Batemos um papo com o ex-jogador Júlio César Uri Geller



“Por coincidência o até então verdadeiro Uri Geller estava no Brasil entortando talheres e eu no campo entortando corpos, depois descobriram que ele era uma fraude e eu passei a ser o Uri Geller verdadeiro”.

Foto: o eterno camisa 11 do Mengão está no nosso Papo com Boleiro de hoje

FOTO: o eterno camisa 11 do Mengão está no nosso Papo com Boleiro de hoje

Júlio César da Silva Gurjol, o Júlio César Uri Geller nasceu no dia 3 de março de 1956, na capital carioca.

Com seis anos havia um menino na comunidade carente da Praia do Pinto – RJ, que entre suas peladas esbanjava habilidade.

Júlio César foi um tormento para muitos laterais direitos, principalmente vascaínos, botafoguenses e tricolores. Seus dribles com camisa 11 rubro-negra lhe renderam o apelido de Uri Geller, um mágico da época.

PB – Quem é hoje o ex-atleta Júlio César?

“Hoje, eu estou junto com Adílio na parte social do Flamengo. Fazendo eventos, principalmente com crianças. O último evento que fizemos foi com o Diego (camisa 35 do FLA), onde mais de 200 crianças do Complexo do Lins participaram desta festa. Ainda sou o presidente do Flamaster, onde ajudamos 37 ex-jogadores de futebol com jogos e eventos de inaugurações com lojas do Flamengo”.

O EX-JOGADOR FALA UM POUCO SOBRE A SUA CARREIRA:

PB – Como você relata o começo da sua relação com o futebol?

“O começo foi meio por acaso, eu não imaginava que jogava tanto porque a minha mãe não me deixava brincar na comunidade Prado Pinto (risos). Ao voltar da escola, e numa praça em frente ao Flamengo, um grupo de crianças jogava bola e nisso estava faltando justamente um menino e, recebi o convite e aceitei na hora. Na primeira oportunidade dominei a bola com extrema facilidade com a perna esquerda e descobri que realmente eu tinha certo talento e surgiu esse monstro dentro de mim (risos)”.

PB – Dominguinhos. Na sua formação na Usina de Talentos, qual foi a influência do ex-jogador do Flamengo:

“Eu soube que havia um menino que jogava mais do que na Cruzada São Sebastião e, eu procurei saber quem era esse menino. Marcamos uma pelada na Cruzada São Sebastião e comprovei que realmente o Adílio tinha uma facilidade tremenda em jogar futebol. Foi quando começou a nossa amizade e lhe convidei para pular o muro da Gávea. Conheci o Dominguinhos na Cruzada por intermédio do Adílio, um jogador fantástico que sempre jogou as suas peladas na mesma Praça”.

PB – Como foi a sua chegada ao Flamengo:

“Eu morava em frente ao clube e, o meu sonho era pular o muro do Flamengo para jogar bola dentro do clube. Como eu vendia amendoim na porta do Jóquei Clube e no estacionamento do Flamengo e, com isso a ideia de pular o muro foi crescendo. Foi o que eu fiz (risos). Pulei com ajuda dos meus amigos e, todos os jogadores estavam todos de branco (meias, camisas e shorts), eu pedi a minha mãe para comprar esta roupa para mim. Pulei o muro com o meu uniforme e me enturmei com os riquinhos de dentro do clube e ninguém soube de nada. Assim ingressei no futebol de salão. Mas, eu sempre pensava no meu amigo Adílio pulando o muro comigo e jogando juntos. Pulamos e a nossa linda história de amizade e de dentro do futebol no Flamengo começou ali”.

FOTO: Julio César e Adílio no começo da carreira no FLA

FOTO: Julio César e Adílio no começo da carreira no FLA

PB – O apelido Uri Geller, quem lhe deu?

“Por coincidência o até então verdadeiro Uri Geller estava no Brasil entortando talheres e eu no campo entortando corpos (risos). O Waldir Amaral ou o Jorge Cury que criaram este apelido e encaixou certinho. Mas, depois descobriram que o tal do Uri Geller era falso e eu passei a ser o verdadeiro, mas era apenas um super-herói”.

FOTO: Júlio Cesar ganhou o apelido por entortar corpos no gramado

FOTO: Júlio Cesar ganhou o apelido por entortar corpos no gramado

PB – Pela sua posição dentro de campo, é obvio que você não marcou muitos gols em toda a sua carreira. Lembra-se do gol mais importante que você tenha marcado? E quantos gols pelo Flamengo?

– “Nem contei quantos gols eu fiz, mas os meus gols era cruzar a bola pela linha de fundo (então devo ter mais de mil gols – risos). Fiz um gol bonito no jogo entre Flamengo e Barcelona no Troféu Ramon Carrãnza e ganhamos por 2 x 1. Esse não foi um gol normal, aos quatro minutos do primeiro tempo e eu driblei praticamente o time todo do Barcelona inclusive o goleiro e entrei com bola e tudo”.

PB – Em 1979, como vocês conseguiram inspiração para a conquista do tricampeonato carioca?

“O compromisso do grupo era muito grande. O time era praticamente a escolinha toda do Flamengo. O tricampeonato foi muito normal, éramos um grupo que ganhava tudo e o menino que vendia amendoim no estacionamento e pulou o muro para jogar bola, estava nesse bolo, isso me emociona muito. A concorrência era grande entre os atletas, não podíamos dar brechas, do contrário, perderíamos a vaga e, isso servia de motivação”.

FOTO: FLA campeão

FOTO: FLA campeão

PB – Seleção Brasileira:

– “Eu infelizmente não pude participar da seleção principal, uma pena. Mas, participei da seleção olímpica quando era muito menino. O Sr. Zizinho (técnico) e o capitão Coutinho (preparador físico) me convocaram quando eu estava muito bem nos juniores do Flamengo. Fomos para as olimpíadas e ganhamos de todo mundo. Terminamos entre os quatro melhores da competição, perdemos para a Rússia e não conquistamos a medalha de bronze. Mas, o meu sonho era disputar uma Copa do Mundo, mas infelizmente não foi possível”.

PB – Você trocou o Flamengo pelo futebol argentino. Como foi esse momento da sua saída do Flamengo?

“Eu não gostaria de ter saído. Nós tínhamos conquistado o Campeonato Brasileiro de 1982 e a disputa da Libertadores e do Mundial seria a cereja do bolo, eu tinha a certeza que o nosso time chegaria. Mas, eu havia prometido comprar uma casa para a minha mãe, ela continuava morando na comunidade e tendo que buscar água de balde na outra comunidade e, o futebol Argentino me ajudou a cumprir esta promessa. Mas, saí do Flamengo muito dividido, de coração apertado, mas esse era o caminho. Naquela época era muito difícil ganhar dinheiro no Brasil com o futebol”.

FOTO: Júlio César no futebol argentino

FOTO: Júlio César no futebol argentino

PB – Na Argentina, em quais clubes você jogou?

– “Joguei no Talleres de Córdoba e no River Plate. Na época o Talleres era time de primeira divisão, um time com um poder financeiro muito grande”.

FOTO: Júlio César no Talleres da Argentina

FOTO: Júlio César no Talleres da Argentina

PB – Você regressa ao Brasil, por quê?

“Tive a oportunidade de vir jogar no Grêmio com uma proposta que me agradou muito. As coisas na Argentina não caminhavam muito bem (o país estava em uma recessão tremenda). Venho para o Grêmio lesionado e o clube acreditou que me recuperaria da contusão, mas infelizmente não consegui jogar. Tive uma lesão muito séria no tornozelo e permanecia no clube por um ou dois anos. Primeira vez eu fiquei muito triste, por não conseguir jogar, não por culpa minha nem do clube e sim de uma contusão inesperada”.

FOTO: Júlio César no Grêmio

FOTO: Júlio César no Grêmio

PB – E como foi o Júlio César no futebol mexicano?

“No futebol mexicano, as coisa não aconteceram muito bem. Quem me levou para o México foi o falecido Dirceu (ponta da seleção). Quando cheguei no clube só havia lugar para quatro estrangeiros e o elenco do Cruz Azul já estava completo com todos os estrangeiros”.

PB – No Clube do Remo você também conquistou um título importante. Como foi a sua passagem no time do Pará?

“Foi um clube que me abriu as portas. Ali o negócio aconteceu. Viajei ainda garoto, naquela transição entre os juniores e o profissional. Olha como eu joguei, o nosso time foi o maior time da história do Clube do Remo. Quase chegamos na Libertadores entre os anos de 77/78, ficamos entre os seis primeiros. Sou muito agradecido ao Leão Paraense, e graças a esse clube que pude voltar ao meu Flamengo com forças”.

FOTO: Júlio César no Clube do Remo

FOTO: Júlio César no Clube do Remo

PB – Em 1983, você foi jogar no Vasco? Como foi?

“Eu estava no Fortaleza FC, fomos bicampeões do campeonato Cearense. Recebi o convite para terminar o campeonato carioca, fui trocado pelo Marquinhos que também depois jogou no Flamengo. Infelizmente as coisas no Vasco não deram certo, o time também não vinha de uma boa temporada, mas tenho o maior respeito pelo clube Cruz-Maltino”.

PB – Como foi o encerramento da sua carreira?

“Depois de ter jogado em 14 clubes, no Brasil e fora dele. Recebi o convite para jogar no futebol dos EUA, e joguei por dois anos. Poderia ter continuado porque na época eu com 37 anos, eu me imaginava estar velho. Mentalmente já não tinha mais vontade de treinar”.

PB – É notório que você e alguns ex-jogadores do Flamengo têm um ótimo relacionamento com a atual diretoria do clube. Como é essa relação?

“A relação é ótima, as portas sempre abertas desde quando eu e o Adílio começamos com a parte social com o DR. Márcio Braga, depois a Patrícia e em seguida entrou o Sr. Bandeira de Melo com o Fred Luz, o abraço foi gigante. Até hoje, eu e o Adílio somos gratos ao Flamengo por essa troca por nos ter dado a oportunidade de ter apresentado um trabalho muito legal. Já fizemos várias ações no clube e no Ninho do Urubu. Hoje, o torcedor chega no clube e, tem o Máster do clube, jogamos com o sócio torcedor uma vez por mês, damos aulas. Agora estamos montando a escolinha social FlaMasters, a princípio começamos em Niterói, mas queremos ampliar para ajudar os meninos. Agradeço ao meu clube por ter colocado aquele muro para eu poder pular e, hoje, eu pulo novamente”.

FOTO: FlaMaster

FOTO: FlaMaster

Por: Luiz Otávio Oliveira

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