Em cartaz na Rússia: ‘El secreto de sus Rojos’



FOTO: AFP

O gol de Messi aos 13 minutos foi místico e genial. Foram 699 minutos jejuando em Copas. O último gol havia sido justamente contra a Nigéria, no Brasil, em 2014, também na última rodada da fase de grupos. Quatro anos e um dia entre o 25 de junho de 2014 e o 26 de junho de 2018. Entre Porto Alegre e São Petersburgo houve tanto mar, agruras, perda de três finais, sofrimentos sem fim para o camisa 10. Cessou. O lançamento de Banega, a matada na coxa esquerda, o empurrãozinho com a mesma perna e a finalização diagonal de direita. Coisa fina! Uma jogada à la Seleção Brasileira de 70, retrô, Canal 100 …

Não representaria o alívio. Teria representado, é natural imaginar, se uma falta cobrada pelo craque pouco tempo depois não tivesse esbarrado na trave. O gol de pênalti da Nigéria, assinalado por Moses aos cinco do segundo tempo, injetou drama. A partir dali, teve sangue (Mascherano com um lanho em um dos lado do rosco), suor e tango. “Todo a media luz, que es un brujo el amor.” E el fútbol, por supuesto! Como sói acontecer com o time improvisado de Sampaoli, as pernas começaram a pesar. Di Maria cometia erros primários, de perna de pau em pelada de fim de ano. Higuaínn renovou seu álbum de incríveis gols perdidos pela seleção em jogos importantes. Um balão na frente ao goleiro, com a pelota passando por cima do Rio Neva e indo parar no Rio da Prata.

Nos minutos finais, eis que a trama virou. Rojo, lateral improvisado na zaga, repetindo a formação do jogo contra a Islândia, acertou um improvável chute de primeira em cruzamento de Mercado. Combinado com a derrota da Islândia para a Croácia, o gol classificou a Argentina. Contrariou prognósticos e alimentou-se de gana e tradição. Melhorou a autoestima do país, ao menos por ora. Foi como roteiro adaptado de uma película do ótimo cinema platino. Suspense e drama mesclados. O desfecho inesperado: “El secreto de sus Rojos’. Em cartaz na Rússia sem avant-première.



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