Agora ele é professor – Batemos um papo com o ex-jogador Luisinho



FOTO: Luisinho regressa ao Vasco

FOTO: Luisinho regressa ao Vasco

“O Vasco com uma estrutura muito boa, tanto de clube, quanto de equipe, me deu toda a condição para que eu evoluísse como profissional, conquistando títulos e chegado à seleção brasileira”.

FOTO: Luisinho agora é professor

FOTO: Luisinho agora é professor

Batemos um papo com o ex-jogador Luisinho, campeão por Botafogo e Vasco da Gama e com passagens pela seleção brasileira, Luisinho foi um volante que acima de tudo usava a técnica alinhada com a força.

Luís Carlos Quintanilha, o ex-volante Luisinho, nasceu no Rio de Janeiro em 17 de março de 1965.

Blog – Quem é hoje o ex-jogador Luisinho?

“Depois de uma longa jornada dentro dos gramados, com muita luta para a realização de um sonho de garoto, depois de muitas conquistas de títulos e amizades, hoje, estou seguindo a carreira de treinador de futebol… Estou me preparando muito, já tive algumas oportunidades. Nos juniores do Nova Iguaçu foi uma boa escola… Tive a oportunidade de treinar o Rio Branco de Americana-SP, por dois anos, conquistamos o acesso e o título da série A3. O curioso foi que atendi a um chamado urgente da diretoria do Rio Branco e assumi a equipe no meio da competição, já que no começo da temporada, não havíamos chegado a um acerto… Tenho me preparado bastante para assumir uma equipe de futebol, Tenho feito alguns cursos da CBF… Hoje, tenho a possibilidade de dedicar o meu tempo também para a família”.

O EX-ATLETA FALA UM POUCO SOBRE A SUA CARREIRA

Blog – Você começou a sua carreira nas categorias de base do Botafogo e, em 1982, você é promovido à equipe profissional do Glorioso e em 1989, conquista o campeonato carioca, quebrando um imenso jejum e foi no alvinegro que você marcou seus únicos sete gols na carreira. Como foi o início da sua carreira e como a sua passagem pelo Botafogo?

FOTO: Luisinho campeão no Botafogo

FOTO: Luisinho campeão no Botafogo

“Tive a felicidade de chegar ao Botafogo, vindo do futebol de salão, quando pedi ao meu treinador (Rogério que assumiu o futebol de campo infantil do Botafogo), para fazer um teste no campo e consegui ser aprovado… Em 1979 foi um período muito difícil para o Botafogo, em termos de estrutura, na parte financeira, então, eu passei por essa fase… A cada ano que passava, aumentavam as esperanças de o time melhorar e conquistamos um título”.

“Como ainda acontece muito hoje, eu também subia e descia de categoria e, isso me ajudou a pegar uma experiência necessária para a sequência da minha carreira… Com a chegada do treinador Valdir Espinosa e, o Emil Pinheiro, conseguiram grandes contratações como: Mauro Galvão, Paulinho Criciúma, Maurício, Carlos Alberto Santos, Vitor, Gustavo, Ricardo Cruz, Josemar e outros… A chegada do Espinosa, fez com que acreditássemos a cada momento que era possível chegarmos ao título… Pra mim foi uma conquista muito especial. Foi como se eu tivesse saído da arquibancada e saísse vibrando com aquele momento. Esse título fez com que o Botafogo regressasse para General Severiano”.

Blog – Em 1990, você acerta a sua transferência para o Vasco (essa seria a sua primeira passagem pelo time vascaíno) conquistando o tricampeonato carioca. Como a sua primeira passagem pelo Vasco antes de se transferir para o futebol europeu?

“Logo após a conquista do título do Botafogo, justamente contra o Vasco, surgiu o interesse da aquisição do meu passe pelo próprio Vasco, e no fechamento do contrato, houve uma dúvida! Surgiu uma notícia de que eu poderia assinar com o Flamengo. Mas, como eu já havia acertado com o Vasco (mesmo que verbalmente), então fui para jogar no Vasco… Para mim, foi uma mudança muito importante, embora tenha ficado um lado sentimental pelo Botafogo… Eu tinha que seguir a minha carreira. No Botafogo, após a troca de presidência, começaram a ter algumas mudanças. Por isso a necessidade de ir para o Vasco”.

FOTO: Luisinho no Vasco

FOTO: Luisinho no Vasco

“No Vasco, eu fui muito bem recebido por toda a diretoria e pelos torcedores. Os atletas também me receberam de braços abertos. Bebeto foi um dos que receberam primeiro… O Vasco com uma estrutura muito boa, tanto de clube, quanto de equipe, me deu toda a condição para que eu evoluísse como profissional, conquistando títulos e chegado à seleção brasileira”.

Blog – Em junho de 1993, você se transfere para o futebol europeu e, vai defender o time do Celta de Vigo. Como foi a sua passagem pelo futebol europeu?

“A experiência de jogar na Europa, ela é sempre válida. Aquele era um momento em que eu estava muito bem como atleta de futebol… Eu havia acabado de participar de um torneio internacional pela seleção brasileira e, fui muito bem. Em seguida disputei a Copa América… Se eu permanecesse no Brasil, com certeza teria uma oportunidade maior em disputar a Copa do Mundo de 1994… Na época o Celta era um time que brigava muito para não cair e, eu vivi o inverso da tabela aqui no Brasil – o Vasco sempre estava disputando a parte de cima da tabela – por isso, a adaptação demorou um pouco. Consegui mais uma convocação para um amistoso da seleção brasileira… A experiência foi muito válida”.

Blog – Em 1994, você regressa ao Brasil e, desta vez para defender o Corinthians num contrato de seis meses. Como foi a sua passagem pelo time paulista? Você teve a oportunidade de disputar a sua primeira final de um campeonato brasileiro e, comemorar um título inédito na sua carreira, mas o Corinthians perdeu o jogo para o Palmeiras e foi eliminado.

FOTO: Luisinho no Corinthians

FOTO: Luisinho no Corinthians

“Foi realmente uma passagem muito rápida… Aceitei o convite do técnico Jair Pereira, pois havíamos sido campeões pelo Vasco… Foi uma experiência boa, poder trabalhar em São Paulo, mas, se eu tivesse permanecido por mais tempo, poderia ter aproveitado melhor. A organização do futebol do Corinthians é indiscutível. O cuidado com os atletas profissionais, a preocupação em não deixar faltar e nem atrasar os salários dos profissionais, a torcida do Corinthians também é bem diferente… Não conquistei títulos, mas cheguei à final do campeonato brasileiro. Sou feliz por ter vestido a camisa de um clube de massa no Brasil”.

Blog – No ano seguinte, você regressa pela segunda vez para o Vasco. Em 1997, você conquista o campeonato brasileiro, a libertadores em 1998, a Copa MERCOSUL e o Campeonato brasileiro em 2000. Você regressa ao Vasco mais experiente, como foi esse seu regresso ao Vasco da Gama?

FOTO: Luisinho regressa ao Vasco

FOTO: Luisinho regressa ao Vasco

“Ah, foram títulos importantes, tanto para o clube, quanto para mim… Nesse período o Vasco sempre “brigava” para chegar ao título, sempre manteve a boa estrutura de grupo de equipe e isso fez com que chegássemos ao título de campeão brasileiro em 1997… Quando o Vasco perdia um jogador, ou fazia contratações pontuais ou como sempre formou bons jogadores na base e assim promovia a subida de atletas… Esse trabalho foi fundamental para o Vasco brigar e conquistar os títulos… Para mim, foi um retorno muito importante, mesmo tendo outras propostas de clubes daqui do Rio, optei por permanecer no Vasco e hoje, sou o atleta que mais conquistou títulos pelo clube (risos)”.

Blog – Aos 35 anos de idade, perseguido por várias lesões, você encerra a sua carreira. Como você administrou o encerramento da sua carreira?

“Não foi fácil. Depois de muitos anos envolvido com o futebol eu não busquei outra coisa para fazer após eu parar de jogar… A contusão grave que eu tive na em 1998, durante a disputa da Libertadores, eu tive que fazer uma cirurgia delicada e assustadora (coloquei pinos na cabeça), poderia ter sido mais grave, mas deu tudo certo… E em 1999, tive que fazer três cirurgias no tornozelo e, passei a ter uma limitação no pé esquerdo… Consegui retornar aos gramados com muita fisioterapia, ainda conquistamos a Copa João Havelange e a MERCOSUL, com o apoio do Oswaldo de Oliveira (treinador do Vasco) e com o apoio da família, dos amigos e dos torcedores, pude encerrar a minha carreira sem sair em uma maca”.

LUISINHO NA SELEÇÃO BRASILEIRA

Blog – Pela seleção brasileira você disputou oito jogos e marcou um gol contra a Alemanha na U. S. Cup. Participou também em 1993 da Copa América e sempre foi para estar no grupo da seleção de 1994. Como foi a sua passagem pela seleção? E, qual a sua opinião sobre a sua não convocação para a copa de 1994?

“Foi um orgulho muito grande servir a seleção brasileira… Disputei esse torneio nos EUA, e eu credito para mim o primeiro gol que foi gol contra, mas eu bati para o gol e o jogador alemão – não lembro o nome – tocou para o gol (risos)… A minha não ida em 1994, eu credito a minha ida para a Espanha… Sempre respeite a decisão do treinador, porque aqui no Brasil, outros jogadores viviam momentos melhores do que eu na Espanha… O próprio Mazinho naquele timaço do Palmeiras… Sinceramente, não fiquei com magoa alguma por não ter sido convocado para a Copa do Mundo de 1994”.

O TREINADOR LUISINHO

Blog – Você dirigiu o Rio Branco de Americana, inclusive conquistando a série A3 do paulista.

FOT: Luisinho técnico do Rio Branco de Amerinaca-SP

FOTO: Luisinho técnico do Rio Branco de Amerinaca-SP

“Assim que encerrei a carreira de atleta profissional, trabalhei como agente (inclusive fiz provas na CBF), mas num breve período, pude perceber que o trabalho no campo era o ideal para mim… Recebi conselhos de alguns treinadores sobre o meu perfil como treinador e com isso, comecei a me preparar. Fiz alguns cursos, alguns estágios e me preparei bastante. Por ser uma área muito restrita, eu acredito que os treinadores tem que buscar estudar cada vez mais (e isso eu estou fazendo)… Recebi o convite para começar nos juniores do Nova Iguaçu, logo em seguida surgiu o convite para treinar o Rio Branco de Americana-SP, conquistamos a séria A3 e me tornei o primeiro técnico do time a conquistar um título na história do clube nos profissionais”.

FOTO: Luisinho na comissão técnica do Vasco

FOTO: Luisinho na comissão técnica do Vasco

LUISINHO FALA AGORA SOBRE CURIOSIDADES DE SUA CARREIRA

Blog – Um fato inusitado:

“Foi em 1989, justamente na conquista do título do Botafogo… Em 1986, o Botafogo disputou um amistoso na Itália contra o Napoli e eu troquei de camisa com o Maradona… E na campanha do titulo de 89, eu andava com essa camisa dentro da minha bolsa de concentração e o técnico Valdir Espinosa era muito supersticioso e, soube que a blusa andava sempre comigo nas concentrações… e justamente na concentração do jogo final, numa quarta-feira contra o Flamengo, decido pregar uma peça no treinador e digo-lhe que havia esquecido a camisa em casa. Valdir Espinosa por uma questão lógica de superstição me diz que eu teria que voltar em casa e pegar a camisa (da sorte – risos), mas tudo aquilo não passava de uma brincadeira minha com o treinador… Eu havia levado a camisa e, assim conquistamos o título”.

BLog – Como era o Luisinho no vestiário com o time perdendo?

“Eu era bastante agitado, não gosto de perder nem par ou impar, nem no ping-pong (risos)… Nos intervalos dos jogos, eu sempre tive uma participação muito ativa com os treinadores sempre trocando ideias até mesmo com os companheiros. Para tentar reverter o resultado, mas eu sempre dava o meu melhor… Era um incômodo muito grande ter que passar uma noite com uma – derrota na cabeça –“.

Blog – Qual foi a importância da família na sua carreira?

“Fundamental. Meu pai, minha mãe e meus irmãos, sempre fomos simples. Meus pais sempre se esforçaram por toda a vida para que eu pudesse avançar na vida, terminar o segundo grau, entrar numa faculdade, mas todo o apoio no sentido da realização do sonho em me tornar um atleta de futebol profissional”.

AGORA O PAPO É RETO

Blog – Uma camisa?

“A camisa 8 do Botafogo;”.

Blog – Um jogo inesquecível?

“A final de 1989, Botafogo 1 x 0 Flamengo, com gol do Maurício”.

Blog – Uma conquista?

“São vários títulos e todos importantes. O título de campeão carioca pelo Botafogo e a Libertadores pelo Vasco”.

Blog – Um grande craque?

“Mendonça;”.

LANÇAMOS AGORA A PERGUNTA BOMBA

Blog – Você agora é o treinador da seleção brasileira e por isso, você pode convocar a nossa seleção apenas com jogadores que jogaram ao seu lado. A seleção brasileira é você e mais dez:

“Carlos Germano, Josemar, Mauro Galvão, Alexandre Torres e Eduardo; Carlos Alberto Santos, Leandro e Bismark; Mauricinho, Edmundo e Bebeto;”.

Blog – Quais são as suas considerações finais?

“Foi uma grande satisfação participar deste momento. Parabéns a coluna Papo com Boleiro, pelo brilhantismo que vocês vêm fazendo as matérias… Eu já venho acompanhando algumas entrevistas: Marquinhos, Mauricinho e ainda tantos que irão aparecer… Mas, vocês estão de parabéns pela ideia em contar a história dos ex-atletas, não só como éramos, mas como estamos vivendo hoje… Aos leitores do Lance, curtam bastante essas matérias… Agradeço a oportunidade de poder contar um pouco da minha história, uma matéria como essa, nos mantém vivo e com muita alegria”.

Por: Luiz Otávio Oliveira

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