Batemos um papo com Gilmar Popoca – Treinador do Flamengo sub-20



Papo com Gilmar Popoca - treinador do Flamengo sub-20

Papo com Gilmar Popoca - treinador do Flamengo sub-20

Batemos um papo com Gilmar Popoca, que é natural de Manaus (AM), onde nasceu no dia 18 de fevereiro de 1964, atualmente mora no Rio de Janeiro (RJ) e é treinador do time sub-20 do Flamengo que disputa a Copa SP de Juniores.

Papo com Gilmar Popoca - treinador do Flamengo sub-20

FOTO: Papo com Gilmar Popoca – treinador do Flamengo sub-20

Gilmar chegou a ser apontado como um dos sucessores de Zico no Flamengo, mas ficou pouco tempo na Gávea. Augilmar Silva de Oliveira, conhecido como Gilmar Popoca, era um talentoso meia-esquerda que começou a ganhar fama em 1983.

No ano seguinte, Gilmar comemorou a sua convocação para os jogos olímpicos de Los Angeles, nos EUA, em 1984. O jogador foi um dos destaques da equipe comandada pelo técnico Jair Picerni, conquistando a medalha de prata.

Pela seleção, Gilmar fez quatro gols em 10 jogos. Eles foram contra as seleções da Arábia (3 a 1 para o Brasil), Alemanha Ocidente (1 a 0), Canadá (1 a 1) e Itália (2 a 1).

Com a camisa do Flamengo, Gilmar Popoca fez 29 gols em 109 jogos (fonte: Almanaque do Flamengo – Clóvis Martins e Roberto Assaf).

Depois do Flamengo, Gilmar atuou em várias equipes, entre elas na Ponte Preta e Santos, no final dos anos 80, e no São Paulo, em 1990. Pelo Tricolor do Morumbi, Gilmar não teve muitas oportunidades.

PB – Quem é hoje, o treinador Gilmar Popoca?

– “Hoje, sou um treinador com uma formação acadêmica, acredito muito na qualificação do profissional, ainda mais no mercado em que vivemos, onde ainda existem muitos preconceitos pelo profissional que é um ex-atleta, por isso, procurei me qualificar. Ainda tenho alguns cursos de capacitação onde me ajudam a evoluir na minha carreira. Eu tive muita humildade de começar lá de baixo. Passei pela sub-13, sub-17 e hoje estou na categoria sub-20. Eu além de ser um treinador, posso dizer que também sou um formador. Eu sou um treinador que gosto do futebol competitivo, organizado e sem perder a plástica, afinal eu venho de uma escola chamada Flamengo”.

FOTO: Gilmar Popoca com os meninos do Flamengo sub-20 na Copinha SP 2017

FOTO: Gilmar Popoca com os meninos do Flamengo sub-20 na Copinha SP 2017

PB – Como foi o início da sua carreira como atleta profissional?

– “Foi algo de Deus mesmo. Eu cheguei ao Rio de Janeiro ainda com os meus 15 anos, vindo de Manaus (numa região que na minha época era pouco conhecida). Meu treinador em Manaus – professor Antônio Piola – era muito amigo do professor Claudio Coutinho (um dos maiores treinadores que o Flamengo já teve). O Flamengo foi fazer um amistoso em Manaus e o meu treinador me apresentou para o professor Coutinho que me convidou para ir ao estádio (onde o Flamengo iria jogar) fazer um teste. Fui conhecer o professor Claudio Coutinho e tive a oportunidade e a honra de bater uma bola com Zico, Adílio, Andrade, Raul, Rondinelli e outros. O professor Coutinho me pediu para ir ao RJ fazer mais uns testes e acabei sendo aprovado. E fui para a categoria juvenil. Fui subindo pouco a pouco. Fui artilheiro em todas as categorias de base”.

PB – No Flamengo você marcou 29 gols em 109 jogos. Como foi a sua passagem pelo time rubro-negro?

– “Foi ótima. Naquela época o nível era altíssimo. Os maiores jogadores do futebol estavam no Flamengo. Zico, Titã, Andrade e Adílio. Eu jogava naquela posição e sabia que teria que ter paciência em esperar o meu momento para jogar. Quando o Zico saiu eu tive a capacidade de mostrar o meu potencial. Consegui construir a minha história dentro do clube. Sou muito realizado por ter começado a minha carreira no meu clube de coração. Ter jogado ao lado de Zico (o meu ídolo, o meu Pelé), foi realmente uma realização”.

FOTO: Gilmar Popoca no FLA de 1983

FOTO: Gilmar Popoca no FLA de 1985

PB – Você encerra a sua carreira como atleta profissional e passa a comandar as equipes de base do Flamengo. Como foi essa experiência?

– “Para isso, eu procurei me formar, estudar e aprender mais e mais. Comecei com o Rogério (ex-atleta do Flamengo), comecei na categoria sub-13, tive a felicidade de formar vários atletas e hoje, estou comandando a categoria sub-20 do Flamengo”.

FOTO: Gilmar Popoca comandando a garotado do FLA sub-20

FOTO: Gilmar Popoca comandando a garotado do FLA sub-20

PB – Flamengo na Copinha. O seu time estreou de forma arrasadora, goleando o Central-PE. Como você vem lidando com essa garotada, tendo a responsabilidade de conquistar este título?

– “Primeiro eu conversei com os garotos para deixá-los cientes de que o Flamengo sempre entra nas competições para vencer, mas eu procuro com muita inteligência e leveza trabalhar as cabeças dos meninos. Essa equipe é uma equipe muito jovem, temos cinco atletas da sub-17, a maioria dos atletas do grupo está em seu primeiro ano na categoria, poucos são os remanescentes da copinha do ano passado, onde nós fomos campeões. Eu conheço a maioria desses atletas, pois estiveram comigo desde a categoria sub-13 até a categoria atual. Então já existe um conhecimento entre atletas e treinador. A estreia é sempre complicada, ainda mais contra o futebol do nordeste que está evoluindo bastante”.

FOTO: FLA na copa SP de 2017

FOTO: FLA na copa SP de 2017

PB – Fale sobre um fato inusitado que aconteceu durante a sua carreira:

– “Foi pra mim um fato especial também. Foi num FLA x FLU no Maracanã com mais ou menos 90 mil pessoas. Eu estava no banco e reservas e o Flamengo jogava com a sua equipe completa (Andrade, Adílio e o Zico), eu estava bem tranquilo, ainda estava no começo do jogo. De repente o preparador físico fala ao meu ouvido para eu amarrar as minhas chuteiras e me aquecer, pois eu iria entrar para jogar. Eu indaguei dizendo que ainda eram apenas oito minutos de jogo e o que teria acontecido! E quem vai sair? Ele me respondeu, dizendo que eu entraria no lugar do Zico… Meu coração foi à mil, o treinador (Lazarone) me deu total confiança para jogar o meu futebol. Na saída de campo, o Zico tocou ao meu ombro e falou: – vai lá garoto e arrebenta. Nisso o meu sangue ferveu e eu fiz uma excelente partida e correspondi a expectativa da torcida”.

PB – Em 1984, você disputou pela seleção brasileira as olimpíadas de Los Angeles. Como foi essa sensação?

– “Foi um momento especial. Esse é momento em que todo o atleta sonha. Ainda mais jogando uma olimpíada. Abracei com todas as minhas forças, pois vi naquele momento a oportunidade de mostrar para todos que tinha condições de seguir com a minha carreira. Fiz um campeonato muito interessante, fui o artilheiro da equipe e também fui eleito pelo comitê o melhor atleta da competição. A medalha está guardada como um troféu para mim”.

FOTO: Gilmar Popoca com a seleção olímpica de 1984

FOTO: Gilmar Popoca com a seleção olímpica de 1984

PB – Deixe uma mensagem para essa garotada que está em busca de uma carreira de atleta profissional:

– “Que esses meninos acreditem muito nos que eles estão dispostos a fazer. Mesmo sabendo que o ‘funil é bem apertado’, não desista nunca. Nem sempre aquele atleta que começa no time grande, acaba chegando ao ápice da carreira e, às vezes aquele atleta que começa no time pequeno, acabam alcançando os seus sonhos, seja por esforço ou por sorte. Dedicação nos treinamento é algo fundamental no começo da carreira. Cuidado com as amizades que possam vir á ter durante o período de atleta amador ou profissional. Todo cuidado é pouco. Nunca deixem de acreditar. Às vezes a própria família aplica uma carga muito grande nas costas desse menino, dando a ele a responsabilidade do sustento dessa família. Então, todo cuidado e muito foco nos objetivos almejados na carreira”.

Por: Luiz Otávio Oliveira

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E-mail: papocomboleiro@gmail.com



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