Batemos um Papo com Fernando – Um conhecedor de futebol dentro e fora das quatro linhas



Batemos um papo hoje com o jogador que iniciou a carreira como meio campo nas categorias de base da Portuguesa Santista, e logo após, foi jogar na quarta-zaga, onde sempre usou a categoria para se livrar das situações mais difíceis. Foi um líder nato, conquistou títulos importantes. Jogou no Santos, Vasco da Gama, Louletano de Portugal, Flamengo, Atlético Mineiro, Portuguesa e Guarani. Encerrou a carreira no clube que o revelou. O convidado de hoje é o ex-zagueiro Fernando.

BIOGRAFIA DO EX-BOLEIRO

Fernando Cézar de Matos nasceu em José Bonifácio-SP no dia 16 de outubro 1961. Jogou no A.A.Portuguesa Santista desde a base, depois  Santos, Vasco da Gama, Louletano de Portugal, Flamengo, Atlético Mineiro, Portuguesa e Guarani. Encerrou a carreira no clube que o revelou Portuguesa Santista acesso 1996 depois de 32 anos. Fez o gol do título da Copa do Brasil em 1990. Teve destaque também jogando pelo Vasco da Gama.

Entre 2006 e 2011esteve trabalhando na Portuguesa Santista como coordenador técnico do time principal, das categorias de base e gerente de futebol.

PAPO – Quem foi o boleiro Fernando? E quem é hoje o ex-boleiro Fernando?

BOLEIRO – Apesar de a matéria expressar a chamada Boleiro, fui antagônico a essa expressão como atleta. Na minha época já não se concebia o BOLEIRO (jogador de futebol avesso as regras) exigia cada vez mais profissionalismo. Nasci com esse conceito profissional, vivi esse conceito e sou assim até hoje.

O EX-ZAGUEIRO FERNANDO FALA UM POUCO MAIS SOBRE A SUA CARREIRA

PAPO – Como foi o início da sua carreira como atleta profissional?

Foto/Acervo: Time de juniores da Portuguesa Santista de 1980

Foto/Acervo: Time de juniores da Portuguesa Santista de 1980

BOLEIRO – Comecei na base da Portuguesa Santista desde meus 12 anos… Me profissionalizei em 1982, no clube. Em 1984, fui para o Santos F.C.. e me tornei campeão Paulista no meu primeiro ano 1984, também ganhei meu primeiro Torneio Internacional kirin Cup no Japão 1985.

Foto/Acervo: Santos de 1984;

Foto/Acervo: Santos de 1984;

Transferi-me para o Vasco em 1986, porque fui sacado na final do Campeonato Paulista de 1984 pelo Técnico Castilho… Preferi não renovar meu contrato porque me sentia preparado para assumir minha responsabilidade de ser titular em um grande clube e me transferi para o Vasco da Gama em 1986, onde tive grande passagem…

Foto/Acervo: Fernando no Vasco Bicampeão em 1988

Foto/Acervo: Fernando no Vasco Bicampeão em 1988

Nos anos de 1986/87/88 fizemos as finais do Carioca com o Flamengo… Fui Bi Campeão carioca 87/88/, Bi Campeão Taça Guanabara 86/87, Campeão da Taça Rio 1988, Bi Campeão Torneio Juiz de Fora. Bicampeão Ramon de Carranza na Espanha, Campeão da Copa Ouro no México em 1988…

Foto/Acervo: Fernando campeão pelo Vasco - Ramon de Carranza

Foto/Acervo: Fernando campeão pelo Vasco – Ramon de Carranza

Recebi uma proposta do futebol português em 1989 – Louletano – no meu melhor momento do futebol, tendo amplas chances de ir para Copa do mundo de 1990… Estava em jogo minha independência financeira, mas acreditava que mesmo fora do país seria convocado… Fui sondado na época por Eurico e Lazaroni, infelizmente tive uma contusão que me afastou do futebol por quatro meses e também me tirando o sonho da convocação… Volto para o Brasil em 1990, depois de receber algumas propostas de clubes grandes, o Flamengo foi decisivo… Eurico tinha tirado o Bebeto do Flamengo e numa jogada, também de marketing me contrataram pois também era forte minha imagem no Rio… Como no Vasco fui muito feliz em um ano e meio de Flamengo fui Campeão da Copa do Brasil, a primeira, invicta e tive a felicidade de fazer o gol do título no primeiro jogo contra o Goiás…

Foto/Acervo: Gol do título da Copa do Brasil de 1990

Foto/Acervo: Gol do título da Copa do Brasil de 1990

Também conquistei mais três Copas em pouco tempo de Flamengo. Copa Mallboro, final com a seleção dos EUA também fiz o gol do titulo, Campeão da Kirin Cup no Japão.

PAPO – Com um bom começo pela Portuguesa Santista, você busca maior visibilidade no cenário nacional. Você se transfere para o Santos. Como foi a sua passagem pelo Santos?

BOLEIRO – Primeiro ressaltar que eu era centroavante na base da Portuguesa Santista e num treino do profissional (Filpo Nunes – técnico) ele na falta de um zagueiro, eu pedi pra treinar entre os profissionais, mesmo fora da minha posição… Acabou o treino ele chamou meu treinador (Olavo Martins jogou no Santos FC) e disse que a partir daquele momento eu ficaria treinando com os profissionais, mas de zagueiro e não de atacante e assim nasceu o Fernando zagueiro… Fui para o Santos deslumbrado, com apenas 20 anos e sendo contratado pelo Santos do Pelé era a gloria… Rodolfo Rodrigues, Serginho Chulapa, Pita, Paulo Isidoro, Zé Sergio, Dema… Só craques… Foi uma passagem que classifico como a grande aprendizagem, porque, ainda jovem, jogando no Santos FC., muito reconhecido, claro que isso  tudo para administrar demorou, mas me sentia pleno, sempre tive uma personalidade muito forte, mesmo jovem… Para ser titular no Santos ganhei a posição faltando cinco jogos para a final do Campeonato Paulista… Joguei todos os jogos e na final o Castilho (treinador) me tirou… Claro, frustrou muito, ainda não tinha maturidade para absorver tais situações e preferi sair do Santos do que renovar meu contrato, fui contra todos que queriam que eu ficasse, inclusive minha família… E assim, apareceu um empresário me convidando para jogar no Rio (no Vasco)… Nem pensei…

Foto/Acervo: Fernando no Santos FC de 1984

Foto/Acervo: Fernando no Santos FC de 1984

PAPO – Fernando, você deixa o Santos para jogar no futebol carioca. Vai defender o Vasco. Como foi a sua permanência no Vasco?

 

BOLEIRO – Foi complicado também a minha chegada, haja visto que eu não tinha ainda meu nome no mercado… Cheguei como reserva do Santos e a zaga titular do Vasco era Ivan e Nenê, dois grandes zagueiros, mas o Vasco não vivia um bom momento… Antes de jogar já era criticado porque o Vasco teria trazido um reserva do Santos. Isso só serviu de motivação, aliada a minha personalidade forte e minha postura de buscar a titularidade onde eu fosse jogar… No Vasco, não foi diferente, quando entrei na equipe nunca mais sai e vivi três anos maravilhosos de conquistas, respeitado a torcida, imprensa… Recebi até uma grande homenagem de um radialista que me chamava Pelé da Zaga, sensacional…

PAPO – Devido as suas atuações no Vasco, você vai atuar no futebol português. Vai defender o Louletano-POR. Como foi a sua passagem pelo futebol português?

BOLEIRO – Não me arrependo de ter ido no meu melhor momento para Portugal… Era tido como certo a minha convocação para seleção de 1990, estava entre os melhores zagueiros do Brasil, mas recebi uma proposta financeira que não cabia naquele momento recusar… Consegui ajeitar minha vida e de toda minha família e tinha certeza que a distância não tiraria meu sonho de vestir a “amarelinha”… Infelizmente tive uma contusão séria (muscular) que me afastou quatro meses do futebol… Tirando de mim o sonho daquele momento…

Foto/Acervo: Fernando no Louletano-POR

Foto/Acervo: Fernando no Louletano-POR

PAPO – Após a sua passagem pelo futebol português, você regressa ao Brasil para atuar pelo Flamengo. Depois da boa passagem pelo Vasco, como foi para você ter que vestir a camisa do maior rival, o Flamengo?

BOLEIRO – Foi fantástico… A frustração de não ter ido a uma Copa do Mundo mudou quando o Flamengo me ligou querendo que eu fosse jogar pelo clube… Bebeto tinha sido contratado pelo Vasco e o Flamengo, contrapondo a perda do Bebeto me contratou porque eu gozava do prestígio dos torcedores do Rio e principalmente da torcida vascaína… Em nenhum momento me preocupei de escolher o Flamengo, mesmo tendo jogado no Vasco, sempre tive uma postura muito firme com os torcedores e imprensa em relação a ser um atleta profissional… E foi amor à primeira vista com a nação Rubro Negra, meu futebol refletiu a paixão do torcedor do Flamengo, com técnica e força necessária para ser um campeão pelo clube… E assim, foi, campeão da Copa Brasil, a primeira, invicta e com Deus me proporcionando o gol do título…..

Foto/Acervo: Fernando no Flamengo de 1990

Foto/Acervo: Fernando no Flamengo de 1990

PAPO – Após o Flamengo, você vai defender as cores do Atlético Mineiro, depois a Portuguesa e o Guarani. Como você define as atuações por estas equipes?

Foto/Acervo: Fernando no Guarani de 1993

Foto/Acervo: Fernando no Guarani de 1993

BOLEIRO – Torcida do Flamengo me cobra até hoje porque eu fui embora se já era ídolo da torcida! Sinceramente não sei te explicar… Dei o tempo necessário para o Flamengo fazer uma proposta para eu continuar, mas, ao mesmo tempo tinha clubes querendo assinar comigo… Aguardei o máximo, tinha certeza que ficaria, mas isso não se traduziu de fato… Vou para o Galo Mineiro com o técnico Jair Pereira, meu técnico campeão pelo Flamengo, “timaço” do Atlético Mineiro: Carlos, Cléber, Alfinete, Éder Luis, Edu Lima, Sérgio Araújo… Bom, passeamos no brasileiro de 1991, infelizmente, essas coisas que o futebol não explica paramos na semifinal com o São Paulo onde classifico a maior injustiça que a bola fez comigo…

Foto/Acervo: Fernando no Atlético-MG de 1991

Foto/Acervo: Fernando no Atlético-MG de 1991

PAPO – Fernando é chegada à hora de encerrar a carreira. Como foi o encerramento da sua carreira?

BOLEIRO – O final da minha carreira é lindo… Deus quis que eu encerrasse minha carreira no mesmo clube onde iniciei… O clube estava na segunda divisão desde 1964, e nunca mais havia tido acesso a primeira. Montamos um time da Cidade, com jogadores experientes e jovens valores. Deu química. Paulo Robson, Balú, Célio, jogadores experientes aliados a jovens em busca do seu espaço no futebol… Conseguimos o acesso à primeira divisão depois de 32 anos… Deus mais uma vez me premiou com um gol que possibilitou a subida da Portuguesa e um dos gols mais lindos que fiz na minha vida.

Foto/Acervo: Fernando na Portuguesa e o acesso para a série A

Foto/Acervo: Fernando na Portuguesa e o acesso para a série A

FERNANDO AGORA FALA SOBRE ALGUMAS CURIOSIDADES DA SUA

CARREIRA: “Vou ocupar esse espaço da curiosidade fazê-lo de uma maneira diferente. Mostrar talvez com minhas palavras o sentido puro de jogar futebol… Não fui atleta por acaso, eu amava o futebol, não fui considerado um dos melhores zagueiros por acaso, eu trabalhava muito pra isso, eu não fui campeão por acaso, minha alma sempre foi vencedora… Talvez você que esteja lendo isso entenda a intensidade de ser um campeão, não apenas mais um jogador, isso eu não fui, minha alma não permitia…”.

PAPO – Em meio às rivalidades regionais, você vivenciou esta situação. Portuguesa e Santos, Vasco e Flamengo. Como foi para você viver essa rivalidade de tão perto?

BOLEIRO – Nunca tive problemas com isso, pelo contrário, as redes sociais demonstram até hoje o carinho que a Nação Rubro-negra e a Torcida do Vasco têm por mim… Passado mais de 20 anos eu gozo do mesmo carinho e respeito de todos os torcedores.

PAPO – Qual era o estilo do zagueiro Fernando?

BOLEIRO – Inteligente, acredito que era minha maior virtude, claro, sobressaía minha técnica em jogadas que eu arrancava lá de trás, tu imagina isso no Maracanã lotado? O torcedor ia a loucura… Também tinha um tempo de bola para cabeceio muito bom.

PAPO – Você não é mais boleiro profissional, por isso, não precisa “esconder o jogo”. Qual é o seu time de coração?

BOLEIRO – Portuguesa, Santos, Vasco, Louletano, Flamengo, Atlético-MG, Guarani, Desportos, sempre fui fiel à camisa que vesti, por isso tenho até hoje conceito com todos os torcedores.

PAPO – Qual foi o atacante mais difícil que você marcou?

BOLEIRO – Tiveram vários… Mas, Bebeto, Edmundo e Zinho os ligeirinhos… (risos).

PAPO – Um fato inusitado durante toda a sua carreira?

BOLEIRO – Vou usar esse espaço para destacar o gol mais bonito que fiz no Maracanã contra o América, que foi considerado o gol mais bonito do ano, para um zagueiro foi fantástico.

FERNANDO, AGORA O PAPO É RETO (respostas curtas)

PAPO – Um jogo inesquecível que você atuou?

BOLEIRO – Todos os jogos entre Vasco e Flamengo.

PAPO – Um treinador que marcou a sua carreira?

BOLEIRO – Tenho vários, felizmente trabalhei com os melhores, de Castilho, Filpo Nunes, Telê Santana, Wanderlei Luxemburgo, Lazaroni, Joel Santana, Antônio Lopes. Consegue escolher um?… (risos)

PAPO – Um craque – pode ser do passado ou da atualidade:

BOLEIRO – Romário e Roberto Dinamite no Vasco, Júnior e Zico no Flamengo.

AGORA LANÇAMOS A PERGUNTA BOMBA

PAPO – Fernando, durante toda a sua carreira, você jogou com vários boleiros. Escale para os nossos leitores a seleção do Fernando:

Foto/Acervo: Fernando no comando técnico da Portuguesa Santista em 1997

Foto/Acervo: Fernando no comando técnico da Portuguesa Santista em 1997

BOLEIRO – Acácio, Leandro, Donato, Fernando e Leonardo;

Júnior, Zico, Roberto;

Renato Gaúcho, Romário, Zinho;

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BOLEIRO – Todo espaço que podemos trazer em vida a história do futebol, é a certeza que o futebol é imortal. Obrigado.

Por: Luiz Otávio Oliveira

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