Batemos um papo com Evaristo de Macedo – Um grande ídolo do futebol mundial



FOTO: Evaristo de Macedo está no nosso Papo com Boleiro

‘Uma passagem realmente maravilhosa onde conseguimos conquistar o segundo tri carioca do clube. No Flamengo, tive a felicidade de jogar com grandes craques e a honra de herdar a camisa 10 do maravilhoso paraguaio Benitez’

Evaristo de Macedo Filho, o Evaristo, ex-atacante do Flamengo, Barcelona e Real Madrid e um dos melhores jogadores brasileiros em todos os tempos, também fez uma bonita carreira como técnico, encerrada em 2007.

Batemos um papo com o ex-jogador e treinador Evaristo de Macedo

BlogQuem é hoje o ex-jogador e treinador Evaristo de Macedo?

‘Aos 84 anos de vida, casado há 60 anos com Dona Norma, um filho catalão, uma madrilena e um carioca, e quatro netos (médico, cirurgiã-dentista, advogado e engenheiro), sou um cidadão aposentado, tranquilo, residente em Ipanema no Rio de Janeiro, e que continua a apreciar o futebol, mas agora apenas pelos noticiários e TV’.

No currículo, Evaristo tem oito títulos baianos, quatro pernambucanos, um gaúcho, um Campeonato Brasileiro e uma Copa do Brasil.

Blog – Como foi o início da sua carreira como atleta profissional? Foi no Madureira em 1950?

‘Sim. Iniciei no Madureira FC., e em 1952, fui convocado para as Olimpíadas de Helsinki, Finlândia. Isso chamou a atenção de alguns clubes do Rio e São Paulo. Voltando ao passado, desde menino me destacava nas peladas de rua. Certo dia, um amigo me chamou para acompanhá-lo ao Madureira onde iria fazer um teste. Lá, fui chamado para completar o time reserva. Deram-me um par de chuteiras usadas e apertadas e participei do treino. Ao final, o treinador pediu que eu retornasse no dia seguinte. E assim começou minha história no futebol’.

BlogDois anos depois, você se transfere para o Flamengo e conquista o tricampeonato carioca (1953 54 e 55). Pelo rubro-negro carioca, foram 182 jogos com 102 gols marcados. Como foi a sua passagem pelo Flamengo?Primeira passagem.

‘Inesquecível! Retornando das Olimpíadas, alguns clubes se interessaram pelo meu passe, que era livre, mas a preferência recaiu sobre o Flamengo, clube do coração. Uma passagem realmente maravilhosa onde conseguimos conquistar o segundo tri carioca do clube. No Flamengo, tive a felicidade de jogar com grandes craques e a honra de herdar a camisa 10 do maravilhoso paraguaio Benitez’.

FOTO: Evaristo de Macedo no Flamengo

FOTO: Evaristo de Macedo no Flamengo

Evaristo de Macedo conseguiu a façanha de se tornar ídolo de dois rivais na Espanha: o Barcelona, clube que defendeu 1957 a 1962, e do Real Madrid, de 1963 a 1965.

Blog – Pelo Barça, você ganhou vários títulos, entre eles os espanhóis de 1959 e 60 e a Copa da Uefa de 1958, 1959 e 1960. Além disso, foi o maior artilheiro brasileiro da história do clube catalão. Como você descreve a sua passagem pelo Barcelona?

‘Em 1957, os dirigentes do Barça estiveram no Brasil em busca de um atacante, pois sua equipe estava em momento de renovação. Durante a campanha das eliminatórias para a Copa do Mundo de 1958 meu pai recebeu algumas propostas da Itália e da Espanha, mas a proposta do Barcelona realmente foi irrecusável. A minha adaptação ao clube e à cidade foi muito fácil, e consegui marcar muitos gols, o que era esperado da torcida culé. A equipe do Barcelona era muito forte e liderada pelo mito Ladislau Kubala, um grande e saudoso amigo. Conquistamos muitos títulos para o clube. Em 1961, no famoso “jogo das traves”, fomos vice-campeões da Copa Europa, hoje Champions League, perdendo para o Benfica.

FOTO: Evaristo de Macedo no Barcelona

FOTO: Evaristo de Macedo no Barcelona

BlogPelo time merengue, você seguiu ganhando títulos. Foram três campeonatos espanhóis: 1963, 1964 e 1965. Como foi o Evaristo jogando no Real Madrid?

‘Após cinco temporadas no Barça, a diretoria do clube queria que me naturalizasse espanhol para abrir vaga para a contratação de outro estrangeiro e também para uma possível convocação para a seleção espanhola. Esse não foi o meu desejo. Sabendo disso, o Real Madrid me fez uma proposta, também irrecusável. Como estava bem adaptado na Espanha, aceitei, a contragosto do clube catalão. Infelizmente, algumas sérias contusões não me deixaram ter o mesmo sucesso que tive no Barcelona, mas, mesmo assim, pude ajudar o clube a conquistar grandes títulos’.

FOTO: Evaristo de Macedo no Real Madrid

FOTO: Evaristo de Macedo no Real Madrid

BlogAinda em 1965, você regressa ao futebol brasileiro para encerrar a carreira vestindo a camisa do Flamengo. Como foi o encerramento da sua carreira?

‘Com muita tranquilidade e planejamento. Após três temporadas no Real Madrid tive algumas propostas da Itália, Portugal e de alguns clubes do Brasil, mas o meu desejo sempre foi o de encerrar a carreira no Flamengo. Por isso, em 1965 voltei ao Brasil para realizar esse sonho. Parei aos 32 anos, tendo sido jogador por 15 anos, dentro da média da carreira do jogador brasileiro. A partir daí me preparei para dar sequência no futebol como treinador, seguindo o planejamento que havia traçado para meu futuro. Encerrei em 2005, aos 72 anos, no Clube Atlético Paranaense’.

SELEÇÃO BRASILEIRA

Blog – Pela Seleção Brasileira, você não teve muitas chances. Atuou em apenas 14 partidas e marcou oito gols. Detalhe: dos oito gols, cinco foram marcados em uma mesma. Você acredita que poderia ter tido mais oportunidades de jogar pela seleção brasileira?

‘Era um momento de grandes craques no futebol brasileiro. Entre 56 e 57 sempre era convocado como titular para os jogos da seleção, inclusive jogando as eliminatórias da Copa de 58. Quando fui para o Barcelona, houve um acerto para que o clube me liberasse caso fosse convocado para a Copa. Mas, como a Espanha não se classificou, o campeonato espanhol teve sequência e o clube catalão acabou não me liberando quando teve o contato da CBD sobre minha possível convocação. Infelizmente, por isso acabei não jogando a Copa de Mundo de 58. Em 62, estava em recuperação de uma cirurgia na Espanha e mais uma vez não pude disputar a copa do Chile. De qualquer forma, sinto-me honrado e feliz em ter ajudado a seleção a disputar e ganhar a copa do mundo de 58’.

Como técnico Evaristo de Macedo dirigiu importantes equipes do futebol brasileiro: Flamengo, América, Vasco da Gama, Fluminense, Bahia, Vitória, Santa Cruz, Grêmio, Santos, Corinthians , Guarani, Atlético Paranaense e Cruzeiro.

BlogComo foi essa transição de jogador para treinador?

‘Quando chegou a hora de parar, não hesitei em encerrar a carreira de jogador. Esse momento foi pensado e planejado! Tive grandes treinadores, entre eles Oswaldo Brandão, Zezé Moreira, Fleitas Solich, Renganeschi, Flavio Costa e Helênio Herrera. Sempre fui observador atento de seus métodos de trabalho e seriedade na profissão. Não tinha dúvidas do que faria após encerrar a carreira de jogador. Mas, antes, me formei em Educação Física pela antiga Universidade Nacional do Rio de Janeiro. Assim, aliei a prática à teoria, o que me ajudou muito ao longo dos anos. Mantive o profissionalismo, seriedade e personalidade de sempre’.

FOTO: Evaristo de Macedo técnico do Flamengo

FOTO: Evaristo de Macedo técnico do Flamengo

BlogNo Bahia, em 1988, você viveu seu melhor momento como treinador. Ao comandar o time que foi campeão brasileiro. A equipe-base do Tricolor baiano tinha: Ronaldo; Tarantini, João Marcelo, Claudir e Paulo Róbson; Paulo Rodrigues, Gil, Bobô e Zé Carlos; Charles e Marquinhos. Conte um pouquinho sobre esse momento:

‘O Bahia passava por momento de grandes dificuldades financeiras e tivemos que montar uma equipe com a maioria dos jogadores que já estavam no clube trazendo alguns a baixo custo, mas que se encaixavam em nossa filosofia de trabalho. A equipe era disciplinada e unida, além de muito forte e técnica. Tivemos carta branca e apoio integral do presidente, Dr. Paulo Maracajá, e da diretoria para planejar e fazer aquilo que entendêssemos importante para realizar uma boa campanha. Os resultados positivos chegaram naturalmente e o Brasil começou a ver um Bahia jogando um grande futebol, leve, rápido e objetivo. A final contra o forte Internacional, no Beira-Rio, não deixou dúvidas de que o EC Bahia era o grande campeão brasileiro do nordeste’!

FOTO: Evaristo de Macedo no comando técnico

FOTO: Evaristo de Macedo no comando técnico

Blog – Como treinador da Seleção Brasileira, você não teve muito sucesso. Dirigiu a equipe em 1985, pouco antes das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1986, no México. Quem dirigiu o time canarinho naquele mundial foi Telê Santana. O que você acha que não deu certo na seleção?

‘A missão dada pela CBF era a de renovar totalmente a equipe utilizando, caso fosse meu desejo, alguns jogadores de 82 que estavam fora do Brasil. E assim planejamos e fizemos. Mas a CBF agendou alguns compromissos amistosos durante a montagem da nova Seleção que aguardava a chegada de alguns jogadores de 82. Algumas derrotas fora do Brasil, com o time ainda em formação e incompleto, pressionaram a CBF a solicitar mudanças na equipe, algumas para atender a compromissos comerciais. Não aceitei e imediatamente coloquei o cargo à disposição para que trouxessem outro treinador que concordasse com isso. Nossa Comissão Técnica jamais teve dúvidas quanto à classificação da seleção para a Copa de 86 no México com uma equipe renovada’.

BlogJá no Grêmio, você foi campeão da Copa do Brasil, justamente sobre o Flamengo, clube que defendeu como jogador. Como foi esse sentimento?

‘Como profissional do futebol, o sentimento foi de muita alegria, satisfação e de dever cumprido. O Grêmio tinha uma equipe muito unida e forte, e conquistou o tri campeonato da Copa do Brasil merecidamente e de forma invicta. Mas, por outro lado, como torcedor apaixonado pelo Flamengo, conquistar o título dentro do Maracanã, diante de sua imensa e apaixonada torcida, o sentimento foi de tristeza’.

Papo de Torcedor – Perguntas enviadas pelo torcedor flamenguista e leitor Michel Nascimento

BlogO que você acha da nossa nova safra de treinadores?

‘Gosto muito de ver ex-jogadores dando continuidade à carreira no futebol como treinadores. Torço por eles. Mas somente a vivência no campo não é suficiente, precisando estudar e se reciclar. Uma coisa completa a outra. E quem teve a oportunidade de ter trabalhado com bons treinadores sai na frente. Um grande jogador pode não se transformar em um grande treinador. Quanto aos profissionais que não jogaram e são treinadores acho que são muito importantes em nosso futebol, mas penso que o auxílio de ex-jogadores é fundamental no dia-a-dia’.

BlogO que você acha sobre os treinadores de outros países trabalharem aqui no Brasil?

‘Não vejo qualquer problema, pois também existem treinadores brasileiros trabalhando no exterior. Eu mesmo trabalhei por 15 anos no Oriente Médio. Mas precisamos compreender que o treinador estrangeiro também precisa se adaptar a nossos costumes e forma de agir. Foram poucos os que conseguiram essa adaptação com facilidade (ex. Fleitas Solich). Implantar, aqui no Brasil, a filosofia de trabalho de fora requer tempo e paciência, coisa que em nosso futebol não existe. Vivemos de resultados imediatos e o treinador aqui não tem tranquilidade e estabilidade sem vitórias. A própria imprensa brasileira cobra resultados positivos imediatos, o que, de certa forma, alimenta a cobrança e impaciência da torcida. Mas é assim que funciona’!

Agora o papo o reto

BlogUma partida inesquecível?

‘Brasil 9 x 0 Colômbia, pelo Sul Americano de 57. O famoso jogo do recorde de 5 gols em um só jogo oficial da seleção brasileira, até hoje não alcançado’.

BlogUma conquista?

‘Ter trabalhado no futebol por 56 anos (de 1949 a 2005), como jogador e como treinador. O fato de até hoje ser lembrado por vocês significa que entre erros e acertos o meu saldo foi positivo. (Rs)’.

BlogFutebol brasileiro?

‘Penta Campeão do Mundo marca importante para os brasileiros e para a valorização dos profissionais do nosso futebol’.

Lançamos agora a pergunta bomba

BlogEscale a seleção brasileira com todos os atletas que você jogou e treinou:

‘Não gosto de escalar seleção de todos os tempos uma vez que cometeria injustiças com grandes craques que não poderiam ser escalados, pois são apenas onze vagas. Mas, para não fugir da pergunta, fico com meus ídolos da fantástica seleção brasileira de 1950’.

Papo final

BlogDeixe as suas considerações finais sobre a nossa coluna:

‘Muito bom vocês relembrarem personagens antigos de nosso futebol. Quando disse a meu pai que queria ser jogador de futebol ele aceitou, mas exigiu de mim que não abandonasse os estudos e me cobrava por isso. E me deu ainda o seguinte conselho: “se esforce para ser o melhor, caso não consiga, procure estar sempre perto dos melhores”. Segui esses conselhos a cada dia’.



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