Batemos um papo com Roberto Gaúcho ex-atacante de Grêmio, Vasco e Cruzeiro



Roberto Gaúcho gostava de decisões. Protagonista em partidas importantes, o ex-atacante foi peça fundamental do Cruzeiro na conquista da Copa do Brasil de 1996 em cima do Palmeiras. Roberto relembrou histórias do título, a união do grupo celeste e a provocação a Luxemburgo, então treinador do clube paulista.

‘Eu sempre sonhei em jogar ao lado de Renato Gaúcho e isso acabou acontecendo. Fizemos uma das melhores duplas do futebol brasileiro naquela época.’ / Foto: acervo do jogador

Roberto Gaúcho reside em Joinville-SC. Após encerrar a carreira de jogador profissional, ele seguiu trabalhando no futebol, dessa vez como treinador.

Blog – Quem é hoje, o Roberto Gaúcho?

– ‘Permaneci no futebol. Fazendo o que eu gosto. Assumi como treinador a equipe do Valério Doce de Minas. E o Marcelo Ramos é o meu auxiliar técnico. Tenho um filho de 23 anos, que joga futebol. Roberto Jr.’

Blog – Você começou a sua carreira de jogador profissional do Joinville-SC? Como foi o início da sua carreira como atleta profissional?

– ‘Por eu ter nascido no interior no Rio Grande do Sul, de família humilde. Meu pai era barbeiro, minha mãe não tinha estudo. Com 15 anos fui reprovado na peneira do Grêmio (junto com Taffarel e Argel Fucks). Mas cheguei ao Joinville-SC, pelo intermédio de um conhecido. Fui aprovado pelo técnico Hélio dos Anjos. O Joinville tinha uma boa estrutura… quem me lançou para o profissional foi o Arthur Coimbra (irmão do Zico), eu tinha 18 anos. E com 19 anos, assinei com o Grêmio, na época, a maior transação financeira no futebol do Sul. ’

Blog – Entre os anos de 1989 e 1992 – até chegar ao Cruzeiro – você passou por grandes equipes do futebol brasileiro. Nesse período, qual foi a sua maior conquista e a sua maior decepção?

– ‘Minha maior conquista foi ter assinado o meu contrato com o Grêmio. Fui muito jovem, não consegui ganhar muito dinheiro. Cheguei ao Grêmio para substituir o Renato Gaúcho… minha maior decepção foi não ter “estourado” no Vasco. Na época o Zagallo havia pedido a minha contratação. Foi um time maravilhoso. Poderia ter ido pra seleção brasileira. Mas fiquei apenas sete meses. Mas me arrependo de não ter permanecido mais tempo no Vasco. ’

Bom ponta-esquerda do Cruzeiro em grandes conquistas nos anos 90, principalmente a Copa do Brasil de 1996.

Roberto Gaúcho no Cruzeiro / foto: acervo do ex-jogador

Blog – Em 1992, você acerta a sua transferência para o Cruzeiro. Conquistando: Campeonato Mineiro, Copa do Brasil (2x), Supercopa e Libertadores. Como foi vestir a camisa do Cruzeiro?

– ‘Vestir a camisa do Cruzeiro foi algo maravilhoso… Eu sempre sonhei em jogar ao lado de Renato Gaúcho e isso acabou acontecendo. Fizemos uma das melhores duplas do futebol brasileiro naquela época. Jair Pereira era o nosso treinador. O time do Cruzeiro era um dos melhores daquela época. Ganhamos todos esses títulos. Em 93 e 94 fui artilheiro. Consagrei muito o Ronaldo Fenômeno, ele com 17 anos, eu cruzava muitas bolas na cabeça dele. ’

Roberto Gaúcho no Cruzeiro / foto: acervo do ex-jogador

Blog – Após sua brilhante passagem pelo Cruzeiro, você atuou por outros clubes antes de encerrar a sua carreira. Como foi o encerramento da sua carreira?

– ‘Parar de jogar é sempre ruim, ainda mais quando você constrói uma carreira como eu construí. Mas depois que machuquei meu joelho com 29 anos – jogando no Cruzeiro – ainda tentei jogar nos EUA, mas não deu. Parei com 30 anos de idade. Naquela época a medicina não era tão avançada como é hoje. Chorei muito na época. O que me ajudou foi o apoio da minha família. Eu entrei em depressão. Mas a oração da minha esposa e a estrutura da minha família me ajudou a superar essa fase. ’

Blog – Como foi essa transição de jogador para treinador?

– ‘Não foi fácil. Você tem que ter carisma, tem que olhar olho no olho do jogador. Tem que falar a língua do boleiro. Para vencer nessa profissão, você precisa ter pessoas honestas trabalhando ao seu lado. Eu tenho na minha comissão técnica, Marcelo Ramos, um baita artilheiro e um profissional de caráter… Não é fácil comandar um grupo de jogadores, mas tem que ser humilde e trabalhar duro a cada dia… e eu estou bem maduro para enfrentar esse desafio. ’

Curiosidades sobre a carreira de Roberto Gaúcho:

Blog – Protagonista do Cruzeiro na conquista da Copa do Brasil de 1996, em cima do Palmeiras, você foi o autor de um gol e duas assistências nas finais da competição. Sobre a provocação a Luxemburgo, então treinador do clube paulista. O que aconteceu?

– ‘Luxemburgo é um amigo. Um ótimo treinador. Mas na época ele me desrespeitou. Eu era cabeludo e irreverente como o Renato Gaúcho… no jogo em São Paulo, quando eu fiz o gol, beijei o escudo do Cruzeiro e disse pra ele no banco de reservas do Palmeiras que ele teria que respeitar o Cruzeiro (é uma potência mundial) e, depois do jogo, fui tirar satisfações com ele, mas foi no calor do jogo, mas hoje eu o respeito, já lhe pedi perdão. ’

Blog – Um fato inusitado durante a sua carreira?

– ‘Foi em Medellín na Colômbia. Em 1992. Depois do jogo, eu e Renato Gaúcho saímos pra “tomar” alguma coisa. Quando passamos no saguão do hotel, estava o treinador nos esperando. No momento ficou aquele clima meio estranho, mas como o Renato era a estrela do time e eu ainda era garoto, o treinador falou: “oh, faz de conta que eu não vi nada… mas antes das 06:00hs da manhã, estejam de volta.” e isso foi um fato inusitado.’

Agora o papo é reto:

Blog – Uma camisa?

– ‘A camisa do Cruzeiro.’

Blog – Uma partida e um gol inesquecível?

– ‘Foi a conquista da Supercopa. Fiz o gol do título.’

Blog – Um treinador?

– ‘Andrade.’

Lançamos a pergunta bomba:

Blog – O melhor time do mundo. Escale uma seleção do mundo com todos os jogadores que atuaram ao seu lado:

– ‘Dida; Luís Carlos Wink, Luisinho, Edinho e Nonato; Boiadeiro, Bismark e Bebeto; Edmundo Renato Gaúcho e Éder Aleixo;’

Blog – Deixem as suas considerações finais sobre a nossa coluna:

– ‘Vocês estão fazendo um trabalho maravilhoso. Eu agradeço por dar oportunidade aos ex-jogadores. É muito importante esse trabalho. Muito gostoso contar um pouco da minha história como ex-jogador e agora como treinador de futebol. Parabéns.’

Roberto Gaúcho o atacante mais decisivo que o futebol brasileiro já teve…

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