Batemos um papo com o ex-lateral Gilberto Coroa



“Muitos não devem conhecer Gilberto Coroa, mas ele é um personagem central em uma das histórias mais famosas do futebol carioca”

Em 1981, Flamengo e Vasco decidiram o Campeonato Estadual e o Rubro-Negro levou a melhor na decisão que ficou conhecida como o “jogo do ladrilheiro”.

A BIOGRAFIA DO EX-BOLEIRO

Gilberto de Souza Coroa, o ex-lateral-esquerdo Gilberto, nasceu em 11 de abril de 1960 no Rio de Janeiro. Iniciou a carreira no Vasco da Gama em 1978 e parou 17 anos depois no Figueirense de Santa Catarina. Passou também por Guarani de Campinas, Botafogo do Rio, Joinville e América do Rio.

FOTO: Gilberto Coroa está no Papo com Boleiro de hoje

FOTO: Gilberto Coroa está no Papo com Boleiro de hoje

PAPO – Quem é hoje o ex-boleiro Gilberto?

BOLEIRO – Hoje, eu sou responsável pela escolinha de futsal do Madureira Fc, onde trabalho há 15 anos… Também sou treinador do sub-15 do Madureira Fc… No ano passado eu assumi a equipe profissional nos jogos contra o Volta Redonda e contra o Vasco…

FOTO: jogadores da escolinha do Madureira FC com Gilberto Coroa

FOTO: jogadores da escolinha do Madureira FC com Gilberto Coroa

O EX-BOLEIRO GILBERTO FALA SOBRE A SUA CARREIRA

PAPO – Você iniciou a sua carreira como atleta profissional no Vasco da Gama. Como foi o inicia da sua carreira no Vasco?

BOLEIRO – Começou no futsal da Associação Comercial de Rocha Miranda, enfrentamos o Vasco em São Januário e eu fui o destaque da partida… Daí o Vasco entrou em contato com o meu pai e fui contratado pelo Vasco com 16 anos de idade… Aos 20 anos eu fui promovido para jogar ao lado dos profissionais onde permaneci até 1983, fui vice-campeão carioca em 1981, mas em 1982 fomos “supercampeões” porque fizemos mais pontos de todos os turnos.

FOTO: Gilberto Coroa no Vasco da Gama

FOTO: Gilberto Coroa no Vasco da Gama

PAPO – Gilberto, no futebol carioca você atuou pelo Botafogo e pelo América. Como foi pra você defender essas duas equipes cariocas?

BOLEIRO – Eu cheguei ao Botafogo com status de destaque do campeonato paulista jogando pelo Guarani de Campinas e, por indicação do novo treinador do Botafogo que também havia treinado o Guarani… Já no América eu joguei o campeonato carioca e o brasileiro da segunda divisão. Fui muito bem recebido por todos do América.

PAPO – Você jogou no Guarani de Campinas e depois encerra a carreira no Figueirense. Como foi atuar pelo Bugre e a sua passagem pelo Figueirense até o encerramento da sua carreira?

BOLEIRO – Em 1984, o Guarani havia contratado alguns jogadores do interior, buscando fazer um time forte… O Neto com 18 anos e havia acabado de subir para o profissional, já era a sensação de São Paulo… Foi uma passagem muito boa. O legal era jogar os Derbies (às vezes muito violento)… Certa vez, disputei um desses Derbies. O Guarani não ganhava da Ponte Preta à exatos cinco anos. Nesse jogo ganhamos por 3 x 1 e, o Neto foi o destaque da partida… A Ponte tinha vários jogadores famosos na época… Fora de campo a “pancada comeu solta” entre as duas torcidas, porque conseguimos ganhar o jogo e quebrar um longo jejum. Eram cadeiras voando pra todos os lados. Em Santa Catarina, eu já tinha nove ou dez anos de Joinville e o novo presidente do clube assumiu e com isso fez uma reforma… Fui parar no Figueirense, onde permaneci durante uns seis meses e, fizemos um ótimo campeonato brasileiro da série B, não subimos por pouco.

PAPO – Para o jogador Gilberto, foi difícil o encerramento da carreira de atleta profissional?

BOLEIRO – Eu sempre converso com os meus alunos da escolinha sobre quando um jogador parar de jogar… Quando você para de jogar, você começa a ter tempo para outras coisas… Quando você está jogando não se tem tempo para nada, não consegue estudar, é só viagem, aeroporto, concentração e jogo de futebol… Antigamente não se ganhava o dinheiro que se ganha hoje. Para você ter uma ideia, era difícil ter um apartamento quitado, quando conseguia comprar um, era financiado pela CEF (risos), então era difícil.

PAPO – Qual é o estilo do treinador Gilberto?

BOLEIRO – Meu estilo é jogar para ganhar… Aqui na base do Madureira, eu já ensino isso para os meus atletas, vamos jogar para frente e sempre em busca da vitória.

PAPO – E os projetos sociais, como estão?

BOLEIRO – Quando eu abri a minha primeira escolinha com o Roberto Dinamite, isso foi em 1998, no Coleginho… Revelamos alguns jogadores como: Diego Maurício (que jogou no Flamengo), Allan (que jogou no Vasco) e outros jogadores que foram para o Vasco, mas não conseguirmos ir em frente… Depois abri oura escolinha no Quitumbo. Nessa escolinha haviam mais de 100 crianças, o Roberto Dinamite ajudou bastante também. Dando bolas, uniformes, bebedouros entre outras coisas mais… Depois abri mais uma escolinha no Melo Tênis Clube na Vila da Penha. Nessa escolinha revelamos o atacante Wellington Silva do Fluminense, o Rafinha (jogou no Flamengo)… Tivemos também uma escolinha no Moquiço, onde todos os dias era uma correria só, por causa do tiroteio na comunidade (risos)… Todos os meus projetos sociais tiveram o apoio do Roberto Dinamite.

PAPO – O que hoje você tem a dizer do Madureira Fc que lhe abriu as portas como treinador?

BOLEIRO – Estou no Madureira há 15 anos, com administração do Elias Dubal, um presidente que cumpre com todas as suas obrigações. Os salários são pagos todos em dia, a garotada da base tem uma ótima estrutura… Eu só tenho a agradecer ao presidente e a todos os funcionários do clube por todos esses anos que aqui estou recebendo o carinho de todos… Aqui é uma família. Quando estamos disputando o campeonato carioca, os meninos da base (cerca de 70 a 80 crianças) e coloco-os para entrar em campo de mãos dadas com os atletas profissionais.

PAPO – O que a figura da família representou para você durante toda a sua carreira?

BOLEIRO – Só em falar da família, eu fico emocionado. Estou casado há 34 anos… Tenho duas filhas, uma está formada (doutora Camila), a outra já está casada e já me deu uma neta linda… Por onde eu andei, eu levei a minha família… Fui criado em Rocha Miranda e na época, o meu pai não deixava faltar nada para sua família… A família é tudo na vida. O atleta que não tem família para dar um apoio, uma palavra amiga, fica difícil seguir a carreira.

A RESENHA DE VESTIÁRIO

PAPO – Gilberto, fale sobre aquele papo que nunca podia faltar dentro do vestiário?

BOLEIRO – Eu não gosto muito de um papo no vestiário após o jogo, principalmente se o meu time perder (às vezes ficávamos de cabeça quente)… Íamos para casa e depois na representação, comentávamos sobre o jogo… Quando tudo ia bem, era bem saudável o papo. Colocávamos apelidos uns nos outros, ficava um ambiente gostoso… O time que conseguir manter um ambiente gostoso dentro do vestiário, sem grupinhos, esse time já conquistou uma grande vantagem na competição… O jogador geralmente comenta sobre a família, combinam de reunir-se em suas casas… O vestiário é muito legal quando tudo está bem, mas quando as coisas não andam como tem que andar, é no vestiário que o “bicho pega”.

PAPO – Um fato inusitado na sua carreira:

BOLEIRO – O Flamengo x Vasco do Ladrilheiro – Até hoje as pessoas comentam nas ruas comigo (risos)… Em 1981, o Antônio Lopes era o nosso treinador no Vasco e, jogamos a final do campeonato Carioca com o Flamengo (tínhamos que ganhar as três partidas), conseguimos ganhar duas partidas com show do Roberto Dinamite… Na terceira partida, o João Luiz (que era lateral esquerdo) havia levado o terceiro cartão amarelo e ficara suspenso, por isso, joguei no lugar dele (na lateral esquerda)… Quando atravessamos a ponte Rio/Niterói, era uma tremenda festa. De um lado torcedores do Flamengo e do outro, torcedores do Vasco (que lindo)… Chegamos ao Maracanã, uma multidão (mais de 176 mil pessoas), eu nunca havia visto tanta gente junta… Aos 36 do segundo tempo, 2 x 0 para o Flamengo, Ticão faz o gol do Vasco com passe de Roberto Dinamite. Nisso o Vasco “toma conta do jogo”, de repente o Presidente do Flamengo (Márcio Braga) junto com alguns diretores, esquematizaram para um rapaz chamado Roberto Ladrilheiro entrar em campo e tumultuar o jogo, assim esfriando a reação do nosso time. Esse rapaz saiu de dentro do vestiário do Flamengo e entro pela lateral do campo. O Roberto Dinamite tentava retirá-lo de campo, mas ele parecio “ensaboado”… Eu que já estava na lateral-esquerda, dei-lhe uma rasteira e o derrubei no gramado, “o tempo fechou”… O jogo ficou paralisado por mais ou menos uns 15 minutos, vários jogadores do Flamengo se envolveram na confusão e acabou esfriando o jogo, e nós não conseguimos o nosso objetivo que era a vitória… O Presidente do Flamengo não precisava fazer isso, porque naquela época era muito difícil de invadir o campo por causa do foço.

AGORA O PAPO É RETO

PAPO – Uma partida marcante que você tenha disputado?

BOLEIRO – Vasco x Flamengo – o jogo do ladrilheiro.

PAPO – Qual foi o atacante mais difícil que você enfrentou?

BOLEIRO – Serginho Chulapa dos Santos – ele era terrível, “batia” muito.

PAPO – Um craque?

BOLEIRO – Roberto Dinamite – craque, amigo e companheiro.

PAPO – Uma camisa?

BOLEIRO – A camisa 10 de Zico, Roberto Dinamite, Rivelino e outros mais que hoje em dia não existem mais.

LANÇAMOS A PERGUNTA BOMBA

PAPO – De todos os craques que você jogou ou até mesmo enfrentou, escale a nossa seleção brasileira:

BOLEIRO – Eu escalo a seleção brasileira de 1982.

Por: Luiz Otávio Oliveira

Facebook; @papocomboleirolance

E-mail: papocomboleiro@gmail.com



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