Batemos um papo com Cássio – O ex-lateral esquerdo do Vasco que foi “pupilo” do Mazinho



O Blog Papo com Boleiro recebe hoje um ex-lateral esquerdo que tinha como sua característica principal o ataque . Ele teve a dura missão de substituir Mazinho no Vasco. Batemos um papo hoje com Cássio.

Foto: Internet/ex-lateral Cassio no Papo com Boleiro

Foto: Internet/ex-lateral Cássio no Papo com Boleiro

BIOGRAFIA DO EX-BOLEIRO

Cássio Alves de Barros ou simplesmente Cássio. Nascido no Rio de Janeiro, Cássio foi um lateral-esquerdo. Atualmente é técnico do time profissional do Duque de Caxias-RJ.

Cássio atuou em diversos clubes brasileiros como: Vasco da Gama, Fluminense, Santos, Goiás e pelo Stuttgarter Kickers-ALE . Participou também do Campeonato Mundial de Futsal Sub-20 de 1989 pela Seleção Brasileira, que terminou em terceiro lugar.

TRAJETÓRIA DA CARREIRA COMO JOGADOR

PAPO – Quem foi o boleiro Cássio e o que ele faz hoje?

BOLEIRO – Eu fui um lateral-esquerdo com características ofensivas. Joguei no Vasco, Fluminense, Santos, Portuguesa, Guarani, Goiás e Sttutgart (Alemanha), tive uma ótima passagem pela seleção brasileira com o treinador Falcão. Eu sempre fui um atleta muito comprometido com o trabalho… Sou uma pessoa de um fácil relacionamento (risos), sempre fui bem recebido por onde passei, fiz grandes amizades em todos os clubes que defendi… Hoje, sou técnico do Duque de Caxias no Rio de Janeiro, mas, fui técnico no CFZ, Artsul e no próprio Vasco, onde fomos campeões sub-15 e sub-17.

Foto: Internet/Cassio, agora como treinador

Foto: Internet/Cássio, agora como treinador

PAPO – Em 1989, o Vasco conta com Mazinho como titular da posição e Lira seu imediato reserva. Como você que havia sido recém-promovido a profissional, conquistou o seu espaço no elenco vascaíno?

BOLEIRO – Tínhamos um grupo muito bom, com jogadores que facilitaram as chegadas dos atletas da base para o profissional, também tínhamos alguns atletas que haviam ido a pouco para o profissional… O professor Nelsinho sempre nos deu total liberdade para executar o mesmo trabalho feito na base. Com isso, facilitou o meu trabalho… Eu havia feito um ótimo mundial, e quando voltei encontrei um grupo ótimo, um treinador que facilitou a minha chegada e o meu trabalho.

PAPO – Neste mesmo ano o Vasco conquista o campeonato brasileiro contra o São Paulo em um Morumbi lotado. O seu primeiro título nacional como profissional. Como você traça essa história?

BOLEIRO – Deus me deu essa oportunidade e eu agarrei-a… Já ter começado a minha carreira em uma grande equipe com a do Vasco da Gama, foi uma grande vitória… Passar por peneiras, um jovem sonhador vindo de uma família humilde, sem ter aquelas “ajudinhas” de empresários, todos esses fatores tornaram essa minha conquista além de uma superação pessoal, tornou-se gigantesca para a maioria dos atletas que disputaram o campeonato pelo Vasco… Eu naquele momento, já me sentia um vencedor… Acredito que Deus me abençoou pela minha capacidade de perseverança.

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Foto: Internet/ex-lateral Cássio no Vasco campeão de 1989

PAPO – Você já era titular absoluto da posição, e ajuda ao Vasco na conquista do tricampeonato carioca em 92/93/94. Como foi para você essa conquista?

BOLEIRO – Foi muito gratificante… Essa fase da minha vida foi esplendorosa. Conquistar esse tricampeonato para o Vasco, nos fez entrar para a história do clube… Essa conquista me deixou realizado, não só na minha carreira, mas também na minha vida pessoal… Não é qualquer jogador que teve ou tem ainda esse privilegio de conquistar um tricampeonato por um único clube, porque hoje em dia é muito difícil um jogador permanecer por muitas temporadas em um único clube.

Foto: Internet/Cassio no Vasco tri-campeão

Foto: Internet/Cássio no Vasco tricampeão

PAPO – Em 1989, você participa do Sul-americano sub-20 pela seleção brasileira. Como foi a sua passagem pela seleção brasileira sub-20?

BOLEIRO – Olha, profissionalmente foi muito bom… Eu fui convocado junto com o Leonardo (Flamengo) e era óbvio que fui convocado para ser o seu reserva imediato, mas devido ao meu desempenho nos treinos e nos amistosos, o professor Renê (técnico) me deu uma oportunidade de jogar na lateral direita… Cheguei ao Sul-americano como o titular da lateral direita, fomos os campeões e eu ainda fui escalado para a seleção dos melhores da competição… Consegui o amadurecimento na minha carreira, não só por jogar na seleção, mas também por jogar em uma posição diferente da minha.

PAPO – Já como profissional, em 1991, você é convocado para a seleção brasileira principal. Como foi para você essa convocação e como foi a sua passagem pela seleção?

BOLEIRO – Esse ano para mim foi muito bom… Eu vinha fazendo um ótimo campeonato brasileiro. Eu tive a felicidade de em uma partida, o treinador Falcão (técnico da seleção naquela época) ter ido ver o jogo e eu ter correspondido muito bem dentro de campo… Depois houve uma expectativa muito grande pela minha convocação, e, fui convocado… Fiz bons jogos (amistosos), porém, quando saíra à convocação para a Copa América no Chile, não pude ser convocado devido a um problema entre o Vasco (Eurico) e a CBF. Por isso, o Vasco não liberou a minha convocação.

PAPO – Após a conquista do tricampeonato carioca pelo Vasco, já em 1995, o jornal A Folha de São Paulo noticia que o Corinthians queria contratar você, inclusive o seu passe que na época já estava estipulado em U$$ 1 milhão de dólares, com o próprio Eurico Miranda aceitando até reduzir a multa, você se transfere para o Fluminense. O que aconteceu que você foi para o Fluminense e não para o Corinthians?

BOLEIRO – Realmente… Não só houve o interesse por parte do Corinthians, como também houve um acerto das bases salariais entre o Corinthians e o Vasco… Mas, na última hora, devido a um pedido do professor Nelsinho (técnico do Vasco na época), querendo contar comigo, pediu ao Dr. Eurico, para não me liberar… Continuei no Vasco, porém, logo após uma contusão no púbis, fui emprestado para o Fluminense. Retornei ao Vasco, porque o Fluminense não teve a quantia para comprar o meu passe ao final do empréstimo.

PAPO – Ainda no Fluminense em 1995, você faz apenas 23 jogos. Como foi a sua passagem pelo Fluminense?

BOLEIRO – No Fluminense, fizemos uma ótima campanha… Disputamos a final do campeonato brasileiro contra o Santos… Fomos para São Paulo jogar contra o Santos com uma vantagem boa, construída no primeiro jogo no Maracanã. Mas, entramos em campo sem a nossa defesa titular… Naquele jogo, não deu nada certo, os nossos melhores jogadores não conseguiram render nem a metade do que renderam durante a competição… Mas, a minha passagem pelo Fluminense me ajudou bastante no que diz respeito à coletividade.

PAPO – Em 1996, você se transfere para o Guarani, fazendo só 21 jogos e marcando dois gols, como foi a sua temporada no Guarani?

BOLEIRO – Profissionalmente foi uma temporada muito ruim. Na verdade foi um ano péssimo, aonde eu tive muitas lesões musculares inclusive isso me atrapalhou bastante.

PAPO – Nos anos de 1997/1998, você retorna ao Vasco, e logo após a disputa do Rio-São Paulo, você se transfere para a Portuguesa-SP e em seguida para o Santos. Como foram essas passagens por Portuguesa e Santos?

BOLEIRO – Na Portuguesa foi o meu melhor momento no futebol paulista… Trabalhei com o professor Valdir Espinoza… Na época o treinador teve que adaptar o Zé Roberto (lateral esquerdo) para jogar no meio campo, para que eu jogasse na lateral esquerda… Já no Santos, tive vários problemas de lesão, por isso joguei pouco… As lesões musculares me atrapalharam bastante.

PAPO – Virando o ano, já em 1999, você vai jogar na Europa no futebol alemão. E defende o Stuttgarter Kickeres no período de 1999 a 2001, fazendo 38 jogos e três gols. Como foi a sua passagem pelo futebol alemão?

BOLEIRO – Jogando na Europa, eu tive a oportunidade de crescer muito profissionalmente… Jogar no futebol alemão foi outra cultura…. A dedicação na marcação, à parte tática, um rodízio também entre os grandes jogadores. Bem diferente da nossa cultura aqui no Brasil… Um profissionalismo formidável, e mesmo jogando a segunda divisão… Eu só tenho lamento o fato de ter ido com uma idade já avançada… Eu gostaria de ter ido mais novo, para poder aproveitar melhor.

PAPO – Em 2001, você regressa ao Brasil para defender o Goiás. No time esmeraldino entre 2001 e 2002, você faz apenas 11 jogos. Como foi a sua passagem pelo Goiás?

BOLEIRO – Olha, foi um momento muito complicado na minha carreira… Chegar da Europa e jogar no Goiás em um clima muito diferente da Europa, sinceramente não foi nada fácil… Eu havia feito uma cirurgia no tornozelo ainda na Alemanha. Mas, o maior problema foi com o gestor de futebol do clube o Sr. Eli Pinheiro… Interferia diretamente na minha escalação… Eu disputava a posição com o filho do vice-presidente do Goiás, e o treinador não tinha coragem para “peitá-lo” em me escalar, e na maioria das vezes, ou quase sempre, escalava o filho do vice-presidente.

CÁSSIO FALA AO PAPO COM BOLEIRO SOBRE ALGUMAS CURIOSIDADES NA SUA CARREIRA

PAPO – Você estreia no profissional do Vasco em um amistoso internacional contra o Sporting de Lisboa em Lisboa dia 16 de agosto de 1989, o Vasco perde por 1 x 0. Como foi essa sua estreia?

BOLEIRO – Na época era muito comum os clubes fazerem amistosos internacionais logo após o termino do campeonato estadual… O Vasco foi para Portugal e depois disputamos o Torneio Ramon de Carrãnza. Jogamos o amistoso contra o Sporting e para a minha surpresa, fui escalado como o titular da posição… Infelizmente perdemos, mas foi uma estreia muito boa.

PAPO – O seu primeiro gol marcado como profissional do Vasco. Campeonato brasileiro, Vasco x Náutico em são Januário, o Vasco venceu o jogo por 4 x 2, e você  fazendo o primeiro gol do Vasco na partida aos 13 minutos do primeiro tempo, comente esse lance:

BOLEIRO – Eu conduzo a bola pelo lado esquerdo, passo pelos marcadores do Náutico e bato cruzado entre o goleiro e a trave, a bola entrou estufando as redes… Detalhe, até hoje, o Bebeto comenta que nesse lance, a minha intenção era cruzar para ele, porém, o chute saiu errado e a bola entrou (RISOS).

CÁSSIO ENCERRA A SUA CARREIRA DE JOGADOR E PASSA PARA O OUTRO LADO, AGORA COMO TREINADOR

PAPO – Cássio, como foi o fim da carreira de boleiro? E como você iniciou a carreira de treinador?

BOLEIRO – Não foi nada fácil (RISOS), aos 31 anos, eu ainda jogava no Goiás, devido ao baixo rendimento e as contusões, comecei a me prepara para parar… O atleta que joga na minha posição exige muito da capacidade física e eu já não conseguia render tudo o que teria que render… As propostas já não surgiam mais e o corpo já estava cansado… Procurei fazer uma aposentadoria tranquila. Não tive um trauma, porém, a saudade fica.

PAPO – Em 2008 antes de você transferir-se para dirigir as categorias de base do Vasco, você treinou a equipe sub-17 do CFZ, como foi essa sua experiência?

BOLEIRO – Eu comecei a colocar em prática tudo aquilo que eu vivenciei como jogador, você sempre observa as melhores coisas de cada treinador… Eu tive a oportunidade de por em prática tudo aquilo que aprendi e vivenciei como atleta.

PAPO – Você em 2009, comanda a equipe sub-15 do Vasco, conquistando a Taça Guanabara, Taça Rio e em consequência o campeonato carioca. Como foi para você a emoção dessa primeira conquista como treinador?

BOLEIRO – Foi uma felicidade imensa. Poder voltar ao clube que te projetou ao cenário mundial e voltar iniciando a carreira como treinador, foi só alegria (RISOS)… Com isso, você passa a sua experiência para os seus atletas e consegue ser correspondido… Alguns atletas que hoje estão no profissional como: Mosquito, Índio e o Lorran, são atletas que começaram comigo desde o mirim e agora estão no profissional.

PAPO – Após essas conquistas, você passa a dirigir a equipe vascaína sub-17, e entre 2011 e 2012, o Vasco sob o seu comando, conquista o campeonato carioca e alguns outros títulos. Ali, você já havia percebido que o treinador Cássio, já teria condições de fazer voos mais altos?

BOLEIRO – É certo que as conquistas te dão mais segurança, mais motivação e direção ao que se refere ao futuro da sua carreira… Mas, eu creio que tem que haver muito estudo e muito aprendizado ainda para seguir em frente na carreira.

PAPO – Como foi para você ser treinador do seu próprio filho Cássio Augusto no sub-17 do Vasco da Gama?

BOLEIRO – Olha, foi uma experiência não muito agradável (RISOS)… Além de ter uma responsabilidade muito grande, você também sente a pressão. Porque você tenta extrair ao máximo a excelência do atleta e você cobra muito para que ele esteja sempre bem, ou seja, 100%… Você tem que ser sensível para mostrar que os erros fazem parte do amadurecimento do atleta. Mas, essa experiência para mim, foi muito complicada… O atleta nunca esquece a figura do pai, e deixa de lado a figura do treinador que o ajuda profissionalmente.

O BOLEIRO CÁSSIO FALA SOBRE AS CURIOSIDADES DO SEU DIA A DIA:

PAPO – O que você faz hoje em dia e qual o seu hobby preferido?

BOLEIRO – Eu sou treinador de futebol. Jogo no Master do Vasco como hobby, e aproveito para assistir muitos jogos de futebol pela televisão (RISOS).

PAPO – Qual o seu time de coração?

BOLEIRO – Sou vascaíno. Além de ter sido jogador e treinador, também sou um torcedor (RISOS).

PAPO – Um craque, um jogador expiração?

BOLEIRO – Eu sempre tive uma admiração pelo Mazinho. À sua dedicação, sua luta e perseverança na carreira, para mim, são exemplos de um craque, de um jogador vencedor.

PAPO – Como você vê as condições hoje do futebol carioca?

BOLEIRO – Hoje o nosso futebol carioca tecnicamente está muito enfraquecido… Hoje em dia, o jogador para vir atuar por algum clube do Rio de Janeiro, pensa duas vezes antes de assinar o contrato… Mas, eu acredito que o maior problema está nas divisões de base.

PAPO – O que é família para você?

BOLEIRO – Família para mim é tudo… É a nossa base… Quando eu estou desanimado, quando eu estou sem inspiração, quando eu estou fraco, me apego a minha família… A minha família é o meu refúgio.

AGORA, FIZEMOS A PERGUNTA BOMBA PARA O BOLEIRO CÁSSIO:

PAPO – Você tem uma ligação muito forte com o Vasco da Gama, O que falar dos dirigentes, Eurico Miranda e Roberto Dinamite?

BOLEIRO – Veja bem, essa pergunta é uma bomba mesmo (RISOS)… O Dr. Eurico é uma pessoa que tem um vasto conhecimento sobre futebol, mas é muito intransigente… Não aceita muito o debate… É aquela pessoa que só prevalece a sua opinião. Trabalhei com o Dr. Eurico quando ele era diretor de futebol e não como presidente… Já o Roberto, é uma pessoa mais simples, mas o seu grande defeito é sempre confiar nas pessoas… Ele que na época deveria ter uma opinião formada, não teve, contou com outras pessoas… No futebol e no cargo que ele exercia existe a necessidade de ser mais enérgico e isso atrapalhou bastante o Roberto na época.

Por: Luiz Otávio Oliveira

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