Batemos um papo com Leandro Ávila – Foi um clássico volante do futebol carioca



Foto: batemos um papo com Leandro Ávila

Foto: batemos um papo com Leandro Ávila

Hoje, batemos um papo muito descontraído com um dos camisas cinco mais clássico do futebol brasileiro que surgiu nos anos 90.

Foto: batemos um papo com Leandro Ávila

Foto: batemos um papo com Leandro Ávila

BIOGRAFIA DO EX BOLEIRO

Leandro Coronas Ávila, mais conhecido como Leandro Ávila nascido em Porto Alegre – RS, e hoje vive na cidade Maravilhosa.

Revelado pelo Vasco, em 1991, conquistou o tricampeonato estadual de 1992, 1993 E 1994. Em 1995, foi para rival Botafogo, sendo destaque na campanha do título do brasileirão daquele ano. Também conquistou o tricampeão carioca pelo Flamengo.

Papo – Quem é o ex-boleiro Leandro Ávila?

Boleiro – Sou um homem simples, dedico o meu tempo livre para ficar com a minha família, vim de Porto Alegre com 16 anos, quando comecei a minha carreira no Vasco aos 16 anos, tenho dois filhos e sou apaixonado pelo Rio de Janeiro.

O ex-boleiro Leandro Ávila fala sobre a sua carreira

Papo – O Vasco em 1991 revela para o futebol mundial um dos volantes mais técnicos do futebol brasileiro. Você conquistou o tricampeonato carioca pela equipe vascaína nos anos de 92, 93 e 94. Como foi essa emoção?

Foto: Leandro Ávila no Vasco

Foto: Leandro Ávila no Vasco

Boleiro – Para mim foi maravilhoso… No começo da minha carreira e logo conquistar estes títulos pelo Vasco da Gama foi demais (risos)… Esses acontecimentos me deram mais estabilidade na carreira, com mais experiência e fortalecendo a parte emocional. Havíamos sido campeões da copa Rio\São Paulo, e ainda haviam subido alguns jogadores para o profissional, eu na época havia sido emprestado para o Americano de Campos, porque existia muita gente de qualidade no meio campo, mas o professor Nelsinho solicitou o meu retorno e fomos campeões inéditos e invictos.

Papo – Como foi a sua saída do Vasco em 1995, indo atuar pelo Botafogo?

Boleiro – A minha saída do Vasco foi devido a uma desavença entre eu e o “Dr. Eurico”, nós não entramos em um acordo para a renovação de contrato. Na época o “Dr. Eurico” não aceitava o meu empresário e exigiu que eu trocasse de empresário para conversar com ele (Eurico). Mas, o meu empresário era o mesmo que havia me trazido do Sul para o Vasco, por isso, não fechamos o acordo… Ainda fiquei alguns meses parado, na época ainda não existia a Lei Pelé, eu ainda era funcionário do Vasco… Surgiu a proposta de ir para o Botafogo por empréstimo… Graças a Deus deu tudo certo e ainda fui contemplado com o título brasileiro.

Papo – No Botafogo em 1995, você participa da maior conquista do clube alvinegro, o Campeonato Brasileiro. Em sua opinião, como foi essa conquista?

Foto: Leandro Ávila no Botafogo

Foto: Leandro Ávila no Botafogo

Boleiro – Na época ninguém esperava conquistar o brasileirão, nem mesmo o próprio presidente (risos). O Montenegro queria montar um bom time, como montou, mas todos assim como eu, foram chegando aos pouquinhos… Eu havia chegado já na terceira rodada… Vieram Donizete e Gonçalves que não conhecíamos muito estes jogadores, tínhamos o Beto, começando a carreira, as experiências do Gotardo e o Túlio, o time deu liga com o Autuori (treinador) vindo de Portugal, ninguém o conhecia… Todos nós entendíamos o que ele pedia fora de campo… Não tínhamos apenas 11 jogadores em campo, tínhamos 21… Quando haviam mudanças no time, mantínhamos a mesma pegada… Foi na metade do campeonato em diante, nós percebemos que podíamos ganhar o título.

Papo – Na temporada seguinte Leandro, você chega ao Palmeiras, mas com uma passagem bem rápida pelo time alviverde paulista. Você acredita ter sido frustrante a sua passagem pelo Palmeiras?

Foto: Leandro Ávila no Palmeiras

Foto: Leandro Ávila no Palmeiras

Boleiro – Na época eu tive uma pubalgia muito séria. Eu já havia tido esse mesmo problema no Vasco em 1991, que curei através de radioterapia (algo muito difícil), e eu sabia que um dia este problema poderia voltar e acabou voltando justamente atuando pelo Palmeiras… Prejudicou-me muito, até mesmo na seleção brasileira… Eu não conseguia jogar por causa das dores, foi quando veio o convite para voltar ao Rio de Janeiro e jogar pelo Fluminense. 

Papo – Em 1997, você chega ao tricolor carioca. Mas o momento do Fluminense não era nada bom. O tricolor havia permanecido na série A através de uma “virada de mesa”, como foi a sua passagem pelo Fluminense?

Boleiro – Eu tive um prazer imenso de jogar pelo Fluminense… Uma camisa que eu queria vestir naquela época, mas nesse período deu tudo errado (risos)… Ficamos seis meses sem receber salários. Eu nunca havia passado por isso, na época estava na moda os clubes atrasarem os salários, mas seis meses, não tinha como! Alguns jogadores já não conseguiam mais focar dentro de campo devido aos problemas particulares pela falta de pagamento… O time era bom, mas o patrocínio na época não era a Unimed.

Papo – No ano seguinte Leandro, você é contratado pelo Flamengo. Vira ídolo da nação rubro-negra e vira o Leandro Ávila (ganhou um sobrenome), devido ao seu xará. Conquista o tricampeonato carioca em 99, 2000 e 2001 e uma Mercosul em 1999. Na sua concepção, você imaginaria virar ídolo do Flamengo?

Foto: Leandro Ávila no Flamengo

Foto: Leandro Ávila no Flamengo

Boleiro – A torcida do Flamengo me ajudou muito… Eu já havia jogado pelos três grandes clubes do RJ, e não sabia como eu seria aceito por todos… Com o passar do tempo, eu já me sentia em casa (risos)… Apesar de intensificar os treinos, eu tive um problema no joelho e tive que operar. Após a cirurgia, tive uma infecção hospitalar no Barra D´or. Atrasando a minha recuperação, o que era para ter sido um mês, duraram nove meses de recuperação… Só retornei porque o técnico Carlinhos me colocou para jogar a final contra o Vasco. Entrei com receio, mas aceitei o desafio de jogar e marcar o Edmundo (risos).

Papo – Logo após todas essas conquistas e você ter virado ídolo rubro-negro, vem à transferência para o Botafogo em 2001. Por que o retorno ao Botafogo?

Boleiro – Dessa vez, eu não queria voltar para o Botafogo, eu estava bem no Flamengo. Sem nenhuma lesão, e conseguindo ter uma boa sequência de jogos. Mas, veio o pedido de um desembargador ligado ao Botafogo, direto para o presidente do Flamengo Edmundo Santos Silva. O presidente na época havia me dito que ele (presidente), não poderia negar este pedido… Mas, fui apenas para disputar o campeonato brasileiro pelo Botafogo depois regressei ao Flamengo.

Papo – Em 2002, o Flamengo disputaria a Libertadores. O Flamengo sinaliza querer contar com a sua presença no elenco. Como foi a sua volta ao rubro negro da Gávea?

Boleiro – Para mim foi tudo normal, eu havia cumprido o combinado. Mas, o Flamengo vivia numa crise financeira muito grande e fiquei cinco meses sem receber salários… Alguns jogadores já estavam insatisfeitos… O time em si, não estava bem na Libertadores, foi quando surgiu a proposta para jogar no Internacional… Como o Flamengo estava disposto a reduzir a folha salarial para economizar, concluímos a transferência.

Papo – No mesmo ano, você se transfere para o Internacional e conquista o campeonato gaúcho. Como foi a sua passagem pelo Inter de Porto Alegre?

Boleiro – Cheguei ao Internacional como titular… Conquistamos o título de campeão gaúcho, mas, em decorrência a cirurgia no joelho lá no passado, eu tive outra contusão mais séria ainda… No Flamengo, eu conseguia controlar através da quantidade de treinos diários (uma vez por dia). Mas, no Inter, com a chegada do treinador Guto Ferreira, resolveu intensificar os treinos (dois por dia), e não deu outra, a lesão voltou.

Papo – Seleção brasileira, como foi para você?

Foto: Leandro Ávila na seleção brasileira

Foto: Leandro Ávila na seleção brasileira

Boleiro – Tive uma passagem bem rápida pela seleção, porém, muito boa… Na época fui convocado para alguns amistosos, fui para a Copa América de 1995… Perdi um pouco de espaço junto com o goleiro Carlos Germano, pois, o Vasco não havia nos liberado para a seleção, sem contar que na minha posição tinham o Dunga e o Mauro Silva… Infelizmente durante a Copa América, torci o tornozelo… Mas quando Zagalo assumiu a seleção, tive outras ótimas oportunidades.

Papo – Assim como a grande maioria dos boleiros, você vai atuar no futebol do Mundo Árabe. Como foi para você, essa passagem pelo futebol árabe?

Boleiro – É um dos países mais complicados de se jogar futebol devido aos seus costumes (risos)… Não pude levar a minha família, porque eu fui para ficar apenas entre três a quatro meses, foi apenas até o fim do campeonato local… Já nessa época eu estava com 33 anos, e as dores aumentavam a cada dia… Chegou um outro treinador que não gostava de escalar jogadores estrangeiros (principalmente os brasileiros), me deixava de fora junto com o Somália, escalando sempre os atletas árabes… Para mim foi uma experiência além de nova na época, muito boa, mas só apenas em termos de aprendizado… Depois voltei para o Brasil já com a intenção de encerrar a carreira.

O EX BOLEIRO FALA SOBRE AS CURIOSIDADES DA SUA CARREIRA DE JOGADOR

Papo – Como foi o encerramento da sua carreira?

Boleiro – Graças a Deus para mim foi muito tranquilo, porque com o passar do tempo, eu já vinha preparando a minha família para isso… Devido as lesões seguidas. Desde a cirurgia no joelho, ainda jogando pelo Flamengo, eu já vinha sentindo muitas dores… Eu já estava sem cartilagem no joelho… Me cuidei bastante durante a carreira, mas devido as lesões não conseguia mais continuar jogando.

Papo – Qual foi o título mais importante que você conquistou?

Boleiro – Foram alguns títulos importantes por clubes diferentes… O tricampeonato carioca pelo Vasco, o campeonato brasileiro de 1995 pelo Botafogo e o tricampeonato carioca pelo Flamengo. Esses foram os principais títulos que eu conquistei.

Papo – Qual foi o seu jogo emblemático?

Boleiro – No Flamengo… Foi o meu retorno logo após ter ficado nove meses parado… Foi na decisão contra o Vasco no estadual de 1999… Aquele jogo era uma incógnita. Se eu sentisse a lesão, poderia ter até encerrado a carreira naquele momento… Chorei muito mais com o fim do jogo, do que com a conquista em si, pelo simples fato de ter conseguido concluir a partida.

Papo – Dentro da sua carreira de jogador, você se espelhou em algum jogador? E na carreira de treinador, existe algum treinador que te inspira?

Boleiro – Como jogador eu sempre me espelhei no Zico (como um atleta). O Falcão também causava certa admiração… Como treinador, procurei sempre aprender com quem trabalhei. Zagalo, Luxemburgo (que tem uma palestra motivacional fenomenal), Paulo Autuori e Abelão (Abel Braga).

Papo – Você teve alguma frustração dentro da sua carreira de jogador?

Boleiro – Não tive frustração alguma… Agradeço a Deus pela carreira que tive… Foi tudo muito difícil, desde o mirim até o profissional… Se manter em alto nível jogando na primeira divisão você tem que estar sempre 90% a 100%… Agradeço aos jogadores que estiveram ao meu lado e a todos os torcedores que me apoiaram.

Papo – Existiu algum fato inusitado na sua carreira que até hoje não sai da sua memória?

Boleiro – Quando fomos campeões da Taça Rio de juniores, fui promovido para o profissional… Logo em seguida, fui emprestado para o Americano de Campos, não foi uma experiência muito boa… O clube não pagava salários, não fiquei bem alojado, eu não me sentia bem no clube… Apesar de ainda ter contrato com o clube, falei com a minha esposa (na época era namorada), peguei as minhas coisas e fui parar no Vasco… O Dr. Eurico Miranda quando me viu, se espantou e me perguntou: O que você está fazendo aqui garoto? – e eu lhe respondi dizendo que não mais queria permanecer no Americano devido às péssimas condições (risos)… O Dr. Eurico tinha uma grande amizade com o Caixa D’água (presidente do Americano) e conseguiu a minha rescisão de contrato… Acabei ficando no Vasco, treinando com os outros jogadores e de repente aparece-me uma oportunidade de jogar na lateral-direita, aceito e faço dois gols (risos)… Fiquei sendo observado e logo depois efetivado ao grupo principal pelo técnico Nelsinho (treinador na época).

AGORA, O EX BOLEIRO VIROU TREINADOR!

Foto: Leandro Ávila treinando o Atlético-PR

Foto: Leandro Ávila treinando o Atlético-PR

Papo – Como começou a sua carreira de treinador? E como está hoje?

Boleiro – Comecei trabalhando como auxiliar técnico do Edinho no Brasiliense, trabalhei no Sport Recife e no Atlético-PR… Em 2007, recebi o convite para assumir o CFZ, aproveitei esse momento para adquirir mais experiências… Depois fiz alguns cursos enquanto não atuava… Fui para Portugal treinar uma equipe da série B em 2010. Fiquei entre três e quatro meses, porque faltava o curso específico do cargo, inclusive eu nem podia assinar a súmula… Regressei ao Brasil, fiz o curso da CBF… Atuei como auxiliar técnico do Atlético-PR… Por enquanto estou analisando algumas propostas.

Papo – Como foi a sua estreia como treinador de uma equipe da série A, diante do Corinthians e ainda mais em SP?

Boleiro – Deu tudo certo (risos)… Eu tinha uma relação muito boa com os atletas, eu fazia aquela ligação entre os atletas e a diretoria… Então quando assumi o comando do Atlético-PR, não havia muito o que fazer, somente muita conversa… Fomos para São Paulo na intenção de ganhar o jogo, mas logo levamos um gol no começo do jogo.

Papo – Qual é o seu estilo como treinador?

Boleiro – Eu tenho um meio termo… Cobro bastante disciplina, mas sempre conversando… Mostrando e fazendo com que o atleta tenha o respeito pelo treinador… Sou muito adepto da conversa… Rispidez só se houver algum caso de indisciplina.

Papo – Para o treinador Leandro Ávila, existe um esquema tático favorito, depende da equipe treinada ou depende do adversário?

Boleiro – Depende da equipe que vamos treinar, você tem que analisar o que o clube e os atletas têm para oferecer.

Papo – Qual é o seu objetivo como treinador?

Boleiro – Meu objetivo é ter uma oportunidade para trabalhar em um clube que ofereça uma boa estrutura de trabalho, o tamanho do clube não importa, o importante é existir um planejamento, basta isso para ser feito um bom trabalho… Porque futebol no Brasil se vive com os resultados alcançados.

O EX BOLEIRO FALA SOBRE FAMÍLIA

Papo – Leandro Ávila, o que é a figura da família para você?

Boleiro – É o meu porto seguro… Onde eu compartilho os meus momentos de felicidades… Com a minha família por perto, as coisas ficam bem mais fáceis de serem resolvidas… Não só a família, mas, também os amigos são fundamentais… A minha família me ajudou muito nos momentos das contusões… Minha família é o meu tesouro.

LANÇAMOS AGORA A PERGUNTA BOMBA

Papo – O que falar sobre o atual momento da nossa seleção brasileira? E sobre a classificação para a Copa do Mundo da Rússia?

Boleiro – A seleção começa bem, mas quando a coisa é pra valer, parece que os jogadores sentem a pressão… Qualidade a nossa seleção tem, os melhores jogadores estão sendo convocados. Acho que o problema é num todo… As categorias de base. Introduzir um esquema tático para os jogadores da base para quando chegarem ao profissional, não terem dificuldades, mas o futebol brasileiro não vive um bom momento. Tenho certeza da nossa classificação para a Copa do Mundo, ainda mais com a chegada do técnico Tite. Esse sim, terá condições de mudar a “cara” da nossa seleção.

DEIXE PARA OS NOSSOS LEITORES AS SUAS CONSIDERAÇÕES FINAIS

Boleiro – Agradeço muito a participação na coluna Papo com Boleiro, o trabalho da coluna está de parabéns… A ideia de resgatar a memória do boleiro de antigamente e trazer para os torcedores atuais, é algo maravilhoso… Espero ter contribuído para o crescimento de alguma forma desta coluna que trás a opinião do antigo boleiro para o futebol de hoje em dia, parabéns pelo belo trabalho, muito obrigado pelo convite e sou feliz de ter batido este papo com você.

Por: Luiz Otávio Oliveira

Twitter: @cariocaonline

Facebook: @papocomboleirolance

E-mail: papocomboleiro@gmail.com



MaisRecentes

Batemos um papo com o ex-jogador Lúcio Bala



Continue Lendo

Um verdadeiro “volante” clássico – Batemos um papo com o ex-jogador Jamir



Continue Lendo

#PapocomBoleiro “O Artilheiro das Decisões” – Batemos um papo com Nunes



Continue Lendo