Batemos um papo com Mauro Galvão – Campeão com Internacional, Botafogo, Vasco e Grêmio



O Vasco tinha uma ambição de fazer um bom time para ir em busca de títulos. Deu tudo certo. Adaptação, conquistas, carinho da torcida. Perfeito.

A coluna Papo com Boleiro tem o prazer e a honra de poder contar um pouco da história de um dos zagueiros mais clássicos que o futebol brasileiro revelou.

Blog – Quem é hoje Mauro Galvão?

– Após o encerramento da minha carreira como atleta profissional, eu tenho trabalhado como gerente de futebol. Já trabalhei em algumas equipes como: Grêmio, Avaí, Vitória e o Vasco (base)… No momento, não tenho vínculo com clube algum, estou fazendo trabalhos pessoais… mas estou aguardando alguma proposta.

Foto: Mauro Galvão no Papo com Boleiro

AGORA, MAURO GALVÃO FALA UM POUCO SOBRE A SUA CARREIRA

Mauro Galvão encerrou a sua carreira em 2002, atuando pelo Grêmio, uma exitosa carreira de 23 anos como jogador. Seu primeiro título como atleta foi o tricampeonato brasileiro invicto pelo Inter, em 1979. Ainda no Beira-Rio, sagrou-se tetracampeão gaúcho entre 81 e 84. Depois de passar pelo Bangu, ganhou o bicampeonato carioca pelo Botafogo. Entre 90 e 96, atuou pelo Lugano, da Suíça. De volta ao Brasil, ergueu três taças pelo Grêmio. No Vasco, conquistou o Brasileirão de 97, a Libertadores de 98, a Mercosul e a Copa João Havelange em 2000.

Blog – Mauro, como foi o início da sua carreira como profissional? Encontrou dificuldades?

– Se existe algo que eu não posso reclamar, foi o começo da minha carreira no Internacional com 17 anos de idade… lógico, não foi fácil. Tendo sempre que mostrar o potencial. Eu tive a felicidade de ser ajudado por alguns companheiros do profissional que alertavam para os dirigentes e o técnico que existia um jovem atleta que estava se destacando na base. Isso ajudou bastante e me deu muita confiança.

Blog – Em 1979, você participou da conquista do campeonato brasileiro de forma invicta pelo Internacional. Como foi a sua passagem pelo Internacional (onde permaneceu até 1986), e o que representou essa conquista?

– Com 11 anos de idade eu estava no Grêmio. Com 15 anos, eu já estava no Inter e já com 17 anos, cheguei ao profissional. Quando apareceu a oportunidade em defender o Grêmio, eu já estava com 34 anos de idade e como eu só havia atuado pelo Grêmio nas divisões de bases, eu quis fechar esse ciclo. Minha passagem no Inter, de 79 à 86, campeão brasileiro invicto (até hoje, nenhum time ganhou). Quatro campeonatos regionais, muitos torneios importantes. Medalha de prata com a seleção nas olimpíadas. Realmente minha passagem pelo Inter foi motivo de orgulho.

Mauro Galvão no Internacional/foto: site jogadores colorados

Blog – Logo após a sua saída do Internacional, você vai defender o Bangu-RJ. Naquela época o time da zona Oeste carioca havia investido pesado (dinheiro). Contratou você, o volante Toby (ex-Coritiba) e o meia Neto (revelação do Guarani). Como foi a sua passagem pelo Bangu?

– Foi diferente. O Bangu era um time com características próprias. Não era considerado um “time grande”, mas era um time bom. Era a sensação do momento. Eu achei que o meu tempo no Inter, havia acabado. Bangu foi vice-campeão carioca e vice brasileiro. Aos poucos me adaptei. Montamos um bom time. O Bangu foi uma ponte para o futebol carioca.

Mauro Galvão no Bangu/foto: site pinterest

Blog – Em 1988, você, Paulinho Criciúma e Marinho, trocam o Bangu pelo Botafogo e conseguem acabar com um jejum de títulos do Glorioso. O Botafogo é campeão em 1989 e 1990. Como foi essa sua temporada no Botafogo?

– Essa mudança foi importante. Mudar para um time com uma grande torcida e com a possibilidade de disputa de títulos. Depois de 21 anos, fomos campeões. Aí na sequência, fui convocado para a seleção brasileira. Agradeço bastante por ter atuado pelo Botafogo. Tenho até hoje, grandes amigos daquela época. A amizade fora de campo, nos ajudou a termos forças dentro de campo.

Mauro Galvão no Botafogo/foto: site pinterest

Blog – Em 1990, é chegada a hora de Mauro Galvão respirar ares internacionais. Você deixa o Botafogo e acerta a sua transferência para o futebol suíço e vai defender o Lugano. Permanece entre 1990 e 1996, como foi a sua experiência no futebol suíço?

– Foi uma experiência muito boa. Tanto na parte profissional, quanto na parte pessoal. A família no início sentiu um pouco de dificuldade, mas foi uma adaptação muito tranquila. Meu filho fez o primeiro ano na escola, foram cinco anos. Aprendeu o italiano. Que é a língua local. Em termos de futebol, tivemos bons momentos. O Lugano disputou duas finais de Copa da Suíça. Ganhamos uma e perdemos a outra. Tivemos bons resultados da Copa UEFA. Então, dentro das limitações da equipe, fomos bem. Tenho amigos por lá até hoje.

Mauro Galvão no Lugano/foto: site swissinfo.ch

Blog – Depois de permanecer na Europa por seis anos, você regressa ao Brasil, acerta a sua transferência para o Grêmio, realiza o seu sonho de criança e ainda por cima conquista pelo tricolor gaúcho os títulos de campeão brasileiro em 1996 e a Copa do Brasil em 1997. Conte-nos como foi essa temporada no Grêmio?

– Eu tinha uma preocupação muito grande. Eu via jogadores que voltavam para o Brasil, serem muito questionados (dizendo que estavam em fim de carreiras). Procurei prestar bastante atenção e ver qual era o time que estava fazendo um bom trabalho. E os times que faziam um bom trabalho era o Palmeiras e Grêmio… eu havia recebido uma proposta do Palmeiras, mas achei que não era o momento certo… em seguida, recebi uma proposta do Grêmio. Conversei com o presidente e o Felipão e acertamos o contrato. Foi bom, foi importante voltar para o Grêmio e para a minha cidade.

Mauro Galvão no Grêmio/foto: site gauchazh

Blog – Considerado um zagueiro pé-quente não parou de conquistar títulos. Agora pelo Gigante da Colina. Você chega ao Vasco em 1997, permanecendo até 2001, conquistando vários títulos, dentre eles o carioca de 1998, a Libertadores de 1998 e a Copa João Havelange de 2000. Como foi para você, a sua passagem pelo Vasco da Gama?

– Foi muito importante… o Vasco é um time que eu sempre admirei, mas ainda não havia tido a oportunidade de jogar. Mas devido as mudanças nas regras do futebol: o jogador podia escolher o seu destino. Escolher o clube que quisesse jogar. Eu acabei assinando com o Vasco (mesmo eu estando bem no Grêmio). O Vasco tinha uma ambição de fazer um bom time para ir em busca de títulos. Deu tudo certo. Adaptação, conquistas, carinho da torcida. Perfeito. Em todos os lugares por onde vou, a torcida do Vasco me recebe muito bem.

Mauro Galvão no Vasco/foto: site NetVasco

Blog – Em 2001, você decide voltar ao seu clube de coração. Você acerta a sua transferência para o Grêmio e ainda conquistou o campeonato gaúcho em 2001 e a Copa do Brasil também em 2001. Como foi esse regresso para o Grêmio. Foi justamente para o encerramento da carreira?

– Apareceu a oportunidade. Eu estava no Vasco, ainda tinha um tempinho de contrato, mas eu estava tendo muitos problemas no Vasco. Em 2000, tive uma contusão no joelho. E eu já não participava mais dos jogos. Eu sempre gostei de jogar, nunca gostei de ficar de fora. E isso me incomodava muito. Surgiu a proposta do Grêmio e achei que era a hora de voltar. Fui muito feliz em retornar ao Grêmio. Um time muito forte. Tite, Zinho, Tinga e Danrlei. Foi espetacular ter voltado ao Grêmio e conquistado o título Gaúcho e a Copa do Brasil.

Blog – Em 2002, aos 40 anos você ainda disputa mais uma Libertadores, mas decide encerrar a carreira. Como foi o encerramento da sua carreira? A família já estava preparada?

– Quem gosta de jogar futebol, nunca está preparado para encerrar a carreira… eu já vinha tendo muitos problemas com lesões. Achei que era o momento de parar. Eu tinha mais coisas para resolver fora de campo do que dentro. Fica também a dúvida, qual seria o nível que eu voltaria a jogar? Onde jogar? Sempre joguei em times grandes, disputando títulos, será que eu aceitaria jogar em times que não competia na época? Achei por bem parar. Encerrar a minha carreira.

AGORA O PAPO É RETO

Blog – Um jogo inesquecível?

– Brasil x Uruguai, em 1989. Pela seleção brasileira no Maracanã. Conquistamos a Copa América.

Blog – Você conquistou muitos títulos, mas qual foi o título que mais marcou a sua carreira?

– Todos foram importantes: Internacional em 79, Grêmio em 96, Botafogo em 89, Lugano em 93, seleção brasileira em 89 e Vasco em 98. Todos foram incríveis.

AGORA LANÇAMOS A PERGUNTA BOMBA

Blog – Seu melhor companheiro de zaga?

– Eu tive vários companheiros de zaga muito bons. Mauro Pastor, Aloísio, Pinga, Wilson Gotardo, Odvan. Grandes zagueiros. Orgulho-me muito em não ter tido problema algum com os meus companheiros de zaga.

Blog – Deixe as suas considerações finais sobre a nossa coluna:

– Acho muito legal esse trabalho que vocês fazem… o Papo com Boleiro vem resgatar principalmente um pouco da história de vários jogadores que muitos não conhecem. Isso é muito importante. O resgate e a memória do futebol brasileiro. Agradeço à vocês por esse trabalho. A vida é assim, deixamos muitas histórias e é bem legal quando vemos essas histórias sendo reproduzidas.

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