Batemos um papo com Mário Motta – O loiro Mário do Palmeiras, América-RJ, Internacional, Corinthians e outros



FOTO: Acervo do ex-jogador / No Palmeiras

“Na minha época, vestir a camisa da seleção brasileira era uma sensação única. Era o maior orgulho.”

Centroavante que defendeu o Palmeiras, América-RJ, Internacional de Porto Alegre, Corinthians, seleção brasileira, dentre outras equipes, Mário de Queiroz Motta Júnior, o loiro Mário, é o nosso convidado em mais um Papo com Boleiro.

Blog – Quem é hoje o ex-jogador Mário Queiroz?

Durante toda a minha carreira como atleta, eu sempre estudei. Quando encerrei a minha carreira, por certo tempo, fui dono de um comércio. Mas hoje, sou advogado.

Blog – Você começou sua carreira como atleta profissional no Palmeiras? Como foi o início da sua carreira?

Em 1973. Eu estava disputando o Torneio de Cannes com a seleção brasileira… quando eu regressei, o técnico Oswaldo Brandão me profissionalizou… eu era um garoto de 19 anos de idade e sem experiência alguma, o técnico Brandão pediu que eu fosse emprestado para o Operário-MT, onde fiquei apenas seis meses… depois fui emprestado para o Bonsucesso-RJ. Fui artilheiro da Taça Guanabara com oito gols… no início de 1975, retornei para o Palmeiras, quando o César Maluco saiu do time. Assumi a titularidade e marquei sete gols no campeonato brasileiro.

FOTO: Acervo do ex-jogador / No Palmeiras

FOTO: Acervo do ex-jogador / No Palmeiras

Blog – Depois do Palmeiras, você acerta a sua transferência para o América-RJ. O que te levou a trocar o futebol paulista (sua cidade), pelo futebol carioca? E, como foi a sua passagem pelo América-RJ?

Eu estava bem no Palmeiras, mas eu tive um certo desentendimento com o treinador Dino Sani (hoje somos amigos). Fui emprestado para o América-RJ por dois anos. E esse foi um momento marcante na minha carreira. Até hoje a torcida do América-RJ, me homenageia. No final de 1978, o América-RJ que havia se tornado dono do meu passe, me vendeu para o Internacional-RS.

FOTO: Acervo do ex-jogador / No América-RJ

FOTO: Acervo do ex-jogador / No América-RJ

Blog – Você também balançou as redes no Colorado. Foi jogar pelo Internacional de Porto Alegre. Como foi a sua passagem pelo time do Internacional?

O treinador era o Cláudio Duarte. No campeonato gaúcho fui muito bem. Em 20 jogos, marquei 18 gols. Devido à uma contusão que eu tive no Gre/Nal, fiquei afastado por quatro meses. E, retornei aos gramados, na metade do campeonato brasileiro de 1979. Ênio Andrade era o treinador (Cláudio Duarte havia saído), consegui jogar algumas partidas e, conseguimos o título nacional de forma invicta.

FOTO: Acervo do ex-jogador / No Internacional-RS

FOTO: Acervo do ex-jogador / No Internacional-RS

Blog – Hoje em dia, é muito difícil um jogador de futebol que atue no Brasil, trocar o futebol local pelo colombiano (até mesmo pelas diferenças salariais). Mas você atuou no Milionários de Bogotá na Colômbia. Como foi a sua passagem pelo futebol colombiano? Houve alguma dificuldade na adaptação?

Minha passagem pelo futebol colombiano foi maravilhosa. Nos primeiros dias eu senti muito devido à altitude. Os treinamentos eram muito puxados. A marcação era diferente da marcação feita aqui no Brasil. Na minha estreia, peguei na bola umas quatro ou cinco vezes. Porque a marcação era muito forte e de forma individual. Depois junto com o treinador (José Teixeira), conversamos sobre as partes táticas e ele me instruiu a me movimentar mais para abrir espaços. Assim, logo me adaptei e comecei marcar os gols.

Blog – Mário, como foi atuar pelo Corinthians, maior rival do Palmeiras – clube que o revelou -?

O presidente do Corinthians foi pessoalmente a Bogotá-COL para me contratar. Eu sempre encarei o futebol como profissão. Eu sou palmeirense desde criança. Mas quando eu jogava, eu esquecia para que time eu torcia… houve espanto até por parte da minha família, mas encarei os meus jogos de forma natural. Mas sofri uma contusão no joelho que me atrapalhou bastante. Fiquei um ano e meio parado… eu me senti muito bem jogando pelo Corinthians.

FOTO: Acervo do ex-jogador / No Corinthians

FOTO: Acervo do ex-jogador / No Corinthians

SELEÇÃO BRASILEIRA

Blog – Ainda nos tempos de juvenil, você chegou a vestir a camisa da seleção brasileira, que foi tricampeã do Torneio de Cannes. Independente da categoria em que você estava atuando, como foi vestir a amarelinha?

Na minha época, vestir a camisa da seleção brasileira era uma sensação única. Era o maior orgulho. Fomos tricampeões em Cannes, jogamos contra a seleção da Itália. O segundo jogo foi contra a seleção da Argentina – jogo dificílimo – o critério de desempate era a quantidade de escanteios… chutávamos as bolas nas canelas dos argentinos para conseguirmos escanteios (risos)! Fomos para a final contra a seleção da Holanda – um timaço na época, era o começo do Carrossel – ganhamos por 3 x 2 e foi a gloria.

Blog – Como foi o encerramento da sua carreira?

É um momento muito triste para o jogador… eu encerrei a minha carreira precocemente. Após a minha primeira cirurgia no joelho (naquela época a medicina não era tão avançada como hoje), fiquei um ano e meio com gesso na perna. Na volta aos gramados, atuando pelo Paraná Club, novamente sofri outra contusão. Depois de três meses, de volta ao Corinthians, o treinador pediu a renovação do meu contrato (eu estava jogando bem na época). Só que a diretoria havia sido contra, por conta da informação passada pelo departamento médico – eu havia feito uma cirurgia delicada – com isso, fiquei muito chateado e resolvi encerrar a minha carreira.

PAPO DE TORCEDOR – Perguntas enviadas pelo leitor e torcedor palmeirense Carlos Alberto Mattos

Blog – Mário, você era o centroavante titular do Corinthians no começo de 1982, mas devido a uma lesão, você ficou de fora do jogo contra o Guará, no Pacaembu. E sem um centroavante autêntico, o técnico Mário Travaglini resolveu dar uma oportunidade ao jovem Casagrande – que inclusive já estava negociado com o América-RJ -, que retornava de empréstimo da Caldense, de Poços de Caldas (MG). Por isso dizem que você revelou o Casagrande?

Exatamente… eu era titular no Corinthians e, em um jogo pela Taça de Prata, outra contusão no joelho. Tentei continuar, mas no aquecimento do jogo contra o Guará, não suportei as dores. O treinador escalou o Casagrande, e o “menino” foi bem. Eu já estava com os meus 28 para 29 anos e, logo depois, eu continuava a dar bons conselhos ao jovem Casagrande.

Blog – Em 31 de agosto de 1975, o Palmeiras conquistava a 21ª edição do Troféu Ramón de Carranza ao bater o Real Madrid (ESP), pelo placar de 3 x 1. Você lembra esse jogo?

Jogamos contra o Real Zaragoza no sábado (não me recordo o placar). No dia seguinte, jogamos a final contra o Real Madrid. Vencemos por 3 x 1 e o Palmeiras foi tricampeão do torneio. Mas tive outra alegria na Espanha também. Dessa vez foi pelo América-RJ, no torneio em Málaga. Fui eleito o melhor jogador do torneio.

AGORA O PAPO É RETO

Blog – Uma camisa?

São duas camisas: Palmeiras e seleção brasileira.

Blog – Uma partida e uma conquista inesquecível?

A grande partida: Palmeiras x Fluminense. Em agosto de 1975, vencemos por 3 x 2. A conquista inesquecível: a conquista do tricampeonato invicto pelo Internacional. E o título de melhor jogador no torneio de Zaragoza na Espanha.

Blog – Um gol marcante?

Um gol de bicicleta de fora da área, contra a Ponte Preta. Eu jogava pelo Santo André.

Blog – Um craque?

Ademir da Guia.

LANÇAMOS AGORA A PERGUNTA BOMBA

Blog – De todos os craques com quem você atuou, monte a nossa seleção brasileira:

Leão, Eurico, Luís Pereira, Mauro Galvão e Vladimir; Dudu, Ademir da Guia e Falcão; Valdomiro, César e Mário Sérgio;

Suplentes: Sócrates, Zenon, Biro-Biro, Leivinha, Edu Bala e Nei;

PAPO FINAL

Blog – Deixe as suas considerações finais sobre a nossa coluna:

É tão difícil vermos parte da crônica esportiva interessada nos antigos jogadores. Nós sentimos um orgulho muito grande quando essa coluna do jornal Lance, se importa em resgatar as memórias desses ex-jogadores. No Brasil, o povo tem memória curta.



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