Batemos um papo com o ex-zagueiro Ricardo Rocha



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“No início da minha carreira, fui trocado do Santo Amaro para o Santa Cruz FC., por dez bolas, dois jogos de camisas e dez pares de chuteiras”.

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Batemos um papo como ex-jogador Ricardo Rocha. Um jogador de excelente técnica e grande liderança, por isso, recebeu o apelido de xerife.

Ricardo sempre teve estilo aguerrido, e apesar de pouca estatura, tinha uma incrível noção de posicionamento nas jogadas aéreas.

Ricardo Roberto Barreto da Rocha, o ex-zagueiro Ricardo Rocha, nasceu em Recife-PE em 11 de setembro de 1962.

PB – Quem é hoje o ex-jogador Ricardo Rocha?

– “Hoje eu sou jornalista, trabalho na SporTV exercendo a função de comentarista de futebol. Em 2014, trabalhei na cobertura da Copa do Mundo e ao término da copa, assinei um contrato de trabalho com a emissora. Estou muito feliz com o que faço. Eu acho muito interessante ter um comentarista de futebol como ex-atleta, muito bom para a emissora, pois, se tem a condição de mesclar as experiências”.

PB – Como foi o início da sua carreira com atleta profissional? Foi em 1981 no time do Santo Amaro, de Recife e jogando como lateral?

– “Sim, comecei como lateral no Santo Amaro e em seguida fui vendido para o Santa Cruz FC. No Santa Cruz FC., eu me profissionalizei, um clube que tenho uma identificação muito grande até hoje”.

PB – Você começa a sua projeção para o futebol mundial defendendo o Santa Cruz FC., e em 1983, conquista o campeonato pernambucano, logo após, você acerta com o Guarani de Campinas. Como foi esse começo no cenário nacional?

– “Foi muito bom, um clube que eu tenho até hoje um carinho imenso, onde eu iniciei a minha carreira, inclusive eu sou torcedor do Santa Cruz FC. Eu tive o apoio de toda a direção do clube e de todos os jogadores. Em 1983, fui eleito o melhor lateral e a revelação do campeonato pernambucano. Ao longo dos anos, consegui evoluir dentro do time e em 1985, fui transferido para o Guarani.

FOTO: Ricardo Rocha no Santa Cruz

FOTO: Ricardo Rocha no Santa Cruz

No Guarani, atuei muito bem. Fui vice-campeão paulista, vice-campeão brasileiro e, além disso, fui convocado para a seleção brasileira em 1987. O Guarani, me ensinou muito. Naquela época, não era muito comum jogadores do nordeste saírem dos seus Estados para atuarem nos grandes centros. Até hoje, eu tenho um carinho enorme com todos de Campinas”.

FOTO: Ricardo Rocha no Guarani

FOTO: Ricardo Rocha no Guarani

PB – Ricardo, dali em diante foi só ascensão na sua longa e vitoriosa. Você acerta a sua transferência para o Sporting de Portugal. Como foi a sua passagem pelo primeiro time europeu na sua carreira?

– “Na realidade em campo foi muito bom. Mas, em relação a pagamentos, foi o primeiro time que eu tive problemas para receber salários. Mas, o time em si me acolheu. Houve um problema com o presidente e ele ficou muito tempo sem pagar os salários dos jogadores. Mas, em relação à experiência futebolística foi ótima”.

FOTO: Ricardo Rocha no Sorting de Portugal

FOTO: Ricardo Rocha no Sorting de Portugal

PB – Em seguida você regressa ao Brasil, acertando a sua transferência para o São Paulo. No São Paulo, você disputou 70 jogos, com 32 vitórias, 26 empates e 12 derrotas, sendo campeão paulista em 1989 e campeão brasileiro em 1991. Como foi a sua passagem pelo tricolor paulista?

– “No São Paulo foi excelente em todos os aspectos, a organização que o São Paulo tem até hoje. Já cheguei ao São Paulo sendo campeão paulista, além do título (que conta bastante), fomos duas vezes vice-campeões (em 1989 contra o Vasco e 1990 contra o Corinthians). E em seguida em 1991, veio o título. O São Paulo me ensinou muitas coisas importantes na vida. O São Paulo era um clube sério que não existiam as brigas políticas que existem hoje. Fora de campo era um clube sério e muito organizado. Para ter uma ideia, quando eu saí do São Paulo e fui para o Real Madrid, o São Paulo naquela época, não devia nada para o time espanhol em comparação a estrutura. É claro que pesou muito o fato de o Real Madrid ser um dos maiores clubes do mundo. Eu tive outras propostas, mas por tudo que o Real Madrid representou e representa até hoje, eu optei pelo Real Madrid”.

FOTO: Ricardo Rocha no São Paulo

FOTO: Ricardo Rocha no São Paulo

PB – Ricardo chegou a hora de brilhar na Espanha. E na temporada de 93/94 você assina com o Real Madrid, conquistando a Copa da Espanha. Como foi a sua passagem pelo time de Madrid?

– “Foi excelente. Voltar para um grande clube da Europa foi muito bom. O carinho que o torcedor tem comigo até hoje. Eu tenho um orgulho muito grande em ter jogado num clube como o Real Madrid. Ganhei a Copa do Rei, mas o Barcelona já possuía um time muito forte. O Real Madrid me ensinou o que é um clube da Europa, me ensinou a ter responsabilidade com a minha carreira”.

FOTO: Ricardo Rocha no Real Madrid

FOTO: Ricardo Rocha no Real Madrid

PB – Após a temporada na Espanha, você regressa ao Brasil para defender os times do Santos, Vasco e o Fluminense. No Vasco, você foi campeão carioca em 1994. Como foi esse seu regresso ao Brasil e as temporadas nesses clubes?

– “O Santos fez uma boa campanha no campeonato brasileiro (naquele ano ganhei a bola de prata como o melhor zagueiro do campeonato).

FOTO: Ricardo Rocha no Santos

FOTO: Ricardo Rocha no Santos

Depois fui transferido para o Vasco da Gama. Fui tricampeão carioca e, consegui ter uma sequência ótima no Vasco. Quando fui campeão do mundo com a seleção brasileira, eu já estava jogando no Vasco.

FOTO: Ricardo Rocha no Vasco da Gama

FOTO: Ricardo Rocha no Vasco da Gama

Em seguida assino com o Fluminense. Já no Fluminense eu joguei pouco, joguei o campeonato carioca e, o Fluminense atravessava um momento difícil (falando financeiramente), muitos meses de salários atrasados. Com isso, recebi uma proposta do Newell´s Old Boys da Argentina e fui jogar no futebol argentino”.

PB – Futebol argentino. Como foi a sua passagem pelo Newell´s Old Boys?

– “Quando eu cheguei à Argentina, o presidente do clube havia me dito sobre a importância em ter no elenco um jogador com a minha experiência de campeão do mundo. A minha chegada deu um pouco de experiência para os outros jogadores do elenco, foi um casamento ótimo. Eu fui muito bem acolhido e por isso, até hoje, eu tenho amigos por lá, torcedores e profissionais da imprensa”.

FOTO: Ricardo Rocha no Newell´s Old Boys da Argentina

FOTO: Ricardo Rocha no Newell´s Old Boys da Argentina

PB – Em mais um time grande do Rio de Janeiro, agora no Flamengo, você faz 24 jogos com 14 vitórias, cinco empates e cinco derrotas, como foi a temporada com a camisa rubro-negra?

– “Olha, eu esperava um pouco mais de mim mesmo. Os primeiros seis meses foram positivos, mas depois não posso dizer a mesma coisa. Eu tive várias lesões e que me levaram a parar de jogar. No Flamengo eu só posso dizer dos meus primeiros seis meses, após isso, não foi nada bom. Eu tive a felicidade de ver o Juan e o Luís Alberto se firmarem, eles ainda eram muito meninos”.

FOTO: Ricardo Rocha no Flamengo

FOTO: Ricardo Rocha no Flamengo

PB – Seleção Brasileira. Onde você passou também com muito destaque. Conquistando a Copa Stanley Rous em 1987, os jogos Pan-Americano de 1987, o Torneio Pré-olímpico de 1987 e a Copa do Mundo em 1994. Como foi defender a seleção brasileira e, qual foi a emoção de estar no grupo que conquistou o tetracampeonato de 1994?

– “Para mim foi um orgulho muito grande participar da seleção brasileira. Principalmente no início ‘daquela seleção do Tetra’, uma seleção jovem. Ganhamos tudo, foi um crescimento ao longo dos anos, mas sem esquecer-se da Copa de 1990, que perdemos. Era um momento de transição daquela geração de Zico e Júnior e a geração de Dunga, Romário, Bebeto, Ricardo Rocha entre outros”.

FOTO: Ricardo Rocha na seleção brasileira Tetracampeão de 1994

FOTO: Ricardo Rocha na seleção brasileira Tetracampeão de 1994

PB – Como foi o encerramento da sua carreira?

– “Eu tive algumas contusões no Flamengo que me impediram de dar continuidade na minha carreira. Por outro lado, eu já estava cansado, com 37 anos, eu ‘parei’ muito bem. Na hora de ‘parar’, você tem que tomar muito cuidado com o seu entorno, porque às vezes, você houve muito o seu entorno e não dá ouvido a si mesmo. Eu parei em um momento certo e parei bem tranqüilo. A família nesse momento é muito importante, mas a decisão final é do atleta, porque só ele (atleta) sabe das suas próprias condições”.

AGORA O PAPO É RETO

PB – Um craque?

– “Romário”.

PB – Uma camisa?

– “Seleção brasileira, porque representa todas as equipes que eu atuei, mas se tivesse que escolher uma, eu escolheria a camisa do Santa Cruz FC.”.

PB – Um treinador que lhe ajudou na sua carreira?

– “Todos os treinadores foram importantes na minha carreira, mas Carlos Alberto Silva, foi meu treinador no Santa Cruz FC., e me convocou para a seleção brasileira”.

PB – Uma conquista

– “O título de 1994, foi um marco na minha carreira”.

PB – O atacante que mais te deu trabalho para marcar?

– “Bebeto”.

PB – Um grande parceiro de zaga?

– “Alexandre Torres”.

PB – Um fato inusitado durante a sua carreira:

– “Foi no início da minha carreira. Eu fui trocado do Santo Amaro para o Santa Cruz FC., por dez bolas, dois jogos de camisas e dez pares de chuteiras”.

LANÇAMOS A PERGUNTA BOMBA

PB – De todos os grandes jogadores que você atuou, monte a seleção do Ricardo Gomes. O time é você e mais dez:

– “Prefiro ficar no banco de suplentes, mas eu escalo o time titular que conquistou o tetracampeonato mundial”.

Por: Luiz Otávio Oliveira

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