Batemos um papo com Rocha ex-jogador do Botafogo



O Destino do Futebol – “de campeão no Botafogo a trocador de ônibus”

Às vezes o destino nos prega uma peça. Quem disse que na carreira de um boleiro, o destino também não apronta?

De promessa à craque a frentista. Mas, nem por isso, deixou de ser um homem honrado e de alegria nas palavras que valoriza muito a figura da família. Acompanhe o nosso bate papo.

PAPO – Quem foi o boleiro Rocha? E quem é hoje o ex-boleiro Rocha?

BOLEIRO – Eu fui um atleta que passei por algumas equipes: joguei no Botafogo, Madureira, São Cristóvão, joguei no futebol da Indonésia. A minha carreira foi construída no Botafogo, onde comecei desde o mirim… Hoje eu trabalho com projetos ligados ao futebol. Projetos como o SUDERJ Informa, projeto do Bebeto. Tenho alguns projetos para trabalhar com crianças, mas sem apoio fica muito difícil de dar continuidade. Já trabalhei até em posto de gasolina (não desmerecendo a profissão).

PAPO – Como foi o início da sua carreira como profissional?

BOLEIRO – No início existem sempre as mesmas dificuldades de uma criança tentando realizar o sonho de ser um jogador de futebol… Com 10 anos de idade, eu já saía para treinar. Pegava trem lotado. Cheguei a jogar com Edmundo, Djair, Rogério Pinheiro, Nelson e outros grandes nomes. Fui bicampeão brasileiro invicto pelo Botafogo. Comecei toda a minha carreira no Botafogo.

Foto: Botafogo campeão da Conmebol de 1993

Foto: Botafogo campeão da Conmebol de 1993

PAPO – Durante toda a sua carreira, qual foi o ponto positivo e o ponto negativo na sua carreira de profissional?

BOLEIRO – O ponto positivo foi poder fazer muitas amizades, participar de várias competições, viajar muito… O ponto negativo foi que naquela época nós não tínhamos tanto apoio como se tem hoje. Mesmo com méritos. Hoje em dia, até o juvenil (juniores da época), tem carro do ano, casa e outras coisas mais.

PAPO – Durante a sua carreira, existiu um treinador que você pode nos dizer que ele lhe ajudou?

BOLEIRO – Sim, sim… Carlos Alberto Torres, Eci Rosa (falecido), foi quem me ajudou muito na parte amadora do Botafogo.

PAPO – Conte sobre um momento especial na sua carreira?

BOLEIRO – Foi a conquista da Copa Conmembol (atualmente é a Copa Sul-americana), o único título internacional de grande expressão do Botafogo… Participar da campanha de acesso do São Cristóvão na segunda divisão para a primeira divisão no campeonato estadual. Eu particularmente tive uma ascensão no futebol, junto com toda a equipe. Na segunda-feira após o término do campeonato, eu iria me apresentar no Porto-Portugal, com um contrato milionário, porém, no domingo (um dia antes), eu torci o tornozelo e passei por uma cirurgia delicada que me afastou dos gramados por dois anos.

PAPO – Em que momento você pensou em encerrar a sua carreira? E como foi para você a sua aposentadoria?

BOLEIRO – Quando eu voltei do futebol da Indonésia para o Madureira… Eu treinava de forma bem intensa, participava bem dos coletivos, mas quase não jogava… No meu pensamento por eu ter ficado sete anos na Indonésia, não ter sido tão conhecido aqui no Brasil, não ter tido um empresário “forte” eu não conseguia render 100%. Os jogadores que tinham “vínculos” com o treinador tinham mais chances no time, então, essa situação toda foi me desgastando… Comecei a estudar (educação física), foi quando comecei a trabalhar com projetos sociais para crianças. Aí sim, resolvi parar.

PAPO – Rocha, qual é o seu time de coração?

BOLEIRO – Eu hoje sou metade Tricolor e a minha outra metade é Botafoguense.

PAPO – Um ídolo ou um craque?

BOLEIRO – O meu ídolo é o Renato Gaúcho (diziam que eu jogava parecido com ele), mas deixou de ser o meu ídolo quando se recusou a me dar um autógrafo. Aí decidi escolher outro ídolo, Zico.

PAPO – O que representa para você a figura da família?

BOLEIRO – A minha família era bem complicada por parte dos meus tios. Todas as vezes que eles iam me ver jogando, eu jogava muito mal (acho que era por inveja – risos)… Mas, meu pai e a minha mãe me apoiavam bastante. Minha esposa e a minha filha sempre permaneceram ao meu lado em todos os momentos.

PAPO – Com todos os boleiros que você jogou, monte um time muito especial:

BOLEIRO – Vagner, Mauro Galvão, Alex Pinheiro, Josemar e Roberto Carlos;

Djair, Paulinho Criciúma, Rocha;

Edmundo, Donizete e Luiz Cláudio;

Por: Luiz Otávio Oliveira

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