamos ser os artilheiros, mas ele seria o campeão. E isso foi mexendo com os bastidores do futebol carioca. Muito marketing. Quem ganhava com isso era o nosso torcedor e o futebol carioca. Sempre com uma brincadeira sadia’.

Agora o Papo é Reto:

Blog – Uma camisa?

‘A camisa sete do Botafogo’.

Blog – Um gol inesquecível?

‘O gol do título, contra o Santos, no campeonato brasileiro. No Estádio do Pacaembu’.

Blog – O jogo da sua vida?

‘Botafogo e Santos em 1995’.

Blog – Um treinador?

‘Foram três treinadores que marcara a minha carreira: Felipão, Paulo Autuori e Carlos Alberto Parreira’.

Lançamos a Pergunta Bomba:

Blog – De todos os jogadores que você atuou junto, monte a seleção do Tulio Maravilha:

‘Taffarel, Cafu, Aldair, Gonçalves e Roberto Carlos; Dunga, Jamir, Marcelinho Carioca

e Edmundo; Donizete e Túlio Maravilha; Técnico: Paulo Autuori’.

Fim de Papo:

Blog – Deixe as suas considerações finais sobre a nossa coluna:

‘Agradeço a oportunidade de poder contar um pouco da minha história, para os torcedores antigos e os torcedores atuais. Aqueles que não conheceram a nossa performance no futebol. Uma grande oportunidade de contar o resumo da nossa carreira. Parabéns a coluna Papo com Boleiro e ao jornal Lance, que fez mais um golaço’.



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