Mesmo com declínio dos times da América do Sul, brasileiros seguem sendo destaque no Mundial de Clubes



Caio Lucas fez história com o Al Ain (Foto: Divulgação)

A queda precoce do River Plate no Mundial de Clubes, sendo eliminado pelo Al Ain, dos Emirados Árabes, nas semifinais, acentuou ainda mais o momento ruim vivido pelos clubes da América do Sul no cenário mundial. No caso dos argentinos ainda mais, já que o país ainda não conquistou nenhum título da competição desde que a FIFA assumiu a organização do evento, em 2000, tendo uma sequência a partir de 2005. Os brasileiros foram os únicos do continente a vencerem, com quatro conquistas – Corinthians, duas vezes, São Paulo e Internacional. O último título ocorreu em 2012, com o Alvinegro Paulista, que bateu o Chelsea, da Inglaterra, na decisão.

O insucesso do coletivo sul-americano, que viu os europeus vencerem dez das 14 edições já disputadas, no entanto, vai na contramão dos constantes destaques individuais do continente. Nunca na história do Mundial de Clubes da FIFA um time foi campeão sem ter ao menos um jogador da América do Sul em seu elenco. E com grande destaque, como Messi, Neymar, Kaká, Tevez, Suárez e Zanetti, entre outros. Mais do que isso: jamais uma equipe foi campeã sem ter um jogador brasileiro. Aliás, com exceção de Marcelo, em 2014, todos os vencedores contavam com mais de um no plantel. E em 2019 não será diferente, independente do campeão.

River Plate, da Argentina, Chivas, do México, Espérance, da Tunísia, e Wellington, da Nova Zelândia, eram os únicos times sem brasileiros em seus elencos. Todos, no entanto, foram eliminados. O Al Ain, tido como zebra ao tirar o River, tem como uma das principais esperanças o brasileiro Caio Lucas, cria da base do São Paulo mas que nunca atuou profissionalmente no Brasil. Mais uma prova da vasta capacidade da América do Sul – principalmente do Brasil – de produzir bons jogadores.

Pelo lado do Kashima Antlers, que eliminou os mexicanos e agora enfrentará o Real Madrid, destaque para o meia Serginho, revelado pelo Santos e que vinha fazendo um bom Brasileiro pelo América Mineiro, antes de transferir para o Japão. Foi dele um dos gols da classificação. Além do apoiador, os japonenses contam também com o atacante Leandro, ex-Palmeiras, Santos e Grêmio, e o volante Léo Silva, ex-Botafogo e Cruzeiro.

Tricampeão, o Real é grande favorito ao título, principalmente após a saída dos argentinos. E assim como nos anos em que ficou com a taça, chega ao Mundial com brasileiros em seu elenco. Marcelo, que esteve presente em todas as conquistas, é o mais experiente, seguido por Casemiro, bicampeão. Quem poderá estrear é Vinícius Junior, outro relacionado pelos madridistas para a disputa.

A verdade é que o Mundial já não é mais um duelo entre sul-americanos e europeus, como era a antiga disputa no Japão, antes da FIFA e da abertura das grandes ligas para um maior número de estrangeiros, como ocorreu na Itália e na Inglaterra nas últimas década. Com exceção das quedas improváveis, como a do River, os sul-americanos enfrentam, além dos melhores atletas nascidos no Velho Continente, o melhor que foi produzido por eles mesmos. Não é de se espantar a disparidade entre os times. O declínio, no entanto, é apenas coletivo. Individualmente, a América do Sul, em especial o Brasil, seguem se destacando.

Real, Kashima ou Al Ain, certo é que o campeão mundial de clubes de 2018 terá a marca brasileira. Mais uma vez.

JOGADORES BRASILEIROS QUE VENCERAM O MUNDIAL DE CLUBES DA FIFA*:

* Considerando titulares e  reservas

2017 – Marcelo e Casemiro – Real Madrid-ESP
2016 – Marcelo, Casemiro e Danilo – Real Madrid-ESP
2015 – Daniel Alves, Neymar, Adriano e Douglas – Barcelona-ESP
2014 – Marcelo – Real Madrid-ESP
2013 – Dante e Rafinha – Bayern de Munique-ALE
2012 – Cássio, Alessandro, Chicão, Ralf, Fábio Santos, Paulinho, Emerson, Paulo André, Danilo, Jorge Henrique, Júlio César, Danilo Fernandes, Wallace, Douglas, Anderson Polga, Willian Arão, Edenílson, Guilherme, Felipe, Giovanni e Romarinho – Corinthians-BRA
2011 – Daniel Alves, Adriano e Maxwell – Barcelona-ESP
2010 – Júlio César, Lúcio e Maicon – Inter de Milão-ITA
2009 – Daniel Alves e Maxwell – Barcelona-ESP
2008 – Anderson e Rafael – Manchester United-ING
2007 – Dida, Kaká, Cafú, Emerson e Serginho – Milan-ITA
2006 – Clemer, Ceará, Índio, Fabiano Eller, Wellington Monteiro, Alex, Edinho, Fernandão, Iarley, Alexandre Pato, Rubens Cardoso, Renan, Edigle, Fabinho, Adriano Gabiru, Luis Adriano, Léo, Perdigão, Élder Granja, Marcelo e Michel – Internacional-BRA
2005 – Rogério Ceni, Cicinho, Fabão, Ecarlos, Júnior, Mineiro, Josué, Danilo, Amoroso, Aloísio, Grafite, Christian, Alex, Denílson, Fábio Santos, Renan, Flávio Donizete, Thiago Ribeiro, Richarlyson, Souza, Bosco e Flávio Kretzer – São Paulo-BRA
2004 – Não houve disputa pela FIFA
2003 – Não houve disputa pela FIFA
2002 – Não houve disputa pela FIFA
2001 – Não houve disputa pela FIFA
2000 – Dida, Adílson, Índio, Vampeta, Kleber, Marcelinho Carioca, Luizão, Edílson, Fábio Luciano, Ricardinho, Maurício, João Carlos, Daniel, Márcio Costa, Nenê, Fábio Baiano, Dinei, Augusto, Edu, Luiz Mário e Gilmar – Corinthians-BRA

Obs: jogadores de origem brasileira mas que foram naturalizados, como Thiago Motta, Pepe, Thiago Alcântara e Marcos Senna, não entraram na lista.



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